Os Bafana Bafana estiveram três vezes em vantagem no encontro antes de conseguirem finalmente afastar os The Warriors, que desperdiçaram várias oportunidades e ainda acertaram no poste, numa noite de alguma sorte para a equipa de Broos, em Marraquexe.
“Entrámos muito bem, a circulação de bola estava boa, até marcarmos o primeiro golo (por intermédio de Tshepang Moremi). E depois, por uma razão ou outra, cometemos os mesmos erros dos jogos anteriores – maus passes, deixámos de ocupar as posições corretas", afirmou Hugo Broos.
“E assim damos oportunidade ao adversário para criar perigo. Se virem como é feito o primeiro golo, o jogador (Tawanda Maswanhise) passa por três ou quatro dos nossos jogadores sem que ninguém faça um corte. Se continuarmos a defender assim, vamos conceder golos em todos os jogos. Isto tem de acabar. Na segunda parte aconteceu o mesmo. Temos controlo da bola e marcamos o golo (por Lyle Foster), e de repente começamos a fazer coisas desnecessárias", acrescentou.
“Deixámos de conseguir segurar a bola; voltámos a jogar pelo centro, perdemos a posse e demos oportunidade ao Zimbabué de explorar as transições. Voltámos a ficar em apuros. OK, pode-se jogar um futebol ofensivo e atacante, mas também é preciso pensar em defender. Este é um problema para nós. Temos de corrigir isto nos seis dias antes do próximo jogo, para podermos voltar a lutar por não sofrer golos. Esse era um dos nossos pontos fortes na última CAN, mas agora é uma fraqueza. Temos de trabalhar nisso. Se continuarmos assim, será difícil vencer o próximo adversário", explicou Hugo Broos.
Os Bafana só vão conhecer o adversário dos oitavos de final esta quarta-feira, pois vão defrontar o segundo classificado do Grupo F, que será um entre os campeões em título Costa do Marfim, Camarões ou, menos provável, Moçambique.
A equipa de Hugo Broos ainda não atingiu o seu melhor, mas já demonstrou competência a ultrapassar as fases a eliminar há dois anos, quando conquistou a medalha de bronze, apenas caindo nas meias-finais frente à Nigéria nas grandes penalidades.
O técnico belga afirma que alguns dos seus jogadores precisam de um “abanão” e têm de elevar o seu nível.
“Não estou propriamente satisfeito com o desempenho ou com a forma como alguns jogadores se comportam no relvado”, disse.
“Desde o início do torneio, temos de perceber que a evolução que tivemos nos últimos dois ou três anos não garante que vamos ganhar jogos. Agora todos sabem que somos uma boa equipa, e a mentalidade dos adversários é completamente diferente. Temos de nos adaptar a isso. Vamos ter de jogar cada partida a 100% do nosso talento e das nossas qualidades. Se não o fizermos, vamos passar dificuldades. Se queremos ir longe nesta competição, é esta a mentalidade que precisamos. E se não a tivermos, tudo acabará muito depressa", assumiu.
O avançado do Burnley, Foster, marcou o seu segundo golo em três jogos, depois de ter sido alvo de algumas críticas antes do torneio, mas Broos garante que, se o seu avançado receber o apoio certo, vai marcar golos.
“Um avançado precisa de apoio, e quando não o tem torna-se difícil. Mas quando há movimentação à volta do Lyle, ele consegue aproveitar. É forte e rápido, e pode ser muito útil. No início do jogo esteve bem, depois começámos a jogar mal e tornou-se complicado para ele. Os passes à sua volta têm de ser melhores, o foco e a concentração também, e assim ele vai marcar, sempre", afirmou.
Hugo Broos fez uma alteração ao intervalo, lançando Bathusi Aubaas para o lugar de Yaya Sithole no centro do meio-campo, elogiando o impacto do suplente.
“O Bathusi esteve muito bem quando entrou. Tivemos mais velocidade na circulação, e os seus passes ajudaram-nos bastante. O Yaya estava um pouco... perdeu a bola com facilidade e tomou más decisões. Com o Bathusi tivemos mais segurança, tanto quando perdíamos a bola como quando a tínhamos. Fez uns excelentes 45 minutos", explicou o selecionador.
O jogo dos Bafana nos oitavos de final será disputado em Rabat, no domingo.
