Um levantamento do Flashscore entre a quinta e a 17.ª jornada detalha o rendimento mensal do Vasco e ilustra como o trabalho de Renato Gaúcho oscilou do céu ao inferno em três meses.
O início da trajetória, registrado no recorte do mês de março (que compreende as jornadas 5 a 8), trazia motivos de sobra para o adepto sorrir. O Vasco somou 10 pontos e conquistou resultados expressivos, como a vitória sobre o Palmeiras por 2-1, em São Januário, mantendo uma campanha idêntica à do rival Flamengo - também com 10 pontos no período.
A equipa demonstrava consistência defensiva, força coletiva e dava indícios de que ia lutar firmemente na parte de cima da tabela. Mas talvez tudo não passou daquela fase anímica vivida por vários clubes com a chegada de um novo treinador.

A mudança do mês trouxe consigo os primeiros sinais de desgaste. Em abril, entre as jornadas 9 e 13, o rendimento caiu abruptamente pela metade. O Cruz-maltino conquistou apenas 5 pontos no período, caíndo para a metade inferior da tabela daquele mês, empatado com equipas que já lutavam com uma crise no torneio nacional, como Corinthians e Grémio. Ali, as primeiros críticas sobre as escolhas de Renato e a falta de repertório começaram a ecoar nos bastidores.
O que era uma oscilação preocupante virou um drama estatístico em maio. Entre as jornadas 14 e 17, o Vasco enfrentou uma estagnação crítica, somando míseros 4 pontos. O desempenho pífio empurrou a equipa para a antepenúltima posição do recorte mensal, à frente apenas de Bahia, São Paulo e Chapecoense. Em termos práticos, o aproveitamento do clube desabou de um patamar de G4 para uma campanha legítima de despromoção.

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Contradições
A pressão sobre Renato Gaúcho atingiu o ápice após a derrota por 3-0 com o Red Bull Bragantino, no último fim de semana. Esse foi o terceiro deslize consecutivo da equipa, que não sabe o que é vencer há quatro partidas.
O momento de crise, porém, contrasta com o histórico geral, especialmente considerando o cenário difícil deixado por Fernando Diniz. Dos 20 pontos que o Cruz-maltino possui na Série A, 19 foram conquistados sob o comando de Renato - um aproveitamento de 95% do total do clube.
A vantagem acumulada no início da trajetória, exatamente no mês de março, é o que impede o Vasco de estar atualmente numa situação mais caótica noo Brasileirão.
O Bragantino, responsável por explodir a crise entre Renato e a torcida, tem um aproveitamento de 50% no Brasileirão até o momento, figurando em 5.º lugar, com 26 pontos. Para se ter ideia, pegando apenas no histórico de Renato no Brasileirão, o rendimento do treinador é similar ao do conjunto paulista: 48,7%, o que representa uma campanha pelo topo da tabela.
Os números mostram que o trabalho de Renato Gaúcho está longe de ser um terra arrasada, mas o futebol vive de presente, e o presente do Vasco é desconfortável. Sem tempo para lamentar o tombo no Brasileirão, a equipa precisa se apegar aos 95% de eficácia que o técnico já demonstrou ter para conseguir o apuramento na Copa Sul-Americana nesta quarta-feira, contra o Barracas Central.
Diante do conjunto argentino, o Cruz-maltino terá os 90 minutos mais importantes do semestre para decidir qual versão de si quer levar adiante: a equipa competitiva que defrontou o Palmeiras em março ou a equipa apática que sucumbiu para o Bragantino.

