A Confederação Africana de Futebol (CAF) declarou Marrocos como campeão na terça-feira, depois de decidir que o Senegal perdeu a final de 18 de janeiro, em Rabat, por ter abandonado o relvado durante 14 minutos, em protesto contra um penálti potencialmente decisivo assinalado contra si.
Apesar de o Senegal ter regressado ao relvado e ter vencido por 1-0 após prolongamento, a Comissão de Recurso da CAF anulou esse resultado e atribuiu a Marrocos uma vitória por 3-0.
A Federação Senegalesa de Futebol anunciou que iria recorrer desta decisão "inédita e inaceitável" para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), enquanto a Federação Real Marroquina de Futebol considerou que a "aplicação rigorosa" do regulamento serviria o futebol africano.
As reações em Marrocos foram maioritariamente positivas, com os adeptos a saudarem uma decisão vista como justiça finalmente feita.
"A surpresa é que uma decisão justa tenha realmente sido tomada, mas se olharmos para a lógica por trás, é coerente e faz justiça à equipa que realmente merecia o título. Isto também cria um precedente: abandonar o relvado porque o jogo está a escapar não é aceitável", afirmou Abdelmalek Hamza, adepto marroquino em Casablanca.
"A decisão foi tomada com firmeza, e a seleção nacional, assim como o povo marroquino, merecem esta vitória e este título", acrescentou.
Oussama Ouaddich, residente em Rabate e presente no torneio, saudou o veredito: "Estou louco de alegria. Merecíamos este troféu. Depois de uma injustiça brutal, a justiça foi finalmente feita a Marrocos."
Prudência perante o recurso jurídico do Senegal
No entanto, alguns adeptos mantêm-se cautelosos, já que um eventual recurso para o TAS continua em aberto.
"Sinceramente, ainda não estou feliz. É preciso esperar para ver o que acontece com o recurso. A decisão não é definitiva", confidenciou Imane Fakhir, estudante universitária.
Omar Fallouji, apaixonado por futebol em Casablanca, acrescentou: "Felizmente, a CAF foi justa connosco, e espero que o troféu nos seja atribuído após o recurso da equipa senegalesa no TAS."
Outros mostram-se pouco preocupados com o recurso.
"A Taça tinha-nos sido roubada. A decisão da CAF corrigiu a situação e fez justiça ao povo marroquino", afirmou Mohammed Akherraz, advogado em Rabat.
"Recorrer da decisão... é apenas para ganhar tempo, mas esse direito não vai alterar o resultado", acrescentou.
Alguns marroquinos sublinharam a necessidade de evitar uma escalada de tensões com o Senegal.
"Enquanto marroquino, sim, estou orgulhoso. Mas o que mais desejo é que isto não se torne uma ferida entre os nossos povos", declarou Bilal Jouahri, empresário em Rabat.
"Deixemos os advogados, as comissões, as instituições fazerem o seu trabalho. A raiva e os insultos não servem para nada. O futebol alimenta-se de emoções, mas estas passam. É apenas um jogo e não deve alimentar o ódio", acrescentou.
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, defendeu a decisão na quarta-feira, sublinhando a importância de respeitar as decisões dos órgãos disciplinares e de recurso da organização, enquanto os jogadores senegaleses ridicularizaram a decisão nas redes sociais.
