Brasileirão: Após seis jornadas ainda não apareceu nenhum nulo

Vista aérea do Estádio do Maracanã
Vista aérea do Estádio do MaracanãBuda Mendes/ Getty Images South America via AFP

Em seis jornadas do Brasileirão 2026, nenhum jogo terminou sem golos. Foram 56 partidas até aqui e, caso a tendência se mantenha nos quatros duelos adiados, o torneio pode registar o início mais atípico da era dos pontos corridos com 20 clubes, desde 2006.

Como as partidas não são numeradas, a comparação mais adequada é por rodadas, e não por número absoluto de jogos. O contraste com temporadas recentes é imediato. Em 2025, 2024 e 2021, houve seis empates por 0 a 0 nas seis primeiras rodadas.

Já em 2022 e 2023, foram três jogos sem golos nos primeiros 60 confrontos. Agora, com cerca de 15% do campeonato disputado, a ausência total de nulos aponta, à primeira vista, para uma maior eficiência ofensiva. Mas o quadro é mais complexo quando observado em perspectiva.

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. No ano passado, num recorte de 6 jornadas — comparável ao início de temporadas anteriores — foram registados 140 golos, com média de 2,33 por jogo.

Trata-se de um índice razoável de produção ofensiva, mas que convive com um dado relevante: 31,7% dos jogos terminaram empatados, sendo que 10% acabaram com um nulo. Ou seja, há equilíbrio, mas também uma parcela significativa de confrontos muito parados em que o golo não aparece.

O cenário é muito semelhante ao do ano antes. Nas 60 primeiras partidas de 2024 (a maioria das seis primeiras jornadas foram completadas bem à frente no campeonato) os clubes marcaram 141 golos, o que significa uma média de 2,35 por jogo.

O número de empates, em 18 jogos, é equivalente a 30% das partidas. Dentro desse grupo, os 0-0 passam a ser 7, representando 11,7% do total.

Com essa correção, o cenário aproxima-se ainda mais de um padrão de equilíbrio com viés defensivo. A média de golos permanece razoável, mas a incidência elevada de empates — especialmente os sem golos — reforça a ideia de um campeonato em que muitos jogos se resolvem com margens mínimas ou nem sequer encontram o caminho das redes.

Flamengo conquistou Brasileirão 2025
Flamengo conquistou Brasileirão 2025Gilvan de Souza/Flamengo

O fim do empate aborrecido

É no cenário atual, porém, que a mudança se torna mais evidente. Nos 56 jogos já disputados em 2026, o total de golos chega a 155, elevando a média para 2,77 por partida — um salto significativo em relação aos recortes anteriores.

Ainda assim, o número de empates permanece alto: 32,1% dos jogos terminaram igualados. A diferença crucial está no detalhe que redefine a análise: nenhum desses empates terminou 0-0.

O dado sugere uma transformação importante no perfil das partidas. O equilíbrio continua presente — como indica a taxa elevada de empates —, mas já não se traduz em jogos fechados ou de baixa produção ofensiva. Pelo contrário, há mais golos, mais trocas de vantagem e maior capacidade de conversão, mesmo em confrontos sem vencedor.

Nesse contexto, a ausência de 0-0 deixa de ser apenas uma curiosidade estatística e passa a indicar uma mudança mais profunda: o Brasileirão segue equilibrado, mas menos aborrecido. O empate, cada vez mais, não é sinónimo de falta de ação — e sim de jogos em que ataque e defesa se defrontam num ritmo mais intenso, com o golo como elemento constante.

Carlos Vinícius, é o melhor marcador da Série A, com cinco golos
Carlos Vinícius, é o melhor marcador da Série A, com cinco golosMaxi Franzoi/Agif via AFP

Depois da pausa para os particulares das seleções e o play-off do Mundial-2026 no final do mês, começam as competições sul-americanas, e a Taça do Brasil passará a contar com os clubes da Série A, que também estão a lutar pelo título do Brasileirão.

Serão dois meses intensos, com dois a três jogos por semana. Até que ponto esse quadro vai interferir no desequilíbrio entre os clubes, só o tempo vai dizer.