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O Nápoles chegou a Roma debaixo de uma chuva incessante e assumiu o controlo com autoridade, ritmo e qualidade, fechando a partida com um 0-2 e confirmando a crise de uma Lazio frágil e sem soluções, sobretudo no ataque. Para a equipa de Maurizio Sarri é já o terceiro jogo consecutivo sem vencer, uma derrota pesada perante os seus adeptos que só aumenta as dúvidas e o descontentamento.
Os napolitanos nunca perderam o controlo do jogo: geriram o ritmo, escolheram quando acelerar e quando baixar a intensidade, transmitindo sempre a sensação de terem o encontro nas mãos. A Lazio, pelo contrário, pareceu perdida, sem ideias e incapaz de contrariar a superioridade técnica e mental do Nápoles, que sai do Olímpico com uma vitória clara, justa e nunca verdadeiramente ameaçada.
Superioridade técnica e mental
O apito inicial mostrou logo que a equipa de Conte está noutro patamar. A Lazio tentava avançar, mas mais por instinto do que por construção coletiva. O ataque era improvisado, o passe impreciso, enquanto o Nápoles trocava a bola com calma, ocupava o relvado com organização e explorava os espaços com inteligência. Os biancocelesti tinham dificuldades em encontrar o ritmo e, quando o conseguiam, eram rapidamente travados.
O Nápoles, por sua vez, não perdoou e aumentou o ritmo, mostrando desde cedo que estudou bem as fragilidades do adversário. Aos 5 minutos, McTominay fez-se notar na área da Lazio com um cabeceamento após um canto, e aos 13 minutos surgiu o primeiro golo. Politano cruzou com precisão da direita, Spinazzola apareceu no momento certo, ultrapassou a defesa da Lazio e bateu Provedel com um remate seco, colocando o Nápoles em vantagem. O golo não surpreendeu, era apenas a consequência lógica de uma superioridade evidente. A Lazio via-se obrigada a sofrer e pareceu sem resposta.
Já em apuros, os anfitriões não conseguiram reagir e os partenopeus continuavam a crescer em confiança. Cada fase do jogo do Nápoles fluia naturalmente: a posse de bola era imparável, a construção precisa e sentia-se que o segundo golo estava iminente. Não era uma questão de se, mas de quando. E aos 32 minutos, chegou o segundo: um livre de Politano na zona intermediária, um cruzamento perfeito e Rrahmani saltou mais alto do que todos, cabeceando com precisão para o 0-2. O VAR analisou, mas não havia nada a corrigir. O Olímpico murmurava, enquanto a Lazio estava em choque.
A equipa de Sarri tentou responder, mas a primeira parte já estava comprometida. Aos 34 minutos, Noslin teve finalmente espaço para relançar o jogo: ultrapassou Milinković-Savić após uma recuperação de bola alta, mas em vez de rematar de imediato, hesitou, demorou demasiado tempo e serviu Cancellieri numa situação já perdida. A jogada perdeu-se, tal como as últimas esperanças de reaproximação ao Nápoles.
Pouco depois, aos 39 minutos, os napolitanos ficaram a centímetros do terceiro: David Neres cruzou com perfeição, Elmas saltou mais alto e acertou em cheio na trave. A formação da Lazio estava completamente à deriva, sem conseguir responder de forma eficaz. O veredicto era claro e pesado: Nápoles dono absoluto do relvado, Lazio sem remates à baliza, apenas 32% de posse de bola e em total desorientação.
Conte sorri, Neres preocupa
Na segunda parte, o cenário manteve-se, ou até se acentuou. O Nápoles geriu a vantagem com maturidade, travou logo à nascença a tímida reação inicial da Lazio e continuou a criar perigo. Spinazzola viu-lhe ser negado o bis, Højlund ficou perto do golo com um remate forte de pé esquerdo que passou muito perto do poste.
A única nota negativa para Conte surgiu aos 67 minutos, quando David Neres foi obrigado a sair devido a um problema no tornozelo. Mazzocchi entrou para o seu lugar, e não Lang (que só entrou aos 85’): uma opção que pode ter leitura de mercado. A lesão, no entanto, não abalou o equilíbrio dos napolitanos, que continuaram a dominar em todos os aspetos do jogo.
Nos minutos finais, o nervosismo explodiu, sobretudo do lado da Lazio. Três cartões vermelhos foram mostrados: Noslin foi expulso por acumulação de amarelos, enquanto Marusic e Mazzocchi acabaram mais cedo no balneário após uma confusão que ilustrou na perfeição o momento de desorientação e frustração dos biancocelesti.
O apito final confirmou uma vitória importante e significativa. O Nápoles esteve várias vezes perto do 0-3 e regressa da capital com três pontos que valem o regresso ao segundo lugar, a um ponto do AC Milan, líder da Liga. A Lazio, por sua vez, cai para a nona posição, ultrapassada pela Atalanta, e vê aumentar as dúvidas sobre uma época que começa a encher-se de interrogações.

