Recorde as incidências da partida

Levantar-se era a prioridade absoluta, provavelmente a única realmente permitida pelo momento. Para o Inter após o golpe sofrido no derby della Madonnina, para a Atalanta depois de uma noite duríssima como o 1-6 frente ao Bayern Munique. Duas feridas surgidas em contextos diferentes, mas com o mesmo peso, suficientemente profundas para alterar o significado da tarde em San Siro: já não era apenas um jogo de calendário, mas um momento delicado, quase obrigatório, para medir imediatamente a capacidade de reagir.
A equipa de Cristian Chivu chegava com um objetivo claro: vencer para restabelecer, pelo menos por uma noite, sete pontos de vantagem sobre o AC Milan e devolver à classificação uma aparência mais tranquila. Do outro lado, a Atalanta de Raffaele Palladino sabia que tinha uma oportunidade concreta para reacender o seu final de época, aproximando-se com decisão da zona da Liga dos Campeões.
Por isso, o início do jogo foi controlado, quase estudado. Nenhuma das equipas queria ceder espaços logo de início, e os primeiros minutos decorreram entre linhas defensivas compactas, tentativas de verticalização cautelosas e um equilíbrio que permaneceu intacto numa cidade de Milão encharcada por uma chuva incessante e atravessada pelo vento.
Os músculos de Pio, o domínio do Inter
Os primeiros sinais de jogo surgiram por volta do décimo minuto. Dimarco tentou coordenar-se de primeira com o pé esquerdo, mas não acertou na baliza, enquanto do outro lado Scamacca obrigou Sommer a uma defesa difícil com um remate de longe: o guarda-redes afastou de forma pouco convincente, mas conseguiu corrigir-se a tempo, antecipando a chegada de Scalvini.
No entanto, era o Inter que ia transmitindo cada vez mais a sensação de ter mais energia e clareza. A equipa da casa subiu de intensidade, ocupou melhor o relvado e manteve a pressão. Barella primeiro rematou por cima com o exterior à entrada da área, depois reagiu rapidamente a uma bola mal controlada por Pašalić e abriu imediatamente uma linha interior.
E foi daí que nasceu o golo. Aos 26 minutos, Pio Esposito controlou na área, afastou a bola para o lado e disparou um remate seco de pé esquerdo que surpreendeu Carnesecchi, pouco seguro na intervenção. Um gesto limpo, decidido, de avançado autêntico, que animou o San Siro e recompensou o Inter numa fase já claramente favorável.
Após o golo, do banco da Atalanta chegou uma indicação precisa: mais posse, mais ordem, mais capacidade de abrandar o ritmo. Palladino pediu aos seus para saírem do primeiro pressing adversário com mais qualidade, porque nos primeiros trinta minutos a gestão da bola foi demasiado frágil e intermitente.
Mas o Inter não baixou o nível. Continuou a pressionar bem, manteve a Atalanta encostada e impediu a Dea de construir com regularidade. Depois da meia hora, o domínio territorial dos nerazzurri tornou-se quase absoluto: a equipa de Chivu ocupou de forma constante a zona ofensiva, circulou a bola, procurou o espaço sem forçar, enquanto os visitantes ficaram recuados e com dificuldades evidentes em encontrar soluções.
Ederson transformou a Dea, e Krstović...
A segunda parte recomeçou com o mesmo ritmo. O Inter voltou ao relvado com a mesma intensidade e em poucos minutos criou logo duas oportunidades claras. Primeiro, o cabeceamento de Dumfries, impreciso e depois recolhido por Mkhitaryan (que entrou para o lugar do advertido Sučić), que rematou demasiado alto; depois, o remate repentino de Thuram, que passou junto ao poste após mais uma bola perdida na saída por Pašalić.
Palladino percebeu rapidamente que era preciso mexer. Aos 50 minutos retirou dois dos menos eficazes, Scamacca e Samardžić, e lançou Ederson e Krstović. A alteração devolveu pelo menos ordem ao meio-campo bergamasco. O brasileiro entrou com personalidade, ditou o ritmo, ofereceu linhas de passe mais limpas e permitiu à Atalanta respirar alguns metros mais à frente. As melhores oportunidades, contudo, continuaram a ser do Inter.
Carnesecchi foi decisivo ao sair ao encontro de Thuram, lançado sozinho para a baliza por um passe perfeito de Mkhitaryan. Uma intervenção corajosa e precisa, que evitoi o segundo golo. Mas cada aceleração do Inter continuava a criar perigo: Dimarco voltou a encontrar o momento certo para servir o corte de Dumfries, que a poucos metros da baliza não se coordenou bem e rematou ao lado.
O final do jogo foi marcado sobretudo pelas decisões dos treinadores. Chivu geriu as energias e deu descanso a Dimarco, Pio Esposito e Barella, lançando Bonny, Luis Henrique e Frattesi para trazer velocidade e frescura. Do outro lado, Palladino arriscou tudo: entrou De Ketelaere, recém-recuperado da lesão, juntamente com Sulemana e Hien.
Os últimos dez minutos tornaram-se subitamente intensos. O Inter baixou ligeiramente o ritmo, sobretudo na gestão das bolas ofensivas, com Thuram visivelmente em quebra, enquanto a Atalanta encontrava coragem para subir alguns metros. Aos 82 minutos surgou o lance que mudou tudo e gerou polémica. A bola deslizou na zona ofensiva, Sulemana correu atrás dela e disputou com Dumfries: o neerlandês caiu, mas o jogo prosseguiu. O extremo ganês ficou com o campo aberto, o remate foi defendido por Sommer, mas na recarga Krstović foi o mais rápido e, a dois passos da baliza, fez o 1-1.
A partir desse momento, as reclamações intensificaram-se. Chivu perdeu a calma e foi expulso, enquanto o lance era revisto no VAR. Não houve alterações: o contacto foi considerado regular e o golo foi validado, entre os apupos ensurdecedores do Meazza.
No final, o Inter viu-se obrigado a lançar-se para a frente com todas as energias restantes, na tentativa de recuperar a vitória e não permitir ao AC Milan margem para uma reviravolta. O forcing final, porém, não resultou: a defesa da Atalanta resistiu e o resultado manteve-se.
Um empate pesado para os milaneses, mas no sentido menos desejado: um ponto que não permite aumentar a vantagem sobre os rossoneri e deixa a sensação de uma oportunidade desperdiçada, precisamente quando era necessária uma resposta após o dérbi. Para a Atalanta, pelo contrário, é um resultado valioso, tendo em conta o desenrolar do jogo, capaz de devolver moral depois da goleada frente ao Bayern Munique.

