CAN-2025: Com o país em crise, presidente do Senegal promete bónus polémico à seleção

Jogadores e equipa técnica do Senegal celebram com o troféu no autocarro durante o desfile da vitória
Jogadores e equipa técnica do Senegal celebram com o troféu no autocarro durante o desfile da vitóriaZohra Bensemra / Reuters

O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, ofereceu bónus superiores a 115 mil euros, bem como terrenos junto à costa, a cada elemento da equipa nacional após a vitória na final da Taça das Nações Africanas, disputada no domingo frente a Marrocos.

O chefe de Estado discursou numa cerimónia realizada na capital, Dacar, na noite de terça-feira, onde milhares de adeptos eufóricos saíram às ruas para receber os vitoriosos Leões de Teranga.

O Senegal venceu os anfitriões Marrocos por 1-0 após prolongamento, depois de ter abandonado o relvado em protesto contra um penálti assinalado contra si já nos descontos do tempo regulamentar.

Após o regresso dos jogadores senegaleses ao relvado, Marrocos desperdiçou a grande penalidade e Pape Gueye garantiu o troféu com um remate notável aos quatro minutos do prolongamento.

Mais cedo, na terça-feira, os jogadores do Senegal desfilaram no topo de um autocarro com a inscrição 'Campeões Africanos' ao longo da marginal de Dacar em direção ao palácio presidencial.

Os bónus de 75 milhões de francos CFA (120 mil euros) para cada um dos 28 jogadores do plantel totalizam 2,1 mil milhões de francos CFA, ou seja, 3,5 milhões de euros. Os jogadores vão ainda receber terrenos de 1.500 metros quadrados.

Além disso, Faye anunciou que os membros da federação senegalesa receberão 50 milhões de francos CFA e terrenos de 1.000 metros quadrados, enquanto os elementos da delegação senegalesa que viajou a Marrocos terão direito a 20 milhões de francos CFA e lotes de 500 metros quadrados.

O Presidente referiu ainda que os funcionários do ministério do desporto vão receber bónus no valor de 305 milhões de francos CFA.

Problemas de dívida no Senegal

Estas promessas surgem numa altura em que o Senegal enfrenta dívidas que, segundo o Fundo Monetário Internacional, atingiram 132% do PIB no final de 2024, depois de a atual liderança ter descoberto milhares de milhões em dívidas não declaradas pela administração anterior.

O FMI suspendeu um programa de empréstimo de 1,8 mil milhões de dólares devido à polémica, obrigando o Senegal a recorrer fortemente a leilões de dívida regionais para satisfazer as suas necessidades de financiamento.

O novo chefe de missão do FMI deslocou-se ao Senegal esta semana numa visita de apresentação.

"Caros Leões, honraram a bandeira que vos foi confiada. Honraram o Senegal. Mostraram, pelo exemplo, que quando o povo senegalês avança em conjunto, com disciplina e confiança, nenhum desafio está fora do seu alcance", afirmou Faye na terça-feira, ao discursar num palco em frente ao palácio presidencial.

O Senegal conquistou a Taça das Nações Africanas pela primeira vez em 2021, ao derrotar o Egipto na final. Nessa altura, os jogadores receberam bónus de 50 milhões de francos CFA e terrenos de 200 metros quadrados.

Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol, anunciou em dezembro que os vencedores da 35.ª edição em Marrocos receberiam 10 milhões de dólares em prémios monetários.