Sete elementos da delegação feminina iraniana — seis jogadoras e um membro do staff — solicitaram refúgio na Austrália depois de terem sido apelidadas de "traidoras em tempo de guerra" no seu país por se recusarem a cantar o hino nacional antes de um jogo disputado durante o conflito em curso entre a República Islâmica, os Estados Unidos e Israel.
Uma das jogadoras já tinha retirado o pedido mais cedo na semana e juntou-se ao restante grupo, que está a regressar ao Irão via Malásia, segundo os meios de comunicação iranianos e as autoridades australianas.
A televisão estatal Irib informou no sábado que "duas jogadoras e um membro do staff técnico" da seleção nacional também "renunciaram ao pedido de asilo na Austrália e estão atualmente a caminho da Malásia".
Foi divulgada uma fotografia das três mulheres — usando o hijab islâmico — aparentemente prestes a embarcar num avião. O restante grupo permanece na capital malaia, Kuala Lumpur, à espera do regresso ao Irão.
De acordo com as autoridades australianas, a primeira mulher a voltar atrás no pedido de asilo revelou a localização das jogadoras que tinham solicitado proteção ao contactar a embaixada do Irão na Austrália. Estas foram então obrigadas a mudar de local seguro.
As organizações de defesa dos direitos humanos acusaram repetidamente as autoridades iranianas de pressionarem atletas no estrangeiro, ameaçando os seus familiares ou confiscando os bens caso desertem ou façam declarações hostis à República Islâmica.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, elogiou a coragem destas mulheres, prometendo que seriam recebidas de braços abertos. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, colocou em dúvida a participação da equipa masculina no Mundial organizado este verão nos Estados Unidos, México e Canadá.
