Se o Flamengo tem nove desfalques contra o Coritiba (considerando apenas as convocatórias), o Palmeiras - e Abel Ferreira também reclamou do episódio - terá oito ausências. Vários outros clubes vão perder peças importantes em mais uma jornada de Série A em que todos os jogos têm o mesmo peso.
Desde maio de 2025, a FIFA já tinha definido que os clubes precisariam libertar os jogadores convocados até ao dia 25 de maio de 2026. A entidade abriu exceções específicas apenas para atletas envolvidos em finais continentais europeias, como a da Liga dos Campeões.
Mesmo assim, a 18.ª jornada do campeonato brasileiro foi mantida para os dias 30 e 31 de maio, já sem diversos jogadores convocados para o Mundial. Do outro lado, a CBF, ficou na dela. Como os clubes não reclamaram antes, a entidade manteve tudo como estava programado, dizendo que apenas está a cumprir a lei.
Ausências do Palmeiras
Flaco Lopez e Giay (lista reserva) - Argentina
Jhon Arias - Colômbia
Gómez, Mauricio e Sosa - Paraguai
Martinez e Piquerez - Uruguai
Na nota divulgada pelo Flamengo, o clube questionou diretamente a “isonomia” da competição e afirmou que o episódio escancarava uma falha estrutural do futebol brasileiro. “É preciso refletir: onde estamos a errar e como iremos solucionar esses problemas?”, escreveu o clube carioca ao criticar a manutenção da jornada mesmo sem vários atletas disponíveis.

A resposta da CBF veio poucas horas depois e em tom duro. A entidade lembrou que o calendário havia sido aprovado por unanimidade pelos clubes da Série A no Conselho Técnico realizado em dezembro de 2025. Em nota oficial, a CBF afirmou que “a data de libertação obrigatória dos atletas para o Mundial-2026 foi definida pela FIFA ainda em maio de 2025” e acrescentou que “em nenhum desses momentos, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18.ª jornada”.
Convocados do Flamengo
Alex Sandro, Danilo Luiz, Léo Pereira e Lucas Paquetá (Brasil)
Jorge Carrascal (Colômbia)
Gonzalo Plata (Equador)
Giorgian De Arrascaeta, Guillermo Varela e Nico De La Cruz (Uruguai).
A entidade também rebateu a tese de favorecimento desportivo. Segundo a CBF, alterar a jornada atenderia “apenas aos interesses de um clube atingido pelas convocatórias: o próprio Flamengo”.

No fim, o imbróglio acabou distribuído entre todos os lados. Os clubes reclamam agora de um problema conhecido há mais de um ano. A CBF, por sua vez, mesmo sabendo previamente das exigências da FIFA, preferiu manter a jornada encaixada antes da paralisação do campeonato para o Mundial. E o futebol brasileiro, mais uma vez, mostrou como ainda vive espremido entre o calendário global da FIFA e a sua própria realidade doméstica.
Outros desfalques
Juan Portilla (Athletico- Paranaense)
Angelo Preciado, Alan Franco e Alan Minda (Atlético Mineiro)
Danilo (Botafogo)
Memphis (Corinthians)
Fabián Balbuena e Weverton (Grêmio)
Felix Torres e Rochet (Internacional)
Isidro Pita (Red Bull Bragantino)
Damián Bobadilla (São Paulo)
Andrés Gómez (Vasco)
O que nunca foi diferente, apesar de os tempos serem outros. No futebol sul-americano em geral, apesar da gritaria recorrente sobre o calendário, a organização das datas sempre foi algo relativamente flexível - para dizer o mínimo. O próprio Mundial de 1970 ajuda a ilustrar isso. A decisão da Taça Libertadores da América, entre Estudiantes de La Plata e Peñarol, aconteceu em 27 de maio - apenas quatro dias antes do início do Mundial no México.
Os campeonatos estaduais brasileiros, que naquela época tinham um peso gigantesco no calendário e no imaginário do futebol nacional, começaram praticamente em seguida ao tricampeonato da seleção brasileira. O campeonato carioca teve início em 27 de junho. O campeonato paulista, no dia 28. Apenas uma semana depois da final vencida pelo Brasil sobre a Itália, em 21 de junho.
Mais de meio século depois, a pressão pela profissionalização aumentou, o futebol virou uma indústria global e as tentativas de harmonizar os diferentes calendários também cresceram. Ainda assim, o futebol brasileiro, vira e mexe e volta para o passado. É verdade que o caos provocado pela pandemia baralhou completamente o calendário em 2020 e 2021.
Mas, mesmo depois disso, a Confederação Brasileira de Futebol continuou a conviver com críticas por “respeitar” apenas formalmente as datas FIFA - muitas vezes marcando partidas para o dia imediatamente posterior ao encerramento oficial das janelas internacionais.
