A Polícia Civil de São Paulo, através da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), confirmou que as investigações já estão em andamento. O acusado não se manifestou até o momento.
"Diligências estão a ser realizadas para o total esclarecimento dos factos", informou o órgão.
Alegações de perseguição e intimidação
Além da violência sexual, a defesa da funcionária, que ocupa o cargo de chefia na área de controlo de acesso no período noturno, aponta um quadro de assédio moral sistemático. A advogada Camila Gonsalez afirma que sua cliente passou a ser alvo de perseguição profissional e ataques à sua honra após os episódios.
Para a defesa, a conduta de David Prado Nunes configura uma tentativa de intimidação dentro do ambiente de trabalho, dificultando a rotina da colaboradora. Em entrevista ao Sportinsider, a advogada detalhou que a situação agravou-se pela suposta falta de apoio do clube.
Cúpula do Timão sob suspeita de omissão
Uma notificação extrajudicial enviada ao departamento jurídico do Corinthians em 5 de março detalha as tentativas da funcionária em procurar ajuda interna, que teriam sido ignoradas ou minimizadas. A acusação é de que o setor de Recursos Humanos e a direção administrativa do Corinthians teriam agido para desestimular a queixa oficial.
De acordo com Camila Gonsalez, o RH teria afirmado que o canal de denúncias era "meramente institucional" e que o relato da funcionária seria apenas "mais um em um milhão", sem garantias de apuração efetiva.
A defesa citou nominalmente Fábio Soares, diretor administrativo do clube, acusando-o de ser condescendente com as atitudes de David Prado Nunes e de atuar na proteção do segurança. Na notificação, a vítima exige medidas urgentes, tanto contra o suposto agressor quanto contra os gestores por "atitudes omissivas".
O posicionamento do Corinthians
O Corinthians informou, em nota oficial, que já abriu uma investigação interna para apurar os factos. O clube defendeu a eficácia dos seus processos internos, afirmando que "disponibiliza aos seus funcionários um canal direto e seguro para o registo de denúncias relacionadas a qualquer tipo de conduta inadequada".
O comunicado reforça ainda que o Timão trata relatos dessa natureza com "absoluta seriedade" e que todas as ocorrências são analisadas com responsabilidade, garantindo o devido processo de investigação. Enquanto a investigação interna corre no Parque São Jorge, a Polícia Civil segue com o inquérito para determinar as responsabilidades criminais dos envolvidos.
