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Cuiabá responde ao presidente do Santos: "A primeira forma de respeito é pagar"

Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá
Cristiano Dresch, presidente do CuiabáAssCom Dourado/Divulgação

O Cuiabá divulgou uma nota oficial na sexta-feira para rebater as declarações do presidente do Santos, Marcelo Teixeira, no meio da troca de farpas entre os clubes por uma dívida de 18,6 milhões de reais (cerca de 3,2 milhões de euros) a envolver a negociação do defesa Joaquim.

Mais cedo, o dirigente santista tinha chamado o presidente do clube mato-grossense, Cristiano Dresch, de "desqualificado" e "irresponsável" após as cobranças públicas pelo pagamento dos valores.

No comunicado, o Cuiabá criticou a postura de Teixeira e reforçou que o Santos foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF a pagar 18.616.377,46 de reais pela negociação do defesa. O clube paulista ainda pode recorrer da decisão.

A dívida está relacionada à contratação de Joaquim, em 2023, e à participação do Cuiabá na transferência do jogador para o Tigres, do México. O clube mato-grossense afirma que o Santos pagou apenas uma das cinco parcelas acordadas.

A nota também rebateu as referências de Teixeira à tradição do Cuiabá e à posição do clube no futebol brasileiro. A equipa lembrou que o próprio Santos disputou a Série B em 2024 e argumentou que a divisão de um clube não determina a honra dos seus dirigentes.

O comunicado ainda destacou que o Cuiabá pagou recentemente uma dívida de cerca de 5,5 milhões de reais relacionada ao caso Petit, junto da FIFA, e encerrou a manifestação a exigir que o Santos cumpra as suas obrigações financeiras.

Veja o comunicado na íntegra: 

"O Cuiabá Esporte Clube SAF tomou conhecimento das declarações do presidente do Santos Futebol Clube, Marcelo Teixeira, que chamou "desqualificado" e "irresponsável" ao presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch. Teixeira também sugeriu que talvez seja por isso que o Cuiabá está onde está, "com todo o respeito pela tradição de um clube como este".

Nesta semana, o Cuiabá liquidou integralmente a condenação imposta pela FIFA no caso Petit, de cerca de 5,5 milhões de reais, com recursos próprios e com o esforço dos seus acionistas. Hoje, recebeu adjetivos ofensivos do presidente de um clube condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a pagar 18.616.377,46 reais ao Cuiabá, pela transferência do defesa-central Joaquim.

Há uma inversão de valores quando quem deve se sente à vontade para adjetivar quem cobra. Cobrar publicamente um crédito reconhecido pela CNRD não é falta de respeito entre clubes congéneres. Entre clubes congéneres, a primeira forma de respeito é pagar o que se deve.

Quanto à Série B: a divisão em que um clube joga não mede a honra de quem o dirige. O próprio Santos disputou a Série B em 2024, no primeiro ano da atual direção. Fundado em 2001, o Cuiabá ainda está a construir a sua tradição. Chegou à elite em 2021, disputou quatro edições consecutivas da Série A e ergueu, com recursos próprios, um dos centros de estágio mais modernos do país. Voltará pelo caminho do relvado, honrando os seus compromissos, mesmo quando isso custa caro, como custou ontem.

A direção do Santos, por sua vez, tem sido notícia por outros números. Recentemente, o clube atingiu 7 transfer bans ativos na FIFA. Três deles envolvem o mecanismo de solidariedade, isto é, valores devidos a clubes que formaram atletas. Há ainda uma sanção por dívidas ao ex-treinador do Santos e à sua equipa técnica, uma obrigação da mesma natureza daquela que o Cuiabá acaba de liquidar. Continuar a contratar para a Série A enquanto os credores esperam não é mérito desportivo: é um custo transferido para quem cumpre os contratos.

O Cuiabá não responderá a adjetivos com adjetivos. As declarações dirigidas ao presidente do clube serão analisadas pelos seus advogados. Os adjetivos não liquidam dívidas. O clube continuará a cobrar, nas instâncias competentes, cada real que lhe é devido, e espera do Santos não uma opinião sobre a gestão do Cuiabá, mas sim a data do pagamento.

Com todo o respeito pela tradição de um clube como este".

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