Recorde as incidências da partida
Ryan Williams, natural de Perth, filho de mãe anglo-indiana e pai inglês, marcou o primeiro golo da vitória da Índia por 2-1 sobre Hong Kong, na terça-feira, em Kochi, em jogo de qualificação para a Taça Asiática.
O avançado entrou diretamente para a história ao apontar o golo mais rápido de sempre por um estreante na seleção indiana, cujo percurso internacional nunca incluiu uma presença em Campeonatos do Mundo.
O jornal The Hindu descreveu o momento como “o mais brilhante numa fase difícil para o futebol indiano”.
Williams, que somou uma internacionalização pela seleção principal da Austrália e representou os Socceroos nas camadas jovens, não escondeu a emoção. “É um sonho”, afirmou.
“Não se podia escrever isto: estreia em Kerala, a casa do futebol”, disse o avançado, agora herói improvável da Índia, num vídeo divulgado pela Federação Indiana de Futebol (AIFF).
“Ainda não me apercebi completamente. Vamos aproveitar os próximos dias.”
Williams é um produto da formação do Portsmouth, de Inglaterra, e passou por vários clubes do futebol inglês ao longo da carreira.
Em 2023, transferiu-se para a principal liga da Índia, a Superliga Indiana, para representar o Bengaluru FC. Desde então, foi trabalhando com o objetivo de chegar à seleção, enquanto tratava da obtenção do passaporte indiano.
Conseguiu-o em novembro do ano passado, abrindo caminho para a aguardada estreia, que acabaria por ser coroada com um golo.
“Toda a família da minha mãe - o lado indiano - vive em Perth. Foi com eles que cresci. Quando íamos a casa da minha avó, havia sempre comida indiana e muitos tios, tias e primos por todo o lado. Vir à Índia e ver isso foi como juntar dois mais dois”, contou, em entrevista ao Sportstar.
Apesar da euforia em torno da estreia de Williams, a Índia terminou no último lugar do seu grupo de qualificação. A vitória sobre Hong Kong foi a única conquistada pela seleção indiana em seis jogos.
O país, com cerca de 1,4 mil milhões de habitantes, ocupa o 136.º lugar no ranking da FIFA, apenas uma posição acima da Letónia, que tem cerca de 1,9 milhões.
Antes desse encontro, registou-se ainda um episódio insólito: o selecionador Khalid Jamil e vários jogadores foram impedidos de entrar no próprio estádio, depois de a associação estatal não ter pago o depósito de segurança exigido.
