"Brahim faz parte do lote de jogadores capazes de te fazer ganhar a CAN", afirmou sem rodeios Walid Regragui, o selecionador dos Leões do Atlas, após a vitória marroquina nos oitavos diante da modesta Tanzânia (1-0).
O médio-ofensivo nascido em Málaga há 26 anos deu-lhe razão na sexta-feira ao inaugurar o marcador frente aos Camarões (2-0), com o seu quinto golo em cinco jogos, uma sequência inédita na Taça das Nações Africanas, da qual é, naturalmente, o melhor marcador.
"O fator X"
"Hoje foi o fator X da minha equipa. Esteve incrível na competição, esta noite correu e lutou, passando uma mensagem ao resto da equipa", acrescentou Regragui após o triunfo nos quartos de final.
Utilizado a espaços no Real Madrid por Xabi Alonso, Brahim enverga com orgulho a 10 de Marrocos, depois de ter representado as camadas jovens da seleção espanhola e até se ter estreado pela principal numa ocasião.
Na ausência de Hakimi – que também poderia ter sido internacional pela Roja –, ainda a recuperar durante os jogos da fase de grupos, Brahim colmatou as lacunas da equipa anfitriã, um conjunto que, apesar das vitórias, tem sido alvo de duras críticas da imprensa e dos seus adeptos.
Com o regresso do lateral do PSG ao onze inicial nos oitavos, o avançado manteve o controlo do jogo marroquino, procurando compensar a ausência por lesão, para o resto do torneio, de Azzedine Ounahi, o líder técnico dos Leões, segundo Regragui.
"O jogador a quem exijo mais neste grupo é o Brahim, porque sei o que nos pode dar: ainda pode fazer melhor", antecipou o selecionador marroquino, que, apesar da tempestade de críticas, mantém-se fiel às suas ideias.
"Está a começar a perceber que, quando está mais perto da área, pode dar-se ao luxo de mostrar o seu talento, mas que deve arriscar menos quando está mais longe da baliza, porque perde bolas e coloca-nos em perigo", acrescentou, numa reflexão próxima do que o camaronês Patrick Mboma explicou à AFP.
"Muitas vezes, os jogadores do norte de África exageram, como o Brahim Díaz, por exemplo, que põe-se a fazer malabarismos no relvado porque está perante o seu público e sente que tudo está a correr bem", opinou o antigo internacional camaronês.
Em forma no momento decisivo
Na sexta-feira, frente aos Camarões, na primeira verdadeira prova de Marrocos nesta competição, foi Hakimi quem cobrou o canto que resultou no golo de Brahim, que se dirigiu à bancada com o seu habitual gesto de surpresa, numa ironia por ter marcado em todos os jogos.
Hakimi regressou no momento decisivo e a sua lesão de 4 de novembro pelo PSG diante do Bayern de Munique, quando sofreu uma entrada dura de Luis Díaz na Liga dos Campeões, já é uma memória distante.

Alguns minutos frente à Zâmbia na fase de grupos (3-0) e um jogo completo nos oitavos diante da Tanzânia, em que assistiu Brahim na abertura do marcador, bastaram para mostrar ao mundo inteiro que o lateral omnipresente do campeão europeu está pronto para a luta.
"Hakimi! Hakimi!", ecoava pelo estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabate, completamente rendido ao seu capitão, eleito melhor jogador de África em 2025.
Os Leões do Atlas, favoritos indiscutíveis com o estatuto de semifinalistas do último Mundial, vão defrontar nas meias-finais a Argélia ou a Nigéria.
