Racing Santander 0-2 Barcelona
Depois do que aconteceu ao Real Madrid em Albacete, Flick foi cauteloso e manteve vários titulares no onze. Não queria surpresas de espécie alguma. Ainda assim, a primeira surgiu quando o início do jogo foi adiado 16 minutos devido a um problema nos torniquetes de acesso ao estádio. Ficou claro, assim que a bola começou a rolar, que isso não afetou nenhuma das equipas, pois ambas impuseram um ritmo elevadíssimo desde o apito inicial.

O Barça queria resolver cedo, mas o líder da segunda divisão não se deixou intimidar. Corajoso, não hesitou em pressionar alto para dificultar a saída dos catalães e, ao mesmo tempo, lançar contra-ataques rápidos com a qualidade de Arana e a velocidade de Suleiman. Ainda assim, quem esteve mais perto de inaugurar o marcador foi Dani Olmo, que por muito pouco não chegou a um cruzamento venenoso de Rashford. Sem grande inspiração de drible do inglês e de Lamine Yamal pela outra ala, foi Koundé quem mais perigo criou com subidas constantes e certeiras. Já dos seus cruzamentos não se pode dizer o mesmo.
Assim, o Racing, sem grandes sobressaltos, não hesitou em avançar no terreno para ameaçar Joan García. Faltou quase sempre o último passe. E na única ocasião em que ultrapassou a última linha do Barça, Gulliahsvili rematou fraco e à figura. Isso não agradou a Flick, que pediu mais agressividade aos seus jogadores. Marc Bernal esteve perto de satisfazer o seu treinador, mas o seu remate em arco com o pé esquerdo saiu ao lado. Rashford também dispôs de outra oportunidade, mas Ezkieta opôs-se e evitou o golo. O intervalo chegou com o nulo no marcador.
O Barça entrou com outra intensidade na segunda parte. Logo de início, Rashford e Lamine Yamal obrigaram Ezkieta a aplicar-se, com o guarda-redes a resolver bem enquanto os seus colegas faziam o possível para travar o ímpeto blaugrana. Tirando um ou outro breve alívio, o cerco continuou, com os jogadores do Racing fechados até dentro da pequena área. Mantilla arriscou o físico, Ezkieta e a barra uniram esforços para evitar o golo de Lamine Yamal... e quando os da casa tentaram libertar-se um pouco da pressão, Fermín apanhou-os em contrapé, serviu Ferran e este finalizou como um verdadeiro craque para fazer o 0-1.
Era a vez do Racing mudar de mentalidade e de plano. E fê-lo, porque a equipa de José Alberto está bem trabalhada e não é líder por acaso. Chegou mesmo a marcar o golo do empate, mas Manex iniciou a jogada em posição irregular. Ficaram a ver navios. O mesmo aconteceu a Fermín e Lewandowski, a quem Ezkieta negou o golo com duas defesas de grande nível.
Flick não facilitou e terminou o jogo lançando Raphinha, Lewandowski e Pedri. O Barça não encontrou o golo da tranquilidade. Até Manex voltou a ver um segundo golo anulado, desta vez ao minuto 86. E se não fosse Joan García, que ganhou o duelo a Manex aos 90+4 minutos, quando este tinha o colega Andrés pronto para encostar, o jogo quase ia para prolongamento. Mas, já nos instantes finais, com o Racing totalmente balanceado no ataque, Lamine Yamal sentenciou a partida com um golo no último segundo. Já nem houve tempo para recomeçar. O campeão em título garantiu o apuramento para os quartos de final da Taça do Rei.
Burgos 0-2 Valencia
Burgos e Valencia protagonizaram mais um dos duelos entre equipas de diferentes divisões. Os anfitriões estão envolvidos na luta pelos lugares de play-off, que dão acesso à disputa por um lugar entre as vinte melhores equipas de Espanha. Os castelhanos já sabiam o que era eliminar um clube da LaLiga na Taça do Rei. Na eliminatória anterior, venceram o Getafe de Bordalás por 3-1.

Logo no início, percebeu-se que o jogo teria um ambiente à inglesa. A chuva intensa alagou o relvado e o futebol apoiado tornou-se mais difícil devido às condições meteorológicas.
O contexto da eliminatória não travou ninguém, muito menos Mollejo. A intensidade do avançado do Burgos fez-se notar nos primeiros cinco minutos. Isolou-se perante Dimitrievski, rematou contra o guarda-redes macedónio, apanhou a recarga e atirou por cima da barra.
A esperança de começar bem não durou muito em El Plantío. Um cruzamento perfeito para o coração da área terminou com o remate de Rubo, cruzado e indefensável para Jesús Ruiz.
O golo não desanimou o Burgos, que continuou à procura da baliza adversária. Mollejo, um dos destaques, serviu um excelente cruzamento que Mejía cabeceou à procura do ângulo. Foram apenas alguns centímetros que afastaram o avançado colombiano do prémio e impediram o Burgos de chegar ao empate antes do intervalo.
Fiel ao seu lema, o conjunto valencianista entrou na segunda parte decidido a sentenciar após o intervalo e não demorou a fazer mossa. Primeiro, Diego López ameaçou com um remate que saiu perto do poste e, depois, uma combinação de velhos conhecidos do Almería, que se reencontraram pela primeira vez na equipa visitante, desfez a defesa local.
Ramazani tocou subtilmente a bola para isolar Sadiq, que ficou sozinho perante o guarda-redes da casa. O nigeriano, inspirado sempre que veste esta camisola, finalizou de trivela para fazer o 0-2.
Com a vantagem, o Valencia recuou no seu meio-campo e o Burgos lançou tudo o que tinha contra Dimitrievski. As oportunidades claras não apareciam e nem o guarda-redes balcânico nem a defesa che pareciam acusar o nervosismo.
Kevin Appin, que saiu do banco, quase assustou os visitantes com um remate ao ferro. Pelo que fez, o Burgos merecia o golo, mas não conseguia transformar as inúmeras aproximações em verdadeiro perigo. O próprio Appin ainda teve outra oportunidade, num cabeceamento em mergulho que encontrou os pés de Dimitrievski. A solidez do Valencia manteve a baliza inviolada e carimbou o passaporte para os quartos de final.

