As emoções da Taça de Portugal estão de regresso e aproxima-se o momento de ficarmos a conhecer os dois finalistas da edição deste ano.
Cerca de um mês e meio depois das partidas da primeira mão, que deixaram ambas as eliminatórias completamente em aberto, chegam agora as decisões. No Seixal, o pentacampeão nacional Benfica recebe o SC Braga com vantagem mínima (1-0), enquanto Vila Nova de Gaia será palco do duelo entre FC Porto e Vitória SC, num cenário que promete intensidade do primeiro até ao último minuto, depois de um primeiro duelo equilibrado (2-2).
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O Benfica tem sido uma força dominante dentro de portas. Vencedor das últimas cinco edições do campeonato nacional, o conjunto encarnado parte com ambição reforçada para garantir presença na terceira final consecutiva da Taça de Portugal.
A equipa orientada por Ivan Baptista quer também apagar da memória o desaire na final de 2024/25, quando saiu derrotada frente ao Torreense, no Jamor. Para isso, terá de ultrapassar um SC Braga habituado a discutir estes momentos, embora com dificuldades recentes para contrariar o poderio das águias.
O histórico entre as duas formações é elucidativo: em 25 confrontos, o Benfica leva clara vantagem, com 19 vitórias, contra apenas quatro triunfos do SC Braga, tendo vencido a primeira mão, no Amélia Morais, em Braga, graças a um golo de Caroline Moller.
"Nós não nos queremos agarrar a essa vantagem, porque é muito curta, muito escassa. Temos de encarar o jogo de uma forma diferente daquela que poderá ser tentar segurar essa vantagem. Recuperar as jogadoras, física e mentalmente, para conseguirmos dar já uma boa resposta", assumiu Ivan Baptista, em declarações aos canais oficiais do Benfica.
"São duas equipas idênticas na proposta de jogo. Naturalmente, com executantes diferentes, mas duas equipas que, daquilo que trazem para o jogo, têm várias parecenças. Sabemos que o SC Braga tem 90 minutos para inverter o resultado negativo da 1.ª mão. Nós temos 90 minutos para capitalizar esse resultado, não para o segurar", sustentou.

Já o germânico Marwin Bolz tem vivido uma autêntica montanha-russa de emoções na primeira época ao leme do SC Braga, com o 5.º lugar na Liga a refletir as dificuldades em encontrar consistência. Ainda assim, a confiança mantém-se para a deslocação ao Seixal.
"É uma meia-final, tudo pode acontecer. O Benfica sabe disso, nós também, queremos tirar vantagem deste sentimento especial. Não é todos os dias que jogas uma meia-final, queremos criar um ambiente competitivo e impor uma mentalidade vencedora e queremos fazê-los sentir da maneira que nós quisermos", perspetivou o treinador das arsenalistas.
"Queremos que o Benfica sinta essa pressão. Estamos em busca de algo e queremos ganhar em todos os aspetos e sinto que podemos ganhar em imensos aspetos neste jogo", reforçou.

Acompanhe o Vitória SC-FC Porto no Flashscore
Na outra meia-final, o recém-promovido Vitória SC, orientado por Ivo Roque, uma das grandes sensações do campeonato nacional, recebe o líder da segunda divisão portuguesa, o FC Porto, um projeto recente no feminino, nascido na 3.ª divisão na temporada passada, que caminha a passos largos para a estreia na principal divisão já na próxima época.
O conjunto vimaranense chegou a ter a eliminatória bem encaminhada, mas os últimos 15 minutos na Cidade Berço evidenciaram a capacidade de reação e resiliência da equipa portuense.
A formação orientada por Daniel Chaves recuperou de uma desvantagem de dois golos e restabeleceu a igualdade na eliminatória, deixando tudo em aberto para a decisão em casa.
"Há ainda muita história para contar. Espero que o meu nome esteja ligado a muitas conquistas do clube e é para isso que trabalho todos os dias." É este o tipo de mentalidade, retratado numa reportagem do Flashscore sobre o FC Porto, que marca o universo portista.
Clássico ou dérbi do Minho?
É neste contexto que Vitória SC e SC Braga entram em campo com um objetivo comum: travar um cenário que começa a ganhar forma. Do outro lado, Benfica e FC Porto perfilam-se para um duelo inédito no futebol feminino português, mas as equipas do Minho querem contrariar esse desfecho e manter viva a luta por um lugar no Jamor.
Bracarenses e vimaranenses sabem que têm pela frente um desafio exigente, mas também carregam argumentos e ambição suficientes para reescrever a história destas meias-finais.
Num duelo que extravasa rivalidades locais, está em causa não só a presença na final, mas também a possibilidade de impedir um capítulo inédito no futebol nacional, um Benfica-FC Porto, abrindo ainda a porta a um cenário igualmente inédito: um possível dérbi do Minho no Jamor.
