Recorde as incidências da partida
Bremer, como capitão, na ausência do titular da braçadeira, Locatelli, não perdeu tempo no final do jogo da derrota caseira da Juventus frente à Lazio para mostrar as suas credenciais, criticando publicamente os companheiros.
"O treinador dá indicações, mas somos nós que vamos para o campo: somos 11 jogadores mais 5 que entram e eu não posso pegar em todos ao colo", disse à Sky.
"Eu chego até certo ponto: há quem tenha mais personalidade e quem tenha menos, há quem ouça os assobios, se esconda e tenha medo, e quem não", acrescentou.
Depois, o brasileiro tentou explicar melhor a ideia: "Há muitos jogadores novos, é algo com que temos de conviver. Não quero apontar o dedo, mas cada um tem a sua personalidade: há quem, quando as coisas correm mal, venha ao de cima e quem, pelo contrário, se esconda".
A crítica a alguns elementos é clara. Na sua opinião, terão demonstrado pouca personalidade e pouco orgulho, conduzindo a Juve a uma derrota terrível. Não que ele próprio tenha sido irrepreensível: o terceiro golo de Dele-Bashiru é disso exemplo em campo. No final do jogo, quando era preciso dar a cara perante os adeptos, pareceu mais "capitão" Vicario, o último a chegar.
Depois da onda de assobios da bancada sul, pediu aos companheiros que fossem também recebê-los à bancada norte, com os restantes - entre eles o próprio Bremer - a segui-lo de má vontade. Depois, refugiaram-se rapidamente no balneário e deixaram-no sozinho. Mais uma imagem emblemática de um grupo pouco unido.

O descontentamento no balneário
Durante a semana, também tinha surgido o desabafo de Francisco Conceicão pela substituição no jogo da Liga Europa contra o Celta de Vigo. O internacional português desvalorizou o episódio, mas a exclusão do onze inicial frente à Lazio pode ser vista como um pequeno castigo pela reação que não agradou ao treinador.
São todos sinais de descontentamento, de uma frustração evidente que se alastra entre as fileiras dos bianconeri. Se há estas brechas no barco, é fácil apontar o dedo ao capitão da tripulação: fica a sensação de que Spalletti perdeu algum controlo da equipa, além de não ter ideias claras sobre como inverter o rumo em campo.
Os erros táticos de Spalletti
A reviravolta frente ao Celta tinha demonstrado claramente, como já se vira noutras ocasiões, que Kolo Muani rende mais quando é acompanhado por outro avançado, como aconteceu com Woltemade. Por isso, esperava-se uma novidade nesse sentido para o duelo com a Lazio. No entanto, fiel ao seu 4-2-3-1, o treinador voltou a deixar o francês sozinho no ataque, à mercê da defesa laziale, exímia na execução da armadilha do fora de jogo.
E, no entanto, o campeonato já tinha mostrado claramente ao treinador de Certaldo que Kolo Muani não é o seu novo Osimeh, mas um avançado de características completamente diferentes, que se expressa melhor quando pode explorar a velocidade pela ala. A dúvida mais inquietante é se também terá existido um mal-entendido técnico na operação de mercado, tendo em conta o valor pago pelo francês. Agora, porém, é preciso fazê-lo render o melhor possível em campo, e o 4-2-3-1 não parece ser o sistema mais indicado.
Na verdade, também não parece ser o sistema mais indicado para o meio-campo, uma vez que Douglas Luiz, como organizador, precisaria de maior proteção, mas também de poder combinar tecnicamente com os companheiros de sector. Um meio-campo a três, com um médio de chegada e um trinco dinâmico, capaz de recuperar bolas, poderia ser mais adequado. Quanto ao segundo, se Sarr tinha deixado a impressão de poder desempenhar essa função nas outras aparições, ontem revelou limitações técnicas evidentes, que também complicaram o trabalho do brasileiro, mais pausado. A Juve continua sem Thuram no sector, além de Locatelli, mas é difícil acreditar que o regresso de ambos seja suficiente, embora sem dúvida melhore a situação.
As limitações do mercado
Mudar o sistema significaria, porém, pôr em causa toda a estratégia de mercado. Isto porque a Juventus está cheia de segundos avançados, extremos e médios-ofensivos de ala. A linha ofensiva de três jogadores prevê muitas opções, e os bianconeri precaveram-se nesse sentido: Kenan Yildiz (agora lesionado), Jeremie Boga (regressado há pouco), Kerim Aljabegovic, Nico Gonzalez, Francisco Conceição e Edon Zhegrova foram contratados, mantidos ou confirmados precisamente para esse sistema e, pelas suas características, muitos deles não podem desempenhar outra função. Assim, a situação é muito mais intrincada e difícil de resolver do que se poderia pensar: dar a Kolo Muani um parceiro de ataque significaria utilizar outros jogadores fora de posição ou deixá-los simplesmente de fora.
A menos que se encontre uma forma de fazer o francês render o melhor possível neste sistema, as restantes soluções parecem passar mais por alterações durante o jogo. O erro de fundo, embora validado pelo próprio Spalletti, foi a escolha do avançado em torno do qual concentrar o mercado: o treinador queria um ponta de lança de área, forte fisicamente, capaz de lutar corpo a corpo e, sobretudo, de marcar com agressividade quando fosse necessário. Então, por que razão apostou tudo no francês?
Se o mercado de Comolli tinha sido desmentido em campo, o de Carnevali está a seguir o mesmo caminho. A contratação de Lucumi, ontem desastrosa, também está longe de poder ser considerada um sucesso.
O banco técnico treme
No futebol, é normal que, numa situação de crise, o primeiro a pagar seja o treinador. Assim, sobre o técnico de Certaldo, que, de resto, foi renovado por Comolli antes mesmo de se conhecer o resultado em campo, começam a pairar sombras, depois de a zona de acesso à Champions ter ficado por alcançar.
Se a opção mais ameaçadora, por uma questão de ligação afetiva e oportunidade, continua a ser Antonio Conte, é difícil que o treinador de Lecce decida entrar a meio da época, ainda por cima com um mercado que não foi escolhido por si e com jogadores que pouco têm a ver com o seu modelo de jogo. Conte, aliás, parece mais interessado na situação de Manchester, com aquele United que gostaria de devolver à glória.
A Juve continua, porém, a ser a Juve no seu coração. Veremos se isso será suficiente para o convencer. Certo é que os bianconeri precisam agora de não perder terreno para os quatro primeiros lugares e, antes que a situação se agrave, poderá ser necessário mudar de planos.
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