O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Ismail Bagaei, considerou, na rede social X, a medida como um ato de audácia e hipocrisia através, questionando a intenção humanitária das autoridades australianas.
“Mataram mais de 165 estudantes iranianas inocentes num duplo ataque com Tomahawks (mísseis de cruzeiro) na cidade de Minab, e agora querem tomar as nossas jogadoras como reféns, garantindo que as estão a ‘salvar’? A audácia e a hipocrisia são impressionantes”, lê-se na publicação.
O pedido de asilo surgiu na sequência do incidente que ocorreu na estreia iraniana na competição frente à Coreia do Sul, no dia 02 de março, quando as futebolistas iranianas decidiram não cantar o hino nacional, num gesto interpretado como apoio aos protestos contra o regime de Teerão.
Na sequência da preocupação da Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro) que exigiu, na segunda-feira, garantias de segurança para a seleção feminina do Irão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao governo australiano que concedesse asilo à seleção feminina iraniana, acrescentando que Washington as receberia, se Camberra não o fizesse.
Hoje, as autoridades australianas informaram ter autorizado a emissão de vistos humanitários para cinco das 25 convocadas, enquanto o resto da comitiva permanece em Sydney a aguardar viagem para a Malásia.
Segundo na ABC, pelo menos mais duas jogadoras terão solicitado asilo ao Governo australiano.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão garantiu que o país espera as futebolistas de braços abertos e pediu o seu regresso a casa, apesar de a televisão estatal as ter rotulado de traidoras por não terem entoado o hino nacional.
A Amnistia Internacional já manifestou satisfação pela concessão dos vistos, embora tenha expressado preocupação com a segurança das restantes jogadoras, que ainda não obtiveram proteção internacional.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, que respondeu com ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.
