Serie A: Inter de Milão com reviravolta de campeão diante do Como (3-4)

A celebração de Dumfries, autor do 2-3 da reviravolta
A celebração de Dumfries, autor do 2-3 da reviravoltasportinfoto / DeFodi Images / Profimedia

O Como cedeu perante o poderio do Inter de Milão, após um jogo de cortar a respiração. Do 0-2 à reviravolta final, os nerazzurri triunfaram por 3-4 numa partida que muda o rumo do campeonato. Apesar do penálti convertido por Da Cunha nos instantes finais, a equipa de Chivu leva para casa três pontos fundamentais que lhe permitem aumentar a vantagem no topo da tabela.

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Notas finais dos jogadores
Notas finais dos jogadoresFlashscore

De um lado, o sonho da Champions; do outro, o desejo de voltar a coser o Scudetto ao peito. Um mês e meio depois do último confronto, Como e Inter voltaram a defrontar-se num jogo com sabor a acerto de contas. Depois do 0-0 na primeira mão das meias-finais da Taça de Itália, as duas equipas reencontraram-se no Sinigaglia para disputar um verdadeiro tudo ou nada no campeonato.

O contexto era de peso: os deslizes do AC Milan e do Nápoles abriram uma oportunidade enorme para a equipa de Cristian Chivu, pronta a tentar a fuga decisiva mesmo junto ao lago. Do outro lado, porém, o Como não podia vacilar: a vitória da Juventus frente à Atalanta tinha retirado temporariamente o quarto lugar aos larianos, tornando obrigatória uma resposta em campo.

Tornado de Como

O início foi tenso, quase contido, mas bastaram poucos minutos para o Como começar a mostrar a sua identidade: pressão alta, linhas agressivas, recuperações imediatas e constantes movimentos verticais. A mão de Fàbregas notava-se, assim como a ligação entre Nico Paz e Douvikas, que, no entanto, nos primeiros 25 minutos não conseguiram encontrar o pormenor que faria a diferença.

O primeiro susto surgiu aos 26 minutos: Baturina soltou um remate forte de pé esquerdo que passa por cima da barra de Sommer. Era um aviso, pois do outro lado o Inter parece preso, quase surpreendido pela intensidade do adversário. Os nerazzurri tinham dificuldades em respirar, quanto mais em construir jogo.

E o perigo concretizou-se aos 31 minutos. Diao cruzou com precisão, Douvikas atacou a bola e obrigou Dumfries a uma intervenção desesperada. Na continuação da jogada, foi preciso um segundo corte do neerlandês para evitar que o remate certeiro de Alex Valle acabasse no fundo da baliza. As estatísticas, de resto, não enganavam: aos 34 minutos, 42,5% das ações desenrolaram-se no último terço do Inter. O Como dominava no relvado, sem contestação.

O domínio dos larianos ganhava finalmente forma aos 36 minutos. A jogada foi de manual: troca rápida na esquerda, toque genial de Diao, desmarcação perfeita de Nico Paz. O remate de pé esquerdo do argentino foi defendido por Sommer, mas Alex Valle estava no sítio certo para recarregar para a baliza. Estava feito o 1-0, e foi sobretudo o primeiro golo da carreira do espanhol. O Sinigaglia explodia, e não podia ser de outra forma.

O Inter, por sua vez, vacilava, perdia certezas e desmoronava-se perante um Como inspirado e feroz. E quando o primeiro tempo parecia encaminhar-se para o fim, surgia a obra-prima que fez o estádio entrar em delírio. Butez agarrou um cruzamento, levantou a cabeça e viu Nico Paz a desmarcar-se nas costas da defesa. O passe foi milimétrico, o argentino dominou e bateu Sommer com um remate de pé esquerdo preciso. 2-0. Era o momento em que o Como parecia tocar o céu.

Parecia o golpe final, o ponto sem retorno. Mas o futebol, sobretudo nestes jogos, não oferece certezas. Passaram apenas alguns segundos e o Inter encontrava logo oxigénio: Barella cruzou com precisão, Thuram antecipou-se a todos e fez o 2-1. Um toque de avançado que relançava a partida e levava as equipas para o balneário com um equilíbrio emocional totalmente diferente.

Remontada tricolor

A segunda parte começou com uma série de substituições: Chivu tirou Bastoni e lançou Carlos Augusto, enquanto Fàbregas respondeu com Ramon no lugar de Diego Carlos e Da Cunha por Sergi Roberto. Era o sinal de que o jogo estava a mudar de figura, que algo estava prestes a partir-se ou a recompor-se. E, de facto, em poucos minutos, o guião inverteu-se.

Quem o reescreveu foi novamente Thuram. Depois de reabrir o encontro no final da primeira parte, o francês inaugurou a segunda metade com um lance de puro instinto. Kempf falhou o tempo de corte, Butez tentou corrigir saindo muito longe da baliza, mas Thuram foi mais rápido e ultrapassou-o com um chapéu subtil. Estava feito o 2-2, o retrato perfeito de um jogo que virou num instante.

A dinâmica já era nerazzurra, e a reviravolta definitiva chegou aos 59 minutos. Çalhanoğlu bateu um livre para o segundo poste, Dumfries ganhou nas alturas e cabeceou para o fundo da baliza de Butez. O Inter completava a reviravolta, virava o resultado ao Como e recuperava um jogo que parecia perdido. O Sinigaglia, que na primeira parte era um vulcão lariano, mudou de tom: o vento soprava agora noutra direção.

E depois, aos 72 minutos, foi novamente o Inter a ferir. Akanji destacou-se com uma assistência perfeita na área, Dumfries apareceu no sítio certo e, com um remate de pé esquerdo fulminante, assinou o seu segundo golo e o 2-4 que selava definitivamente o encontro. Um golo que, na prática, acabava com as esperanças do Como, apesar de um final intenso e emocionante – com direito a 3-4 de penálti de Da Cunha após falta de Bonny na área. O Como ainda tentou lutar, mas a sua determinação não chegou. Para os nerazzurri é (quase) o golpe final, aquele que aproxima o título, permitindo a Chivu e aos seus jogadores aumentar a vantagem na classificação, ficando com mais 9 pontos do Nápoles e com mais 12 do AC Milan.

Uma vantagem que não só consolida a posição do Inter, mas também beneficia a Juve, que ultrapassa o Como e sobe ao quarto lugar. Os larianos estão agora a 2 pontos da Juve, com a Roma a apenas um ponto de distância. A luta pela Champions aquece, enquanto a corrida pelo Scudetto esmorece.

Estatísticas finais da partida
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