CAN-2025: Hugo Broos identifica onde a África do Sul está a falhar na competição

África do Sul ainda não conseguiu uma exibição completa nos 90 minutos desta CAN
África do Sul ainda não conseguiu uma exibição completa nos 90 minutos desta CANKHALED DESOUKI / AFP

O selecionador da África do Sul, Hugo Broos, mostrou-se aliviado com a vitória da sua equipa por 3-2 frente ao Zimbabué, na segunda-feira, em jogo do Grupo B, que garantiu a presença nos oitavos de final da Taça das Nações Africanas 2025. No entanto, alerta que, se continuarem a jogar um futebol tão aberto, a campanha poderá terminar rapidamente na fase a eliminar.

Os Bafana Bafana estiveram três vezes em vantagem no encontro antes de conseguirem finalmente afastar os The Warriors, que desperdiçaram várias oportunidades e ainda acertaram no poste, numa noite de alguma sorte para a equipa de Broos, em Marraquexe.

“Entrámos muito bem, a circulação de bola estava boa, até marcarmos o primeiro golo (por intermédio de Tshepang Moremi). E depois, por uma razão ou outra, cometemos os mesmos erros dos jogos anteriores – maus passes, deixámos de ocupar as posições corretas", afirmou Hugo Broos.

“E assim damos oportunidade ao adversário para criar perigo. Se virem como é feito o primeiro golo, o jogador (Tawanda Maswanhise) passa por três ou quatro dos nossos jogadores sem que ninguém faça um corte. Se continuarmos a defender assim, vamos conceder golos em todos os jogos. Isto tem de acabar. Na segunda parte aconteceu o mesmo. Temos controlo da bola e marcamos o golo (por Lyle Foster), e de repente começamos a fazer coisas desnecessárias", acrescentou.

“Deixámos de conseguir segurar a bola; voltámos a jogar pelo centro, perdemos a posse e demos oportunidade ao Zimbabué de explorar as transições. Voltámos a ficar em apuros. OK, pode-se jogar um futebol ofensivo e atacante, mas também é preciso pensar em defender. Este é um problema para nós. Temos de corrigir isto nos seis dias antes do próximo jogo, para podermos voltar a lutar por não sofrer golos. Esse era um dos nossos pontos fortes na última CAN, mas agora é uma fraqueza. Temos de trabalhar nisso. Se continuarmos assim, será difícil vencer o próximo adversário", explicou Hugo Broos.

Os Bafana só vão conhecer o adversário dos oitavos de final esta quarta-feira, pois vão defrontar o segundo classificado do Grupo F, que será um entre os campeões em título Costa do Marfim, Camarões ou, menos provável, Moçambique.

A equipa de Hugo Broos ainda não atingiu o seu melhor, mas já demonstrou competência a ultrapassar as fases a eliminar há dois anos, quando conquistou a medalha de bronze, apenas caindo nas meias-finais frente à Nigéria nas grandes penalidades.

O técnico belga afirma que alguns dos seus jogadores precisam de um “abanão” e têm de elevar o seu nível.

“Não estou propriamente satisfeito com o desempenho ou com a forma como alguns jogadores se comportam no relvado”, disse.

“Desde o início do torneio, temos de perceber que a evolução que tivemos nos últimos dois ou três anos não garante que vamos ganhar jogos. Agora todos sabem que somos uma boa equipa, e a mentalidade dos adversários é completamente diferente. Temos de nos adaptar a isso. Vamos ter de jogar cada partida a 100% do nosso talento e das nossas qualidades. Se não o fizermos, vamos passar dificuldades. Se queremos ir longe nesta competição, é esta a mentalidade que precisamos. E se não a tivermos, tudo acabará muito depressa", assumiu.

O avançado do Burnley, Foster, marcou o seu segundo golo em três jogos, depois de ter sido alvo de algumas críticas antes do torneio, mas Broos garante que, se o seu avançado receber o apoio certo, vai marcar golos.

“Um avançado precisa de apoio, e quando não o tem torna-se difícil. Mas quando há movimentação à volta do Lyle, ele consegue aproveitar. É forte e rápido, e pode ser muito útil. No início do jogo esteve bem, depois começámos a jogar mal e tornou-se complicado para ele. Os passes à sua volta têm de ser melhores, o foco e a concentração também, e assim ele vai marcar, sempre", afirmou.

Hugo Broos fez uma alteração ao intervalo, lançando Bathusi Aubaas para o lugar de Yaya Sithole no centro do meio-campo, elogiando o impacto do suplente.

“O Bathusi esteve muito bem quando entrou. Tivemos mais velocidade na circulação, e os seus passes ajudaram-nos bastante. O Yaya estava um pouco... perdeu a bola com facilidade e tomou más decisões. Com o Bathusi tivemos mais segurança, tanto quando perdíamos a bola como quando a tínhamos. Fez uns excelentes 45 minutos", explicou o selecionador.

O jogo dos Bafana nos oitavos de final será disputado em Rabat, no domingo.