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Brasileirão: Neymar (Santos) e Memphis Depay (Corinthians) obrigados a adaptar forma de jogar

Neymar e Memphis conversam antes do clássico alvinegro pelo Paulista deste ano
Neymar e Memphis conversam antes do clássico alvinegro pelo Paulista deste anoETTORE CHIEREGUINI / AGIF VIA AFP

Neymar, o camisola 10 do Santos, não é mais o exímio driblador que parte da faixa, passa por dois ou três marcadores e decide a jogada. Do outro lado, pode-se dizer o mesmo de Memphis, por motivos parecidos e também por outro detalhe. O neerlandês ainda não teve uma sequência grande de minutos com a camisa do Corinthians em 2026.

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O atacante brasileiro ainda encontra espaços, conduz a bola, dá o último passe e aparece para finalizar. Os números da temporada ajudam a separar o Neymar de hoje daquele que ainda existe no imaginário do adepto. Ele não está entre os jogadores que mais produzem oportunidades a partir de jogadas individuais, mas continua a ser um dos que melhor transformam as oportunidades que encontra em golos e assistências.

Memphis Depay também mudou de perfil. O atacante que chegou ao futebol brasileiro associado à força física, à condução e à capacidade de resolver jogadas por conta própria aparece hoje em outra função. Nos números desta temporada, sua participação no Corinthians é mais marcada pela presença perto da área e pela definição das jogadas do que pelo volume de ações individuais. Ainda pode decidir, mas não está a produzir a partir do drible na frequência que sua imagem sugere.

Os números de Memphis Depay
Os números de Memphis DepayFlashscore

Os números dos dois prováveis personagens do clássico deste domingo, entre Corinthians e Santos, em Itaquera, traçam um veredito: Neymar é mais importante para o Santos do que Memphis para o Corinthians. A diferença não está tanto no talento ou no nome, mas no peso que cada um tem na produção ofensiva da equipa. Os dados consideram a participação dos dois jogadores na Série A, na Taça do Brasil e nas competições da América do Sul que cada time joga.

Neymar participou diretamente em 15 golos em 1.670 minutos, com oito marcados e sete assistências. São 0,81 participações em golos  por 90 minutos. Memphis tem duas em 575 minutos - um golo e uma assistência -, ou 0,31 por 90. A diferença fica ainda mais clara quando os dois são comparados aos demais jogadores ofensivos de plantéis. Neymar é quem mais participa diretamente em golos por minuto no Santos; Memphis não aparece entre os principais produtores ofensivos do Corinthians.

Os números de Neymar
Os números de NeymarFlashscore

Gabigol e Yuri Alberto

No Santos, Gabigol tem mais golos (já anotou 8) e também chega mais vezes a situações de finalização. Neymar, porém, compensa o menor volume com uma conversão acima do que número de golos esperados indica. Rollheiser e Barreal, por sua vez, aparecem mais na criação de grandes chances. Neymar ocupa outro espaço nessa engrenagem: participa da construção, conduz, encontra o passe final e, quando a bola chega em condições de conclusão, tem sido eficiente.

Os três atacantes mais decisivos do Santos
Os três atacantes mais decisivos do SantosStats Perform/Opta

O camisola 10 já não precisa vencer o marcador tantas vezes para decidir uma partida. Seu jogo depende mais daquilo que faz antes e depois do duelo individual. E, sobretudo, da capacidade de transformar essas escolhas em gol ou assistência.

No Timão, a estatística de jogadas individuais que terminam em oportunidade criada é reveladora. Memphis não tem nenhuma. a média de condução também está abaixo da de outros jogadores ofensivos do Corinthians. Com pouco mais de nove metros por condução, fica distante de nomes como Kaio César e Yuri Alberto. O dado não significa que tenha deixado de conduzir a bola ou que não possa superar adversários no um contra um, mas indica que essa não tem sido uma de suas principais formas de participação no ataque.

Os jogadores que mais conduzem a bola no ataque do Timão
Os jogadores que mais conduzem a bola no ataque do TimãoStats Perform/Opta

Seu peso aparece mais quando a jogada se aproxima da baliza. Memphis criou duas grandes oportunidades e, mesmo tendo disputado apenas 575 minutos, marcou uma vez e deu uma assistência. A amostra ainda é pequena para conclusões definitivas, mas indica um jogador mais envolvido na definição do que na construção de toda a jogada. O xG de 0,86 também mostra que o golo marcado veio de um volume relativamente baixo de oportunidades.

A comparação com os demais atacantes ajuda a colocar esse desempenho em perspectiva. Yuri Alberto e Kaio César têm números maiores de golos esperados e chegam mais vezes às situações de finalização. Rodrigo Garro, por sua vez, aparece com muito mais participação na construção e na criação. Memphis ocupa um espaço diferente. Não é o jogador que mais movimenta o ataque nem o que mais produz chances a partir do drible, mas pode aparecer na parte final da jogada para concluir ou dar o passe decisivo.

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