Bolonha 0-2 Atalanta

A cura Palladino continua a mostrar efeitos evidentes. Também em Bolonha, a Atalanta confirma que é uma equipa renascida, totalmente integrada na luta pelo acesso à Europa. No Dall'Ara, gelado não só pelas temperaturas mas também pela inércia negativa dos anfitriões, a Dea impôs-se e conquistou três pontos de enorme valor.
O encontro foi decidido por dois rugidos de Nikola Krstović, que regressou aos golos após mais de três meses de jejum e foi o grande protagonista na ausência de Scamacca, que ficou de fora. O bis do montenegrino encaminhou e fechou um jogo dominado pela formação de Bérgamo, que com o 2-0 na Emília-Romanha sobe ao sétimo lugar, ultrapassa precisamente o Bologna e olha com ambição para a zona europeia.
Para os rossoblù, pelo contrário, mais uma noite apagada, que confirma uma fase de queda cada vez mais evidente.
Dea manda no Dall'Ara
No Dall'Ara, o guião da primeira parte era claro e escrito a tinta preta e azul: a Atalanta conquistou espaço, ritmo e confiança, enquanto o Bolonha limitou-se a correr atrás. Ambas começaram com intensidade, mas logo a Dea impôs a sua lei com uma pressão alta e organizada, sufocando desde o início qualquer tentativa de saída curta dos rossoblù. Ederson deu o primeiro sinal com um remate criativo, uma rabona que passou perto do poste após uma excelente assistência de Zalewski. Era o prenúncio de uma primeira parte de sentido único.
A Atalanta circulava a bola com segurança, subia as linhas e obrigava o Bolonha a defender-se junto à sua área. Zappacosta avançava sem parar pela direita, Bernasconi aparecia com precisão pelo lado oposto, enquanto De Ketelaere movimentava-se entre linhas com uma liberdade que desorientava a defesa orientada por Italiano. O Bolonha tentou resistir e apostar no contra-ataque, confiando nas acelerações de Cambiaghi e Orsolini: a melhor oportunidade surgiu para Dallinga, bem servido por Cambiaghi, mas o avançado não conseguiu acertar na baliza, traindo os rossoblù.
Com o passar dos minutos, o domínio da Atalanta tornou-se absoluto. Ahanor ficou perto do golo de cabeça, enquanto todas as segundas bolas acabavam nos pés dos homens de Palladino. Italiano gesticulava no banco, pedia mais sacrifício e maior organização na construção. A solução era tática: Fabbian recuou para a linha defensiva, tentando escapar à pressão e dar algum fôlego à equipa. Mas pouco resultou.
O golo surgiu aos 38 minutos e foi a consequência natural do que se estava a passar no relvado. De Ketelaere acelerou, encontrou o espaço certo e serviu Krstović com precisão. O montenegrino ajustou-se e, com um remate de primeira de pé direito em recuo, bateu Ravaglia, regressando aos golos após 108 dias e silenciando o Dall'Ara.
Era a assinatura numa primeira parte dominada: a Atalanta mostrou-se lúcida, intensa e dona do jogo mesmo sem Scamacca, substituído com autoridade pelo ex-Lecce.
Desmoronamento rossoblù
O segundo tempo começou com um Bolonha renovado nos jogadores e na atitude. Italiano tentou mudar o rumo ao lançar Rowe para o lugar de Orsolini (longe da melhor forma e insuficiente nos primeiros 45 minutos) e pedia maior velocidade na circulação de bola. Nos minutos iniciais, os rossoblù pareciam capazes de subir as linhas, trocavam a bola com mais frequência e tentavam ganhar confiança, mas foi uma ilusão que durou pouco.
A Atalanta manteve-se compacta, esperava pelo momento certo e aproveitou assim que surge a oportunidade. Aos 54 minutos, Bernasconi conduziu um contra-ataque limpo e serviu Krstović, que foi travado em cima da linha pela defesa do Bolonha: era o primeiro aviso. Dallinga continuava a ter dificuldades, perdia mais um duelo e Italiano decidiu mudar o ataque. Immobile aqueceu, entrou para o lugar do neerlandês aos 60 minutos, mas a alteração aconteceu instantes antes do golpe que decidiu definitivamente o encontro.
À hora de jogo, novamente Krstović a assumir o protagonismo. Após um corte de De Roon, o avançado da Atalanta protegeu a bola com força na zona intermediária, venceu o duelo físico com Heggem e, frente a Ravaglia, mostrou frieza: remate seco de pé esquerdo, 2-0 para a Atalanta. Uma jogada de ponta-de-lança autêntico, que confirmava uma noite de inspiração e apagava o entusiasmo dos adeptos rossoblù.
A equipa de Italiano acusou o golpe, enquanto a Atalanta jogava com tranquilidade. De Ketelaere continuava a inspirar e, aos 62 minutos, ficou perto do terceiro, com um remate em arco que obrigou Ravaglia a uma defesa de grande nível.
A segunda parte, que começou com boas intenções do Bolonha, transformou-se assim no retrato de dois momentos opostos: de um lado, as dificuldades evidentes dos felsinei, do outro, a força de uma Dea pragmática, sólida e implacável quando era preciso atacar. Com um Krstović simplesmente imparável e um Carnesecchi decisivo no final, capaz de segurar o 2-0 com duas intervenções fundamentais perante Rowe e Moro, a Atalanta garantiu três pontos fora de casa, de enorme importância para Palladino e para a sua corrida europeia.

