Lucho Acosta: o protagonista de um Fluminense que sonha alto no Brasileirão

Lucho comemora gol contra o Botafogo no Brasileirão 2026
Lucho comemora gol contra o Botafogo no Brasileirão 2026Marcelo Gonçalves/Fluminense FC

“Eu avisei” É o que os fãs da MLS podem dizer sobre Luciano Acosta, ou Lucho, como é apelidado. Pouco conhecido do público brasileiro até o ano passado e contratado pelo Fluminense como uma aposta, o argentino já era protagonista na liga norte-americana, especialmente no Cincinnati, onde foi eleito MVP em 2023, e, mais recentemente, no FC Dallas. Também jogou pelo DC United entre 2016 e 2019, onde era parceiro de Wayne Rooney.

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Nascido em Rosário, Lucho fez a formação no Boca Juniors. Em 2014, estreou-se como profissional do clube xeneize e herdou a lendária camisola 10 de Juan Román Riquelme - um sinal do que estava por vir.

O impacto no futebol brasileiro foi imediato. Quando chegou às Laranjeiras, o Fluminense ainda era treinado por Renato Gaúcho, que tinha um meio-campo estabelecido com Hércules, Martinelli e Nonato. Com o treinador brasileiro, foi titular em apenas três partidas - duas delas quando os principais jogadores foram poupados. Com a chegada de Luis Zubeldía, foi imediatamente promovido e, com seus 1,60 metros, transformou-se num gigante do meio-campo tricolor.

Disputou todas as partidas sob o comando de Zubeldía em 2025 como titular, com exceção do duelo contra o Ceará, no Castelão, quando estava suspenso por acumulação de cartões, e da partida contra o Palmeiras, no Allianz, após sentir um incómodo no jogo anterior. A equipa técnica optou por não arriscá-lo no relvado sintético. 

Em 2025, além de contribuir para a arrancada do Fluminense, que levou o time à quinta posição e à vaga direta na fase de grupos da Libertadores, Lucho teve seis participações diretas em golos. Foram 23 jogos ao todo.

Números que impressionam

Na temporada atual, com sete jogos a menos, já superou essa marca: são oito participações em golos. Balançou as redes três vezes e ainda distribuiu cinco assistências. No Brasileirão, são seis participações, o que o coloca como o segundo jogador que mais contribuiu diretamente para golos nas oito primeiras rodadas do campeonato, ao lado Danilo (Botafogo) e Carlos Vinicius (Grémio).

Lucho Acosta é o grande cérebro do conjunto de Luis Zubeldia. Em todos os jogos deixa sempre alguém na cara do treinador. E são os números que mostram isso. O argentino lidera o Brasileirão em chances criadas. São 22 ao todo. Além disso, são 3,3 oportunidades criadas em média a cada 90 minutos, um índice excelente. 

Números de Lucho Acosta no Brasileirão 2026 (médias a cada 90 minutos)
Números de Lucho Acosta no Brasileirão 2026 (médias a cada 90 minutos)Opta by Stats Perform

Mas não para por aí. Quando não está a servir os companheiros, é ele mesmo quem pisa na área para finalizar. Lucho, embora se movimente por todo o campo, tem como característica a chegada à zona de definição.

É o médio com mais toques na área adversária no Brasileirão: são 29 ao todo, média de 4,4 a cada 90 minutos.

Chegado à área, remata mais. É o terceiro médio com mais finalizações no campeonato, com 17, e o segundo com mais disparos enquadradso, com sete.

Quando balança a rede, muitas vezes são golaços, como contra o Flamengo, em 2025, e diante do Botafogo no atual Brasileirão. Contra o Athletico-PR, quase marcou um golaço ao driblar três marcadores, parando no guada-redes Santos.

Lucho tem, nas oito primeiras jornadas do Brasileirão, uma nota Flashscore média impressionante de 7,81. Em quatro partidas teve nota acima de 8,0 e em duas oportunidades teve a melhor avaliação em campo. 

Mapa de toques de Lucho Acosta no Brasileirão 2026
Mapa de toques de Lucho Acosta no Brasileirão 2026Opta by Stats Perform

Uma nova dupla se forma

Se sozinho o médio já vinha sendo protagonista, ao ganhar a companhia do venezuelano Savarino entre os titulares, na quinta jornada, o ataque do Fluminense virou uma verdadeira poesia de Jorge Luis Borges.

Nascia a dupla “Savalucho”, como foi batizada pela claque. Até então, nos quatro jogos anteriores, o Fluminense havia marcado cinco golos, média de 1,25 por partida. Nas quatro partidas seguintes, o tricolor das laranjeiras balançou a rede oito vezes, média de dois golos por jogo. Desses, cinco tiveram assistência de um dos protagonistas da dupla.

Com Zubeldía e Lucho, o Fluminense venceu todos os jogos como anfitrião no Brasileirão e defende uma sequência de 13 vitórias consecutivas em casa no campeonato. No geral, com o técnico argentino, a equipa tem um aproveitamento de 93,3% em casa. A última derrota foi em setembro, ainda sob o comando de Renato, contra o Corinthians, mesmo adversário desta quarta-feira.

Aliás, o Fluminense não vence o Timão em casa desde 2022, no jogo que marcou o último golo da carreira de Fred. Desde então, são três empates e um triunfo do alvinegro.

Da para sonhar com o penta?

A influência de Lucho Acosta é enorme no desempenho no campeonato até aqui. O Fluminense ocupa a quarta posição, com 16 pontos - o que pode ser uma grande notícia para o adepto tricolor. Nas duas últimas vezes em que alcançou essa pontuação nos primeiros oito jogos, o clube foi campeão brasileiro: em 2012 e 2010.

A data FIFA chegou num ótimo momento para o Fluminense e para Acosta. Na vitória contra o Atlético-MG, teve sua segunda menor nota Flashscore no campeonato e deu claros sinais de cansaço. Com o tempo para recuperação e descanso, o argentino pôde se preparar para a maratona de 18 jogos em 60 dias que a equipa terá até a pausa para o Mundial, período em que será fundamental.

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