Libertadores: Abel Ferreira, o rei Midas do Palmeiras quer recuperar o toque de ouro

Abel Ferreira atrás do tri na Libertadores
Abel Ferreira atrás do tri na LibertadoresCesar Greco/Palmeiras

O toque de alquimista de Abel Ferreira transformou em ouro o Palmeiras, que este sábado vai à procura do seu terceiro título da Taça Libertadores frente ao Flamengo.

Acompanhe a final da Libertadores com relato ao vivo do Flashscore

A final, no entanto, chega num momento difícil para o Verdão, que vem de cinco jogos sem vencer, uma sequência negativa que está a ponto de custar o título do Brasileirão, agora muito próximo do rival Rubro-Negro.

"Uma coisa é o futebol brasileiro (...) outra coisa é a Libertadores. São campeonatos completamente diferentes", advertiu Abel em conferência de imprensa após a derrota com o Grémio.

Mas além do atual contexto, o treinador de 46 anos foi o arquiteto da era mais vitoriosa do Palmeiras. Quando chegou ao Brasil, há cinco anos, era impossível imaginar o impacto que teria este jovem técnico, que até então só tinha passagens por SC BragaPAOK, da Grécia, sem títulos, além de ter trabalhado na formação do Sporting.

Agora, Abel pode tornar-se o terceiro técnico a ter três títulos da Libertadores, depois de vencer a competição com o Palmeiras em 2020 e 2021.

O argentino Carlos Bianchi levantou o troféu em quatro ocasiões, uma com o Vélez Sarsfield (1994) e três com o Boca Juniors (2000, 2001 e 2003); e outra lenda do futebol da Argentina, o falecido Osvaldo Zubeldía, conquistou três títulos consecutivos com o Independiente (1968, 1969 e 1970).

"Cinco anos mágicos"

"Nunca imaginei que esta jornada fosse tão longa", comentou o próprio Abel no início de novembro, quando o Palmeiras o homenageou por completar cinco anos no clube.

Polémico nas conferências, com reclamações em torno da arbitragem e discussões com jornalistas, o português é o técnico com mais tempo de cargo no futebol brasileiro. Só três outros treinadores estão há mais de um ano na sua atual equipa: Filipe Luís (adversário na final da Libertadores), Rogério Ceni (Bahia) e Léo Condé (Ceará).

Nesse período, foram quase 400 jogos, mais de 200 vitórias e 10 títulos, entre eles o bicampeonato brasileiro em 2022 e 2023. Poucos dias antes da homenagem, o Palmeiras operou um milagre na meia-final da Libertadores, ao golear a LDU Quito por 4-0 na segunda mão, depois de perder por 3-0 no Equador. Na véspera, Abel tinha prometido "uma noite mágica".

"Eu costumo dizer que são mágicos estes cinco anos connosco", disse a presidente do clube paulista, Leila Pereira.

Contrato na mesa

Apesar da enorme força económica do Palmeiras, Abel soube dar espaço a jovens talentos formados no clube, como Endrick e Estêvão.

"Na primeira vez que subi, ele chegou e falou: se não marcar o lateral, não vai jogar. Foi onde amadureci, ele ensinou-me a jogar taticamente. É agradecer a Deus por ter colocado o Abel e o Palmeiras na minha vida", declarou Estêvão quando se despediu da equipa para se transferir para o Chelsea.

Com o plantel finalista da Libertadores, recuperou a melhor versão do avançado Vitor Roque, de 20 anos, após a decepcionante passagem pela Espanha, no Barcelona e no Betis.

A renovação de contrato de Abel Ferreira, que termina em dezembro, foi confirmada nos últimos dias, entre altos e baixos na relação com os adeptos. O treinador já recusou propostas de Nottingham Forest e Wolverhampton.

"São cinco anos, mas parece que são cinco meses, parece que passou tudo tão rápido. Vamos continuar juntos e que possamos continuar a fazer o nosso clube cada vez maior. É uma honra e um privilégio", disse o português.

Agora, o momento é de pressão.