Depois de uma primeira parte da conversa (leia aqui) em que o então médio e agora treinador recordou a passagem pelo Real Madrid e figuras como Johan Cruyff ou Pep Guardiola, neste artigo centra-se noutros temas e, por exemplo, assume a enorme admiração que sente pelo seu compatriota Luka Modric.
- O que continua Guardiola a fazer melhor do que ninguém nestes anos?
- É um treinador excecional do ponto de vista tático, mas também é preciso ter sorte para apanhar o melhor Barcelona, o melhor Bayern, o melhor Manchester City... Ele está talhado para estas equipas. Éramos muito bons amigos, é um tipo que só fala de futebol e só se interessa por futebol, e é impressionante o que conseguiu com todas as suas equipas.
- Continuam em contacto atualmente?
- Não, sabes como é, a vida passa a correr. Andas de um lado para o outro e temos pouco tempo. Sigo todos os jogos dele e acompanho o Manchester City. O ano passado teve uma má fase, mas acredito que vai voltar a fazer algo especial.
- Falemos de Hansi Flick. Alguma vez imaginou um treinador alemão a comandar o Barça e com esse estilo?
- Não, nunca pensei nisso. É um tipo impressionante e simpático, e dou-me muito bem com ele. Nota-se que é um grande treinador. Esteve na seleção, no Bayern... O Barcelona precisa desse tipo de futebol. O que aconteceu nas meias-finais foi uma questão de sorte. A final contra o PSG teria sido incrível.
"Chapeau" para Modric
- Gostava que falássemos de Peter Dubovský, que foi uma estrela eslovaca no seu tempo.
Joguei com ele no Real Madrid, não no Oviedo. Era uma pessoa extraordinária e toda a gente gostava dele. Era muito tranquilo. Fiquei mesmo muito triste com o que aconteceu. Não sei o que mais te dizer. Dei-me muito bem com ele, íamos tomar café e almoçar juntos. Era um tipo espetacular.
- Siniša Mihajlović também faleceu. Como o recorda e como era?
Era muito bom com os amigos e com a família. Estive com ele na seleção e um ano no Estrela Vermelha, com quem conquistámos a Liga dos Campeões. Marcou grandes golos de livre em Itália pelo Inter, depois foi treinador... Era uma pessoa positiva e acreditava sempre que a doença não era nada de grave. Já passaram três anos. Era um excelente rapaz.
- Vamos até Inglaterra e ao Portsmouth. Como era Harry Redknapp a gerir o grupo?
- Estive um ano com ele e foi incrível. Dava-me muita liberdade. Era diferente de todos os outros. Lá só se fala de futebol. Não quis ficar mais tempo porque o meu pai estava muito doente. Guardo ótimas recordações. Estive lá há pouco tempo e as pessoas ainda se lembram. Cruzei-me com o Peter Crouch, que era muito afável. Agora tem uma rádio onde fala de tudo com muito humor. Tinha dois metros e jogava muito bem futebol.
- Temos de falar de Luka Modric, que assinou pelo AC Milan.
- É especial, tem 40 anos e continua a jogar futebol ao mais alto nível. Tantos anos no Real Madrid, agora no Milan, ainda com a seleção... Foi segundo e terceiro no Mundial com um país de quatro milhões ou três milhões e meio de habitantes. Não é normal. Fisicamente, o que te posso dizer? É incrível conseguir aguentar tanto tempo a este nível, não em ligas de brincadeira. Só ele consegue fazer isso. Foi para Itália pela sua mentalidade, para conquistar a liga lá. E vai estar no Mundial. Chapéu.
O onze ideal, com Guardiola ou Buyo
- No Inter está Petar Sucic. Até onde acha que pode chegar?
Veio da Bósnia e Herzegovina e teve uma grande passagem pelo Dínamo de Zagreb. Nota-se que tem imenso talento, trabalha para a equipa, tem uma mentalidade impressionante e sabe jogar. Espero que faça uma carreira como a do Brozovic (em termos de percurso na Serie A). Provavelmente não tem o nível do Luka, mas está lá e certamente pode jogar a um nível elevado.
- Como vê o Edin Dzeko?
Lá está ele com 39 anos, agora na Fiorentina, que não está a atravessar um bom momento. É um goleador nato, com mais de 50 golos em cada liga onde jogou. Manchester City, Roma, Inter... Impressionante. Com 1,90 metros e tal, muito alto, é tecnicamente bom. É muito importante para a sua seleção, provavelmente o melhor de sempre.
- Teve imensos treinadores. Houve algum que o tenha marcado mais do que os outros?
- Quando me retirei disse que não queria ser treinador, mas depois começa a gostar-se. A minha casa é o futebol. Houve muitos, mas um que me mudou muito foi o Radomir Antic, com quem estive no primeiro ano no Real Madrid. Depois foi para Oviedo e lá ajudou-me bastante. Também há o Johan Cruyff, além do Ljubko Petrov no Estrela Vermelha. No fim, aprende-se algo com cada um. Não é fácil ser treinador. Para mim, o melhor que tive foi o Johan Cruyff.
- Para terminar, gostava que fizéssemos o melhor onze de jogadores contra quem jogou e com quem jogou.
Falo-te dos jogadores com quem joguei: Paco Buyo; Chapi Ferrer, Fernando Hierro, Miguel Nadal, Gordillo; Dejan Savićević, Guardiola, Míchel, Figo; Ronaldo e Vučević.
