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Apesar de ambos serem portugueses, se conhecerem desde o início da carreira e manterem uma relação de amizade, Abel Ferreira, mais conservador, e Luís Castro, mais flexível na forma como ajusta as suas equipas, apresentam abordagens distintas ao jogo.
E, se o resultado é tudo no futebol, o atual treinador do Palmeiras tem levado a melhor desde os tempos além-fronteiras. O mais recente capítulo deste duelo está marcado para esta madrugada, às 01:30, quando Palmeiras e Grémio se defrontarem na Arena Barueri, em jogo da 9.ª jornada do Brasileirão.

No Brasil, registam-se três confrontos até ao momento, todos com Abel no banco do Palmeiras e Luís Castro ao comando do Botafogo, clube que deixou no auge, em 2023, para assumir o Al-Nassr, na Arábia Saudita.
Depois de duas derrotas pesadas no Brasileirão de 2022 (7-1 no agregado), 2023 trouxe a resposta. Tiquinho Soares marcou o único golo do encontro disputado no Allianz Parque, a 25 de junho.
Esse viria a ser o último jogo de Castro no comando do Botafogo no campeonato. O Glorioso, que viria a conquistar tudo em 2024 sob orientação de Artur Jorge, acabaria por cair de rendimento nesse ano, já com Bruno Lage no banco, que não permaneceu até ao final da competição.
Escola SC Braga
Abel Ferreira construiu a sua carreira em Portugal ao serviço de equipas do SC Braga. Sem o peso institucional de um Ajax, o clube minhoto afirmou-se, nos últimos anos, como um verdadeiro polo de formação de treinadores, revelando ou impulsionando nomes como Ruben Amorim e o próprio Artur Jorge, num contexto propício a ideias modernas e a modelos de jogo bem estruturados.
Luís Castro seguiu um percurso distinto, ligado ao FC Porto. Iniciou-se na equipa B e, posteriormente, assumiu o comando de Chaves (2017/2018) e Vitória SC (2018/2019). Nos oito confrontos entre ambos ainda em Portugal, Abel leva vantagem, com cinco vitórias, contra duas de Castro, além de um empate.

O atual treinador do Grémio esteve durante 11 anos ligado à formação do tradicional clube do norte de Portugal. Entre os jogadores que ajudou a desenvolver nesse período destaca-se Vitinha, hoje figura da seleção portuguesa.
Fiel escudeiro
Faz parte da cultura dos treinadores portugueses que trabalham no Brasil rodearem-se de elementos de confiança, com sólida formação teórica. Tal como aconteceu no Botafogo e agora no Grémio, o principal braço-direito de Luís Castro é o adjunto Vítor Severino, parceiro desde os tempos de formação no FC Porto e peça-chave na implementação do seu modelo de jogo.

Com forte formação académica e experiência na formação, Vítor Severino contribui para uma abordagem que procura atacar quando há espaço e criá-lo quando ele não existe, inserido numa estrutura técnica consolidada ao longo dos anos, com profissionais de confiança que acompanham Luís Castro em diferentes projetos.
Formado profissionalmente na Académica de Coimbra, Severino chegou a lecionar Metodologia do Treino em Futebol no curso de Ciências do Desporto da Universidade de Coimbra.
Do lado de Abel Ferreira, existe uma ligação ainda mais próxima com João Martins. Ambos trabalham em conjunto desde os tempos de Portugal, sendo o adjunto a figura mais próxima do treinador no dia a dia e, sobretudo, junto à linha lateral, onde frequentemente assume o comando em momentos de suspensão do técnico principal.

Com um perfil intenso e interventivo, João Martins atua como uma extensão direta das ideias de Abel, ajudando na leitura tática durante os jogos, na comunicação com os jogadores e na execução prática do modelo da equipa. Funciona, assim, como elo entre a estratégia e a ação dentro da estrutura técnica do Palmeiras.
Abel voltará, por isso, a depender do seu adjunto. Expulso frente ao São Paulo - pela terceira vez em 2026, somando as duas anteriores no Paulista -, não poderá estar à beira do relvado.
