A manifestação ocorre após uma sequência de episódios que recolocou a arbitragem no centro das discussões. Na goleada do Palmeiras por 0-4 sobre o Vitória, na última quinta-feira, o clube baiano reclamou das decisões tomadas pelo árbitro Alex Gomes Stefano e pelo VAR , operado por Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira.
Cacá e Luan Cândido foram expulsos após intervenções do VAR, enquanto o Vitória também questionou a ausência de um cartão vermelho para Maurício, em lance envolvendo o central Cacá.
O Flamengo sustentou a sua crítica com números do perfil "Espião Estatístico", do site ge.globo. Segundo o levantamento citado pelo clube, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, até ao Brasileirão de 2026, o Palmeiras tem 65 decisões alteradas a seu favor, 47 contra e saldo positivo de 18 — o maior entre os principais clubes do país.
O Rubro-Negro ressalvou que nenhum dado isoladamente comprova favorecimento, mas argumentou que os números acumulados ajudam a explicar a permanência do debate.
O clube também defendeu mudanças na postura de jogadores e equipas técnicas diante dos árbitros e reconheceu os investimentos da CBF em treino, tecnologia e divulgação dos áudios do VAR. Para o Flamengo, porém, são os árbitros que efetivamente interpretam as regras e precisam de responder quando cometem erros graves ou permitem pressão excessiva durante as partidas.
A nota termina com um apelo por maior confiabilidade no futebol brasileiro.
Nota oficial do Flamengo
“Após o retorno da Copa do Mundo, o debate sobre arbitragem voltou a ocupar o centro do futebol brasileiro. E isso não acontece por acaso.
Nos últimos anos, consolidou-se entre torcedores, profissionais do futebol e parte significativa da opinião pública a percepção de que um determinado clube vem sendo reiteradamente beneficiado por decisões de arbitragem. Essa percepção não nasce apenas da rivalidade esportiva. Também encontra respaldo em números.
Levantamento do Espião Estatístico, do ge, mostra que, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, até o Campeonato Brasileiro de 2026, o Palmeiras acumula o maior número de decisões alteradas a seu favor (65), o menor número de decisões contrárias entre os principais clubes do país (47) e o maior saldo positivo do futebol brasileiro (+18). Também lidera o número total de intervenções do VAR.
Os números desta edição do Brasileirão seguem na mesma direção. O Palmeiras é a 5ª equipe que mais precisa cometer faltas para receber um cartão amarelo (6,72 faltas por advertência), enquanto seus adversários figuram entre os que mais recebem cartões amarelos e vermelhos ao enfrentá-lo.
Nenhum dado, isoladamente, comprova favorecimento. Mas estatísticas acumuladas ao longo de sete temporadas ajudam a explicar por que esse debate não acaba e segue sendo pauta de todos os envolvidos com o futebol.
Também merece reflexão o comportamento adotado dentro e fora de campo. Tornou-se frequente assistir a jogadores e comissões técnicas cercando árbitros, reclamando de forma ostensiva e se colocando na condição de vítimas mesmo após faltas evidentes ou até mesmo um simples lateral. Uma ação estudada e coordenada.
É importante reconhecer os investimentos realizados pela CBF e os avanços promovidos pela Comissão de Arbitragem, com treinamentos, divulgação dos áudios do VAR e implementação de novas tecnologias. No entanto, não são elas que executam as regras que, eventualmente, acabam decidindo jogos. Na partida entre Vitória e Palmeiras, por exemplo, as decisões foram tomadas por Alex Gomes Stefano, em campo, e Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, no VAR.
São os árbitros que interpretam os lances, aplicam as regras e tomam decisões capazes de alterar tabelas, influenciar disputas por títulos, vagas e rebaixamentos. Por isso, também precisam ser responsabilizados quando cometem erros graves, quando são passivos em relação à pressão até mesmo em cobranças de lateral, e quando não coíbem o mau comportamento sistemático, como determinam as regras. A Copa do Mundo, recentemente, mostrou o caminho; árbitros e atletas que lá estiveram, muitos deles jogando no Brasil, lá, atuaram de acordo com a regra do ‘jogo limpo’, e deveriam fazer o mesmo aqui.
O futebol brasileiro precisa voltar a discutir mais o jogo do que a arbitragem. Isso só será possível quando os árbitros adotarem critérios claros e deixarem de premiar equipes que utilizem a pressão durante todo o jogo como estratégia. As regras devem ser cumpridas, por todos, inclusive pelos árbitros.
O futebol é paixão e um grande negócio. Por isso, precisa de confiabilidade por quem é incumbido de cumprir as regras do jogo.”
