Recorde as incidências do encontro
Não era, de todo, uma noite fácil para o Sassuolo, que chegou a Turim após uma semana marcada mais pela emergência sanitária do que pela preparação tática: o surto de tosse convulsa detetado nos dias anteriores, cinco jogadores infetados isolados e sob vigilância, um plantel reduzido ao mínimo e ausências de peso como Matić e Thorstvedt acabaram por ter impacto na exigente deslocação a Turim.

Logo a abrir, a Vecchia Signora impôs o seu ritmo, deixando claro desde o primeiro toque qual seria o tom da noite: ao apito inicial, a manobra passou imediatamente pelos pés do número 10 turco, sinal de uma equipa que procura desde o início o talento do seu jogador mais inspirado. O Sassuolo, com poucas opções e naturalmente cauteloso, viu-se rapidamente obrigado a recuar perante a pressão bianconera.
A abordagem da equipa de Luciano Spalletti foi clara e agressiva. Logo aos dois minutos, Francisco Conceição – o mais dinâmico da primeira parte pela regularidade e qualidade das suas iniciativas – criou o primeiro lance de perigo, obrigando a defesa neroverde a intervir com uma arrancada profunda pela direita que forçou os visitantes a cederem canto.
O momento que mudou o rumo do primeiro tempo chegou aos 14’ e foi uma jogada que resumiu na perfeição a lucidez e a qualidade técnica. Perin antecipou o movimento de Conceição e optou por um lançamento longo e preciso. O português atacou o espaço com tempo perfeito, levantou a cabeça e esperou o movimento de Yıldız, servindo-o no momento exato: o número dez bianconero apareceu com coordenação perfeita e finalizou de primeira com o pé direito, sem hipótese para Muric, fazendo o 1-0.
Com o passar dos minutos, Spalletti continuou a pedir intensidade a partir do banco, exigindo rapidez na circulação da bola para não dar referências ao Sassuolo e evitar qualquer quebra de concentração. A mensagem foi especialmente bem recebida pelo corredor direito, onde Conceição continuou a ser o motor mais constante da manobra ofensiva, capaz de criar superioridade em cada aceleração.
Foi precisamente de uma dessas iniciativas que nasceu, aos 40’, mais uma ocasião clara: o português voltou a romper, entrou na área e serviu Kalulu, que tentou o poste mais distante, mas falhou o alvo por poucos centímetros. Foi a última imagem relevante de um primeiro tempo quase totalmente controlado pela Juve, dona do ritmo e das oportunidades, mas ainda sem conseguir transformar o domínio numa vantagem mais confortável.
Da sensação de um possível 2-0 passou-se, logo no início da segunda parte, ao empate inesperado que mudou a dinâmica e a emoção do duelo. Bastou uma das poucas verdadeiras acelerações dos visitantes para reabrir tudo: Berardi recebeu, combinou de forma rápida com Pinamonti e isolou-o com precisão; o avançado antecipou-se a Bremer e bateu Perin, assinando o 1-1 com grande frieza.
A partir do minuto 70, o Sassuolo optou quase exclusivamente pela resistência: linhas recuadas, muita gente no centro e tentativas esporádicas de contra-ataque entregues ao recém-entrado Laurienté, sem nunca conseguir transformar essas saídas em verdadeiro perigo.
Mais tarde, as alterações da Juventus aumentaram o volume ofensivo, mas não chegaram para alterar de imediato o resultado. Ou pelo menos, não da forma mais direta. É que Vlahović, acabado de entrar, conseguiu logo conquistar o lance que podia mudar a noite: no seu cabeceamento, a bola bateu no braço de Idzes e o árbitro assinala penálti.
Locatelli, capitão, assumiu a responsabilidade, mas o seu remate saiu pouco colocado e sem força suficiente: Muric adivinhou, manteve-se no centro e defendeu, completando uma exibição de altíssimo nível e negando à Juventus o possível 2-1 na reta final.

