Longe das luzes da ribalta na América do Sul, e até mesmo a debater-se durante algumas épocas na segunda divisão do Brasil, a equipa tornada famosa pelo lendário Garrincha nas décadas de 1950 e 1960 voltou a voar depois de o magnata norte-americano a ter comprado em março de 2022.
No ano passado, quase conquistou o título da liga, que não ganhava desde 1995, e esta época tem uma dupla histórica: está a lutar pela liderança do Brasileirão com o Palmeiras a três jornadas do fim e, no sábado, jogará a sua primeira final da Libertadores contra o Atlético Mineiro em Buenos Aires.
Os milhões de Textor chegaram a um Brasil cujo futebol tem sido historicamente cauteloso com os estrangeiros, mas que se abriu ao capital estrangeiro graças ao surgimento das Sociedades Anónimas de Futebol (SAF) - as SAD, em Portugal - em 2021.
A empresa prometeu investir 70 milhões de dólares, ao câmbio atual, até 2025, em troca de uma participação de 90% no Fogão, um clube tradicional do Rio de Janeiro com poucos troféus no palmarés e que, na altura, estava à beira da falência.
Alegações polémicas
Desde então, tornou-se o rosto do triunfo da SAF, mas também sinónimo de polémica, na sequência de declarações altissonantes e de várias alegações de corrupção no futebol brasileiro, incluindo acusações não comprovadas de viciação de resultados.
As suas acusações colocam-no sob a mira da justiça civil e desportiva, que já o multou e ordenou o seu afastamento sumário do cargo, além de antagonizar vários dirigentes de equipas rivais.
"Ele é um fanfarrão", disse a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, em abril, em resposta à alegação de Textor de que o Verdão tinha beneficiado de uma suposta fraude para arrebatar o título de 2023 ao Botafogo, que os cariocas perderam de forma incomum ao ceder uma vantagem de 13 pontos.
Nascido no Missouri há 59 anos, o magnata desembarcou no mundo do futebol ao adquirir parte do inglês Crystal Palace em 2021. Depois, como chefe do fundo multi-clubes Eagle Football, alargou o seu domínio comprando o Botafogo, o clube belga Molenbeek e o Olympique Lyon, no qual enfrenta atualmente uma sanção em França devido ao elevado endividamento.
"Guru dos efeitos visuais"
De acordo com o Wall Street Journal, o empresário investiu cerca de mil milhões de dólares para construir o seu império do futebol, no qual os brasileiros são até agora a única jóia da coroa. A sua ideia, disse ele, é ter um "ecossistema de clubes de topo que trabalhem realmente em conjunto".
"Ele não é um tipo que veio para vender nossos jogadores e depois ir embora. Este é o projeto de vida dele. Ele diz sempre que isso (o Botafogo) vai ser a herança que vai deixar para os filhos", disse o ex-presidente alvinegro Durcesio Mello ao programa 2023 , da ESPN.
A sua vida não foi alheia ao desporto, ao qual está ligado desde muito novo. Na adolescência, foi skater profissional, mas a sua carreira foi interrompida por uma lesão grave.
Antes de se dedicar ao futebol, um negócio a que outros milionários americanos aderiram recentemente, Textor fez nome no mundo glamoroso e competitivo de Hollywood como co-presidente da Digital Domain.
Com sede em Los Angeles, a empresa, que dirigiu entre 2006 e 2012, é famosa por criar os efeitos especiais de filmes como Titanic, que lhe valeu um Óscar em 1998, Transformers, Piratas das Caraíbas e O Curioso Caso de Benjamin Button.
O trabalho valeu-lhe a alcunha de "guru" dos efeitos visuais, um apelido reforçado pela mestria de outra das suas empresas, que criou os hologramas dos falecidos artistas americanos Tupac Shakur e Michael Jackson recorrendo à inteligência artificial.
