Esta decisão foi tomada por receio de que pudessem ser perseguidas no regresso ao seu país, anunciou o ministro do Interior, Tony Burke.
"Podem ficar na Austrália, estão seguras aqui e é importante que se sintam em casa", afirmou perante os jornalistas.
As 26 integrantes da delegação iraniana chegaram ao país poucos dias antes do início dos ataques americano-israelitas, que provocaram, entre outros acontecimentos, a morte do antigo guia supremo, o aiatola Ali Khamenei.
Donald Trump declarou na segunda-feira, na sua rede Truth Social, que a Austrália iria ajudar as jogadoras.
"Acabei de falar com o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese", escreveu o presidente norte-americano, que pouco antes tinha pedido um gesto de apoio de Camberra a estas atletas. Os australianos "já estão a cuidar de cinco delas e as restantes seguir-se-ão. Algumas, no entanto, sentem que têm de regressar (ao Irão) porque temem pela segurança das suas famílias", acrescentou, sublinhando que o líder australiano estava "a fazer um excelente trabalho nesta situação bastante delicada".
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, já tinha apelado à Austrália para garantir a segurança das jogadoras.
"As jogadoras da seleção nacional feminina de futebol do Irão estão sob forte pressão e são ameaçadas pela República Islâmica", escreveu o filho do xá deposto na rede X.
"Correm sérios riscos se regressarem ao Irão. Apelo ao governo australiano para que garanta a sua segurança e lhes preste todo o apoio necessário", acrescentou.
"Salvem as nossas raparigas"
As atletas iranianas mantiveram-se em silêncio enquanto soava o hino do Irão antes do primeiro jogo da Taça da Ásia frente à Coreia do Sul, dois dias após o início da guerra lançada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel. Acabaram por cantar o hino nos jogos seguintes.
Esta atitude foi interpretada como um ato de rebeldia e um apresentador da televisão estatal classificou as jogadoras como "traidoras em tempo de guerra", representando "o auge da desonra".
Em frente ao estádio de Gold Coast, onde a equipa disputou o último jogo este fim de semana, uma multidão reuniu-se, gritando "mudança de regime para o Irão", "deixem-nas partir" e "salvem as nossas raparigas".
Na segunda-feira, um jornalista da AFP viu algumas jogadoras a falar ao telefone a partir da varanda do hotel.
De acordo com Zaki Haidari, ativista da Amnistia Internacional, as futebolistas corriam o risco de ser perseguidas caso fossem enviadas de volta ao seu país.
"Algumas das jogadoras da equipa provavelmente já viram as suas famílias ameaçadas", afirmou à AFP.
As iranianas estrearam-se na Taça da Ásia em 2022, na Índia, e tornaram-se heroínas nacionais num país onde os direitos das mulheres são severamente restringidos.
