Nascido na Toscana, Zaniolo formou-se nas camadas jovens da Fiorentina, tendo sido dispensado antes de ser contratado pelo Inter Milão em 2017. Contudo, foi após a mudança para sul, para a AS Roma em 2018, que o médio ofensivo teve a sua grande afirmação. Acabou por somar quase 100 jogos na Serie A pelos romanos antes de ser transferido para o Galatasaray em 2023.
A mudança para Istambul nunca resultou verdadeiramente e, desde então, Zaniolo passou por empréstimos no Aston Villa, Atalanta, Fiorentina e agora Udinese, onde ficará até ao final da época. Após algumas temporadas irregulares, a passagem por Udine tem sido a mais produtiva de Zaniolo nos últimos anos, já contando com cinco golos na Serie A em 2025/26.
Em entrevista ao Flashscore, Zaniolo explicou porque é que a mudança para a Udinese foi tão benéfica para si e quais os objetivos que tem para o futuro, incluindo a ambição de voltar a representar Itália.
- Nicolo, bem-vindo. Obrigado pelo seu tempo. Antes de mais, já jogou em Roma, Istambul e agora em Udine. Qual é a diferença? Porque, obviamente, estas cidades são megalópoles cheias de vida e Udine é pequena e tranquila. Como lida com essa mudança?
- Sim, tem razão. Ao longo da minha carreira, visitei e joguei por muitas equipas grandes em cidades enormes. Mas penso que, neste momento, Udine é o sítio certo para mostrar o meu melhor. Para crescer como homem, como pessoa e como jogador.
Desde que cheguei aqui, sinto que este é o meu lugar. Porque nasci numa cidade pequena como Udine, La Spezia. O meu habitat é mesmo este. É natural, para mim, viver numa cidade pequena, sem distrações, e focar-me apenas em jogar futebol.
- Durante alguns anos, surgiram histórias sobre si, vindas do facto de jogar em grandes cidades e grandes clubes. A possibilidade de se focar apenas no futebol é o melhor para si neste momento?
- Sim, descreveu bem. Acho que todos os jogadores, em qualquer fase do jogo, têm de estar concentrados porque o futebol não é só o relvado. Diria que 70% é a vida fora do campo. Manter a calma com a família, com os amigos, com as pessoas certas.
Em Udine, descobri isso. Estou muito feliz por estar aqui e jogar pela Udinese. É um grande clube, sólido em Itália. Não podia ter feito melhor escolha do que vir para aqui.
- Vê este empréstimo como um regresso a casa? Sente que está a jogar para provar aos adeptos italianos que ainda pode estar ao mais alto nível? Porque foi visto como uma grande promessa do futebol italiano, mas os últimos anos não correram como esperado. Está a recuperar agora?
- Sim, sinto isso. Acho que na carreira de um futebolista há altos e baixos. No meu passado, tive duas lesões muito graves no joelho. Foi complicado, porque quando se sofre a primeira rotura no joelho, é a primeira vez. Quando se sofre a segunda, é estranho e difícil.
Nisso, descobri quem eram as pessoas verdadeiras à minha volta, que ficaram comigo e me ajudaram dentro e fora do campo. Agora estou a jogar bem e estou a voltar ao meu nível. Quero continuar assim. É o caminho certo.

- Como responde aos críticos que dizem que ainda não atingiu o seu potencial máximo, sem terem em conta que está a regressar de lesões graves?
- Todos os jogadores sentem alguma pressão. Quando se joga futebol, há pressão em todos os jogos para estar concentrado e jogar bem. É difícil mostrar todo o potencial em todos os domingos. Mas agora percebo que o mais importante é manter o foco, guardar o sonho e o objetivo na cabeça. Estou no bom caminho e não quero parar.
- Qual é a coisa mais incompreendida sobre Nicolo Zaniolo até agora? Parece que atraiu sempre histórias da imprensa ao longo da carreira. Há algo que gostaria que o público visse de forma diferente?
- Bem, acho que na minha vida cometi erros e reconheço isso. Mas os erros ficaram no passado. Agora há um presente e um futuro para viver. Quero continuar a mostrar a minha qualidade e ter uma boa relação com todos. Sinto-me muito mais homem agora.
No passado, era um pouco imaturo e distraía-me facilmente. Agora tenho dois filhos, uma mulher e uma família. Evoluí. É uma responsabilidade. Já não posso cometer erros, nem pela minha família, nem por mim. Não mais.

- Alguma vez pensou que, nos antigos clubes, especialmente na AS Roma, existiram mal-entendidos entre si e o clube? Olhando para trás, sente que os clubes criaram uma imagem errada sobre si?
- Não, não penso isso. Acho que o passado é passado. Adoro Roma porque a minha mulher é de Roma, o meu primeiro filho é de Roma e adoro a cidade. Deram-me muito carinho. Na vida, todas as histórias têm um fim. Não tenho arrependimentos.
Espero que no futuro as coisas corram melhor. Quero viver em Roma no futuro porque a minha mulher quer viver lá. Não tenho nada contra o clube nem contra os adeptos. Vou apoiá-los sempre.
- Vê-se a regressar ao clube um dia?
- Bem, no futebol nunca se sabe o que pode acontecer, mas agora estou focado na Udinese. Estou focado em alcançar o meu sonho e o nosso sonho.
- Qual é o seu grande objetivo neste momento?
Neste momento, é continuar assim, jogar bem, ajudar e apoiar a equipa, seguir o treinador e o presidente que trabalham para este clube fantástico. E o meu grande sonho é jogar o Mundial pela Itália. Este é um dos meus maiores objetivos e sonhos.
- Já houve alguma conversa com Gennaro Gattuso, o selecionador de Itália?
- Ainda não, mas sei que ele acompanha todos. O Mundial é muito importante para cada país e para cada jogador. É importante garantir a qualificação. Em março, temos dois jogos muito importantes. Sei que, se jogar bem, talvez possa ser chamado. Acredito nisso. Ainda não falei com ele, mas sei que nos segue todos os domingos.
- Uma última questão. Reparei que, durante o jogo frente à Fiorentina – parabéns pela vitória por 3-0, já agora – jogou como uma espécie de segundo avançado, com muita liberdade. Foi uma posição diferente da que ocupou noutros clubes. Esta função é a melhor para si?
- Sim, penso que é uma posição onde posso mostrar a minha capacidade. Sou um jogador que gosta de liberdade, de ter a bola, de ajudar a equipa, de correr, de defender e de atacar. Ter espaço para conduzir a bola com a baliza à frente é uma das minhas melhores qualidades. O treinador percebe isso e estou muito feliz por jogar para ele e para a equipa."
- Nicolo, obrigado
- Obrigado.
