Feminino: Treinadora do Irão culpa comentário sobre "traidores em tempo de guerra" pelas candidaturas a asilo

Marziyeh Jafari, treinadora do Irão, a falar aos jornalistas durante o torneio
Marziyeh Jafari, treinadora do Irão, a falar aos jornalistas durante o torneioALBERT PEREZ / GETTY IMAGES VIA AFP

Os comentários de um apresentador da televisão estatal iraniana sobre a equipa feminina do país durante a sua campanha na Taça Asiática afetaram psicologicamente as jogadoras e levaram algumas a pedir asilo na Austrália, afirmou a treinadora Marziyeh Jafari esta sexta-feira.

O torneio, organizado na Austrália, começou precisamente quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos sobre o Irão, provocando a morte do líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei.

Depois de a equipa ter optado por permanecer em silêncio durante o hino do Irão, antes do primeiro jogo frente à Coreia do Sul, foram apelidadas de "traidoras em tempo de guerra" pelo apresentador da Islamic Republic of Iran Broadcasting, Mohammad Reza Shahbazi.

Numa declaração publicada pela federação de futebol do Irão (FFIRI) na sua página de Telegram esta sexta-feira, entretanto apagada, Jafari afirmou: "As nossas raparigas foram afetadas no primeiro jogo pelo ambiente pesado que se criou... Mas o erro maior foi cometido por aqueles que, em casa, não compreenderam esse ambiente e incitaram à guerra contra as filhas desta terra."

"O que pedi à federação foi que investigasse o caso, porque afetou psicologicamente as nossas jogadoras e sofremos as consequências. Tenho a certeza de que, se esse ambiente não tivesse sido criado, nenhuma das nossas jogadoras teria ficado na Austrália", acrescentou.

Esta semana, a Austrália concedeu vistos humanitários a cinco jogadoras iranianas que pediram asilo durante o torneio.

Mais duas jogadoras receberam asilo na quarta-feira, e uma decidiu regressar ao Irão.

"A polícia australiana contactou as jogadoras em várias fases e reuniu-se individualmente com elas para as convencer a permanecer, influenciada pelo ambiente político que se gerou", disse Jafari.

"Felizmente, a maioria das jogadoras respondeu negativamente. Até Mohaddeseh Zolfi, que inicialmente respondeu positivamente, mudou rapidamente de opinião e, se Deus quiser, virá para o Irão com a equipa. Os rumores sobre Golnoosh Khosravi e Afsaneh Chatrenoor também não são verdadeiros, e elas estão connosco na Malásia e vamos partir para o Irão em breve", concluiu.