CAN-2025: Estátua humana da RD Congo é o adepto mais popular do torneio

Michel Kuka Mboladinga fotografado durante o duelo dos oitavos de final frente à Argélia
Michel Kuka Mboladinga fotografado durante o duelo dos oitavos de final frente à ArgéliaGABRIEL BOUYS / AFP

A sua equipa foi eliminada da Taça das Nações Africanas de forma dolorosa na terça-feira, mas a estátua humana da República Democrática do Congo, Michel Kuka Mboladinga, ficará na memória como o adepto mais marcante do torneio.

Com roupas coloridas, Kuka tornou-se famoso por ser o adepto que permanece completamente imóvel durante os jogos da sua equipa, olhando para o céu com o braço direito erguido e a palma da mão aberta. Transformou-se numa estrela mediática e, na terça-feira, foi acompanhado por uma delegação de várias centenas de adeptos congoleses cuja viagem a Marrocos foi financiada pelo governo do país.

O grupo ocupou o seu lugar nas bancadas em Rabate para o duelo dos oitavos de final frente à Argélia, que os Leopardos perderam por 1-0 devido a um golo marcado já no prolongamento. A pose de Kuka é inspirada na estátua do líder da independência congolesa e antigo primeiro-ministro Patrice Lumumba, que se encontra em Khinshasa.

Lumumba exerceu brevemente funções como primeiro-ministro do país em 1960 e foi assassinado no ano seguinte por uma combinação de separatistas da região de Catanga e mercenários belgas. O seu corpo foi dissolvido em ácido e nunca foi encontrado, embora se tenha descoberto, décadas mais tarde, que alguns restos, incluindo um dente, foram guardados na Bélgica. O assassinato é um dos episódios mais sombrios na história das relações entre a Bélgica e a sua antiga colónia.

Adeptos congoleses presentes na Taça das Nações que falaram à AFP manifestaram orgulho ao verem a homenagem de Kuka a Lumumba.

Kuka é "o nosso irmão", afirmou Laetitia Malula, de 30 anos, durante um encontro de adeptos em Casablanca na véspera do jogo contra a Argélia.

"Ele escolheu imitar Lumumba... o nosso herói. É por isso que gritamos o seu nome", indicou.

A participação da RD Congo na Taça das Nações decorre num contexto de conflito contínuo no leste do país, junto à fronteira com o Ruanda, onde a violência reacendeu desde 2021 com o ressurgimento do grupo armado M23, apoiado pelo Ruanda.

Kuka não falou à AFP, tendo aparentemente afastado-se dos holofotes devido à enorme atenção mediática. No entanto, Jered Bitobo, de 35 anos, responsável pela comunicação do grupo de adeptos a que Kuka pertence, descreveu a pose do seu compatriota como "um sinal de paz".

"Ele está a transmitir uma mensagem forte, tanto a nível local como internacional. A palma aberta é um sinal de paz e precisamos de paz no nosso país," afirmou Bitobo.

Sabe-se que Kuka fez esta pose pela primeira vez há vários anos, durante jogos do principal clube congolês, o AS Vita Club.