CAN-2025: "Nenhum país africano é tratado de forma preferencial", garante presidente da CAF

Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol
Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de FutebolSEBASTIEN BOZON / AFP

O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, garantiu esta quarta-feira que nenhum país africano está a ser tratado de maneira "preferencial" e elogiou "a independência" das suas instâncias disciplinares, após a decisão tomada na terça-feira de retirar, na secretaria, o título de campeão africano de 2025 ao Senegal e atribuí-lo ao Marrocos, país anfitrião.

"Nenhum país africano irá beneficiar de um tratamento mais preferencial, mais vantajoso ou mais favorável do que outro", afirmou o dirigente sul-africano numa declaração gravada, numa altura em que as autoridades senegalesas exigiram esta quarta-feira uma investigação internacional devido a "suspeitas de corrupção nas instâncias dirigentes da CAF".

"A sua independência (das instâncias disciplinares, nota do editor) reflete-se nas decisões tomadas pelas duas instâncias. A comissão de disciplina da CAF, uma única instância, tomou uma única decisão. A comissão de recurso da CAF adotou uma posição totalmente diferente", congratulou-se.

O júri de recurso da Confederação Africana de Futebol retirou na terça-feira, dois meses após uma final caótica, o título conquistado pelo Senegal na Taça das Nações Africanas para o atribuir ao Marrocos.

Em primeira instância, no final de janeiro, o júri disciplinar da CAF, sem pôr em causa o resultado final do jogo, aplicou uma série de sanções disciplinares, incluindo multas de várias centenas de milhares de euros, às federações dos dois países por comportamentos antidesportivos e violações dos princípios de fair-play.

"Já exprimi a minha profunda desilusão face aos incidentes ocorridos na final", recordou Motsepe.

"Comprometem o trabalho notável realizado pela CAF ao longo de muitos anos para garantir a integridade, o respeito, a ética, a governação e a credibilidade. Estes incidentes evidenciam as dificuldades persistentes relacionadas com a suspeição e a desconfiança", admitiu ainda.

"É um problema herdado do passado. Desde que assumi funções, uma das principais preocupações era a imparcialidade, a independência e o respeito pelos árbitros e pelos delegados de jogo", explicou.

"Disseram-me que o Senegal vai recorrer, o que é muito importante. Cada uma das 54 nações africanas tem o direito de recorrer e de defender os seus interesses", concluiu o dirigente, reafirmando o seu apoio ao direito dos países africanos de recorrer ao TAS, e esclarecendo que a CAF "respeitará a decisão tomada ao mais alto nível".