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“Há um projeto de melhoria do clube, das dinâmicas e dos seus departamentos, principalmente do futebol de formação, que estava um pouco distante do plantel principal. Agradou-me bastante ter tido liberdade para dar ideias. Foi uma ótima escolha vir para a China, porque, além dos resultados, sentimo-nos bem, acarinhados e valorizados”, disse à agência Lusa o técnico, de 55 anos e desde abril de 2025 na equipa de Zhengzhou.
Aposta do diretor desportivo espanhol Pere García, Daniel Ramos chegou ao segundo país mais populoso do mundo com o Henan no 13.º lugar do campeonato, mas fê-lo subir três posições e garantiu a permanência, por entre a inédita chegada à final da Taça da China, perdida frente ao Beijing Guoan (3-0), num “marco significativo” em 31 anos de existência do clube.
“A equipa jogava num sistema tático defensivo, com uma linha de cinco rígida e à espera do contra-ataque. Neste momento, estamos a arriscar muito mais, a ter bola e a jogar para a frente. Foi exigente trabalhar neste contexto, porque a equipa estava em dificuldade. Felizmente, à medida que o tempo foi passando, tudo ficou mais natural e fizemos 23 pontos só na segunda volta, acima da pontuação obtida no campeonato inteiro pelas equipas que desceram. Há um sentimento de dever cumprido”, analisou.

Daniel Ramos vê a ida à final da Taça da China como um “feito valioso e ao nível dos melhores trabalhos” em Portugal, onde promoveu Trofense (2005/06), União da Madeira (2010/11) e Famalicão (2014/15) à Liga 2 e qualificou Marítimo (2016/17) e Santa Clara (2020/21) para as competições europeias.
“Eliminámos o Zhejiang, que tem uma equipa forte. Depois, fora de casa, afastámos dois candidatos ao título, o Shanghai Shenhua e o Chengdu Rongcheng (ambos no desempate por penáltis), que foram segundo e terceiro classificados no campeonato. Tivemos muito mérito. Repetir é sempre uma incógnita, porque, tratando-se de uma prova a eliminar, é preciso competência em cada jogo e alguma sorte no sorteio”, admitiu.
O treinador foi abordado por outros clubes, mas renovou em novembro por mais uma temporada, com outra de opção, na perspetiva de continuar a redimensionar o Henan, ainda longe do orçamento, condições e historial dos “favoritos ao título”, tais como o tricampeão Shanghai Port, o Shanghai Shenhua, o Beijing Guoan, o Chengdu Rongcheng e o Shandong Taishan.
“É um campeonato com equilíbrio. Algumas equipas são mais fortes e têm outro potencial, mas é natural que o primeiro classificado ceda pontos com os últimos, pois também há valor nos outros clubes”, ilustrou, lembrando que vários jogos “ficam mais partidos nos minutos finais e têm um número considerável de golos” em função dos espaços concedidos pelas equipas.
Cada equipa só pode inscrever cinco estrangeiros, mas Daniel Ramos crê que os melhores jogadores locais fazem mais a diferença e serão decisivos para o país recuperar credibilidade futebolística e reerguer-se de um esquema de manipulação de resultados e apostas ilegais, que irradiou 73 pessoas da modalidade e deduziu pontos a 13 clubes, incluindo o Henan.

“Fica complicado depender só ou muito dos estrangeiros, pelo que importa potenciar o valor do jogador chinês. Procuro ter um plantel competitivo, no qual todos sintam que têm hipótese de disputar a próxima partida”, referiu, na presença de quatro brasileiros - Iago Maidana e Gustavo atuaram em Portugal - e do espanhol Jordi Mboula, ex-avançado de Estoril Praia e Gil Vicente.
Assentando no “trabalho de equipa” o prémio de melhor treinador do ano, recebido com base nas votações de homólogos, capitães, imprensa e adeptos, Daniel Ramos mostra-se agradecido aos quatro tradutores do Henan, “sempre disponíveis e fundamentais” na transmissão eficaz da mensagem.
, concluiu o técnico natural de Vila do Conde, pela segunda vez no estrangeiro, após ter orientado os sauditas do Al Faisaly em 2021/22.
