Acompanhe o Vasco no Flashscore
Treze meses depois de trocar Portugal pelo Brasil, Nuno Moreira vive um dos momentos mais bonitos da carreira a vários níveis.
Ao serviço do histórico Vasco da Gama, o extremo português tem pautado o seu percurso pela regularidade, afirmando-se como uma das peças mais influentes do emblema carioca e somando elogios públicos de figuras como Philippe Coutinho.
Entre a intensidade do futebol brasileiro, a adaptação à “cidade maravilhosa” que é o Rio de Janeiro e o sonho crescente de chegar à Seleção Nacional, Nuno Moreira não esconde a felicidade, numa entrevista exclusiva ao Flashscore.
O desafio no Vasco e os elogios de Coutinho: "É um privilégio"
- Já passaram 13 meses desde que chegou ao Vasco. Que balanço faz deste primeiro capítulo no Brasil?
Tem sido um período muito bom e proveitoso para mim. Atuar num clube gigante como o Vasco é um privilégio, tenho crescido cada vez mais como profissional. Morar no Rio de Janeiro também é uma experiência única, é uma das cidades mais lindas do planeta e sinto-me muito bem por aqui.

- No último ano jogou praticamente 80 jogos, com 20 golos e 12 assistências. Como é que explica esta consistência num calendário tão exigente?
Eu trabalho muito no dia a dia, dedico-me ao meu físico e acho que esse foi um dos motivos que me permitiu jogar num alto nível numa sequência tão grande de jogos, sem descanso. Graças a Deus esse trabalho pôde render bons frutos, o que mostra que estou no caminho certo. Claro que descanso é importante, mas estou pronto para jogar sempre que precisarem de mim.
- Sentiu que deu um salto competitivo desde que chegou ao Vasco? Em que aspetos evoluiu mais?
Acredito que jogar numa liga tão competitiva como o campeonato brasileiro ajuda no crescimento de qualquer jogador. Aqui a exigência é máxima, o calendário exige muito dos jogadores, então isso contribuiu para que o atleta esteja sempre na sua melhor forma. Hoje sinto-me mais maduro, mais preparado e com certeza na melhor versão da minha carreira até ao momento.
- O treinador Fernando Diniz disse que foi 'um dos jogadores mais inteligentes' com quem trabalhou. E o Philippe Coutinho chegou a escrever que o Nuno era 'o melhor português em atividade'. Como reage ao ouvir este tipo de elogios?
Fico muito lisonjeado porque são profissionais do mais alto nível. O Diniz é um grande treinador, um ótimo profissional, enquanto o Coutinho é um grande ídolo para mim, com certeza um dos melhores companheiros de equipa que já tive. Receber esses elogios deixa-me muito feliz e certo de que sigo no caminho certo, com muito trabalho diário.

"Renato Gaúcho tem sido ótimo para a equipa e tem-nos dado confiança"
- Que clube é o Vasco e como se sente a vestir essa camisola?
O Vasco é um clube gigante no Brasil, um dos mais populares, com uma torcida especial. Como eu disse anteriormente, é um grande privilégio vestir esta camisola que grandes craques na história puderam também vesti-la. A responsabilidade de atuar numa instituição como essa é muito grande, mas sinto-me à vontade, principalmente com todo o carinho que tenho vindo a receber dos adeptos.
- Agora com o mister Renato Gaúcho: o que mudou no seu papel na equipa e até onde podem ir? Que tipo de jogador é hoje o Nuno Moreira?
O Renato tem sido ótimo para a equipa e tem-nos dado confiança para jogarmos da melhor forma. Os resultados estão a ser excelentes, isso é o mais importante. Continuo a jogar pelos corredores do campo, por vezes vezes pela direita, por vezes pela esquerda, mas com liberdade para 'flutuar'. Sinto-me à vontade dessa forma, mas o mais importante é a equipa estar a vencer as partidas.
- Como tem sido viver no Rio de Janeiro? O que mais o marcou dentro e fora de campo?
O Rio de Janeiro é realmente uma 'cidade maravilhosa', como dizem por aqui. Têm sido meses incríveis a viver na cidade, tenho aproveitado ao máximo junto da Inês (namorada). Claro que sair de Portugal para o outro lado do planeta, ficar longe de casa, é muito difícil. Mas tudo se facilita pelo carinho que tenho vindo a receber dos adeptos, tanto dentro de campo como nas ruas. Todo esse amor recebido é muito marcante para mim e para a minha família.
- Falou várias vezes da intensidade do futebol brasileiro. É mesmo assim tão diferente do futebol europeu?
O futebol brasileiro é intenso, mas sobretudo técnico. A liga é muito competitiva e jogadores melhores tecnicamente sobressaem-se. Existe essa diferença de estilos sim com o futebol europeu, mas aqui tem um nível muito alto.
- Já teve a oportunidade de conhecer o Romário, um dos seus ídolos. Como foi esse momento?
Romário é um grande ídolo pessoal, não só para mim, mas para todos os que gostam de futebol. É uma figura histórica, vencedora por onde passou, sobretudo no Vasco, onde se tornou uma das maiores lendas do clube. A prova disso é a estátua erguida atrás de uma das balizas de São Januário, reflexo da enorme idolatria que o rodeia. Foi, sem dúvida, um momento marcante e especial na minha vida.

O sonho chamado seleção: "Fico feliz por estar a chamar a atenção do selecionador"
- Antes de ir para o Vasco, houve possibilidade de ficar em Portugal ou dar o salto para um grande do futebol português?
Na altura não houve nenhuma proposta dos três grandes de Portugal, então decidi arriscar o meu futuro fora. Quando surgiu o Vasco fiquei muito contente, pois sabia que era um grande do Brasil e esse era o meu grande objetivo.

- O selecionador Roberto Martínez disse recentemente que tem acompanhado a sua evolução. Sente que está mais próximo da Seleção?
Fico feliz por estar a chamar a atenção do selecionador. Claro que é um grande sonho vestir a camisola de Portugal, algo que almejo desde pequeno. Eu continuo a fazer o meu trabalho e a procurar evoluir, com muito foco e determinação e, se for da vontade de Deus, espero conseguir jogar por Portugal um dia.
- A chamada à Seleção A é um objetivo claro para si neste momento?
Representar o seu país é o sonho de qualquer jogador e, naturalmente, também o meu. O mais importante é continuar a trabalhar diariamente e a evoluir no Vasco, com boas exibições, para me aproximar cada vez mais da Seleção. É um grande objetivo que, se Deus quiser, espero concretizar um dia.

Do Sporting ao Vizela e Casa Pia: "É difícil sair e recomeçar num outro lugar"
- Fez toda a formação no Sporting. Como foi ter de sair e recomeçar fora desse contexto? O que é que essas experiências no Casa Pia e Vizela lhe deram enquanto jogador e pessoa?
O Sporting é um clube enorme, que me ajudou muito no meu período de formação. É difícil sair e recomeçar num outro lugar, mas sempre encarei da melhor forma possível. O Vizela e o Casa Pia foram lugares que me possibilitaram ter tempo de jogo e crescer enquanto atleta, então sou muito grato. Consegui ter frequência de jogo, evoluir em diversos aspetos. Com certeza foi um período fundamental para que eu chegasse onde estou hoje.
- Como encara o futuro?
Eu deixo o meu futuro nas mãos de Deus. Estou muito feliz no Vasco, contente por ter bastante tempo de jogo, vivo muito bem no Rio de Janeiro. Tenho um grande objetivo que é ser campeão pelo Vasco da Gama e espero cumpri-lo já nesta temporada. Continuo a trabalhar, dia após dia, com a certeza que o melhor está por vir.
- Se o futebol fosse uma pessoa, o que é que lhe diria hoje?
Agradeceria. O futebol tornou-me um uma pessoa melhor, um amigo melhor, um filho melhor. Fez de mim o que sou hoje, mudou a minha vida e da minha família e sou grato ao futebol por puder viver para ele.
- No dia em que terminar a carreira, que resposta gostava que dessem à pergunta: 'Quem foi o Nuno Moreira?'
Gostaria que as pessoas me lembrassem como um jogador de equipa, um colega sempre pronto para ajudar, alguém que entende o jogo e que gosta de ajudar os outros em tudo o que está ao seu alcance.
