Opinião: Inter de Milão está a provar ser a melhor equipa da Serie A

Lautaro Martínez, capitão do Inter de Milão
Lautaro Martínez, capitão do Inter de MilãoREUTERS

Todos pensámos que o Inter de Milão poderia perder pontos no último fim de semana, que tinha perdido o seu fulgor ou parte da sua confiança, mas, pelo contrário, no jogo mais importante e delicado, frente à Roma de Gian Piero Gasperini, os homens de Cristian Chivu superaram-se e garantiram três pontos com uma exibição extraordinária, das melhores dos últimos tempos, impulsionados em parte pela intensidade com que jogaram.

O encontro, disputado na noite de domingo, precisamente na noite de Páscoa, foi quase de sentido único. Não tanto pelo desenrolar do jogo, já que os giallorossi conseguiram equilibrar frente aos nerazzurri nos primeiros minutos e durante toda a primeira parte, mas sim pelo resultado final. O Inter venceu por 5-2, e a diferença poderia ter sido ainda maior.

A equipa da casa adiantou-se logo nos segundos iniciais, nem sequer tinha passado um minuto, graças a um golo de Lautaro Martinez, assistido por Marcus Thuram, que entrou na área com facilidade. Foi demasiado simples, permitindo a Lautaro rematar sem oposição devido à marcação frouxa de Zeki Celik. A Roma conseguiu empatar a 1-1 numa jogada bem trabalhada pelo corredor, envolvendo Matias Soulé, Devyn Rensch e Luca Mancini, que cabeceou para o fundo da baliza de Yan Sommer.

Nesse momento, a Roma parecia ter o controlo e até capaz de vencer. Contudo, após uma má perda de bola de Bryan Cristante, a equipa foi obrigada a recuar em vez de aproveitar o embalo, e Hakan Çalhanoglu assinou um golo que ficará na memória durante muito tempo. A cerca de 35 metros, o médio turco disparou um remate que só parou no fundo das redes, beneficiando também do facto de Mile Svilar estar demasiado adiantado, talvez sem esperar tal iniciativa.

Inter confirma estatuto de favorito

O verdadeiro colapso da Roma surgiu na segunda parte, quando o Inter assumiu por completo o comando do jogo. Primeiro, Lautaro Martínez bisou, assinalando o seu regresso após longa ausência, e logo depois Thuram marcou na sequência de um canto, um golpe decisivo tendo em conta o contexto. Tudo isto aconteceu em poucos minutos. Entre os 52 e os 55 minutos, a Roma concedeu dois golos, e menos de dez minutos depois permitiu o quinto, apontado por Nicolo Barella.

O resultado foi pesado e talvez exagerado face ao que se passava no relvado, mas é assim o futebol, onde até pequenas distrações são castigadas. Pela Roma, o último a resistir foi Lorenzo Pellegrini, que marcou com um remate de pé esquerdo fora da área e ainda tentou de livre direto, mas o encontro terminou 5-2. Ele é o coração da equipa e voltou a prová-lo, como sempre.

Com este triunfo, o Inter afastou-se de forma clara dos perseguidores, beneficiando também da derrota do AC Milan frente ao Nápoles, e está agora lançado para o Scudetto. Ainda não está matematicamente decidido, mas com sete jornadas por disputar, a vantagem é significativa. Quando se conseguem vitórias tão expressivas frente a equipas do calibre da Roma, torna-se cada vez mais difícil para os adversários manterem o ritmo.

Roma complica acesso ao top quatro

Para a Roma, a luta pelo quarto lugar ficou agora extremamente complicada. Os giallorossi estão atrás do Como e da Juventus, e a qualificação para a Liga dos Campeões já não depende apenas dos seus próprios resultados. Os donos do clube, a família Friedkin, deixaram claro que pretendem reformular o núcleo da equipa, algo que ficou evidente após o jogo, ainda que à porta fechada. Não é a primeira vez que surgem estes sinais.

Em várias ocasiões, a direção optou por decisões populistas para agradar aos adeptos. Gasperini, porém, sabe que o futebol segue outras lógicas e que o sucesso resulta de um caminho mais coerente. As revoluções podem libertar povos e nações, fazem parte da história, mas pouco têm a ver com o relvado.

O treinador voltou a defender o núcleo duro da equipa, nomeadamente Pellegrini, Mancini e Cristante, embora agrupá-los simplifique demasiado, pois cada caso é distinto, sobretudo o do número 7, que continua a escrever a história do clube com golos e assistências.

Gasperini reiterou que a equipa precisa de ser reforçada, não desmantelada, considerando qualquer revolução drástica uma loucura, e tem razão. Faltam ainda sete jornadas, com 21 pontos em disputa. Por mais difícil que pareça, a Roma pode ainda atingir o seu objetivo e garantir a qualificação para a Liga dos Campeões. Para isso, terá de deixar de lado os problemas internos, encontrar união para a reta final da época e confiar em Gian Piero Gasperini, o homem que, mais do que ninguém, sabe construir um projeto vencedor, como já demonstrou em Bérgamo.