Em 27 de julho de 2016, O Atlético Nacional atingiu o topo da América pela segunda vez na sua história. Essa equipa orientada por Reinaldo Rueda dominou a Copa Libertadores, aliou talento, intensidade e autoridade, e fechou uma campanha memorável diante do Independiente del Valle. No entanto, o que então parecia o início de uma nova era acabou por se tornar a última grande recordação internacional do futebol colombiano.
O golpe mais recente foi sofrido pelo Deportes Tolima, que foi eliminado da Libertadores após perder frente ao Independiente del Valle na segunda mão da eliminatória.
Apenas o Deportivo Pereira chegou aos quartos de final
Praticamente uma década depois do título do Atlético Nacional, nenhum clube do país voltou a aproximar-se das fases decisivas da competição. A estatística mais contundente é também a mais dolorosa: desde essa consagração, apenas o Deportivo Pereira, em 2023, conseguiu chegar aos quartos de final. O conjunto matecaña surpreendeu na sua estreia, eliminou o Independiente del Valle e acabou por cair diante do Palmeiras, mas o seu percurso foi uma exceção numa sucessão de fracassos.
Atlético Nacional, Millonarios, Junior, Santa Fe, América de Cali, Deportivo Cali, Deportes Tolima, Independiente Medellín, Águilas Doradas e Atlético Bucaramanga representaram o país durante este período. Alguns nem sequer ultrapassaram as fases preliminares; outros ficaram-se pela fase de grupos e poucos chegaram aos oitavos de final. Nenhum conseguiu construir uma campanha capaz de o colocar de forma consistente entre os candidatos.
Demasiados representantes... poucos resultados
O problema vai além dos resultados pontuais. Os campeões colombianos costumam desfazer os seus plantéis antes de competir internacionalmente, vendem os seus melhores jogadores e enfrentam a Libertadores com plantéis inferiores aos que garantiram a qualificação. A isto juntam-se as constantes mudanças de treinador, a falta de continuidade nos projetos e um calendário nacional que premeia o sucesso imediato, mas dificulta o planeamento a longo prazo.
A distância económica para o Brasil é enorme, mas não explica, por si só, tamanho retrocesso. Clubes do Equador, Paraguai e Uruguai, com orçamentos mais modestos, conseguiram competir, chegar a fases decisivas e até disputar finais. O Independiente del Valle, a Liga de Quito, o Barcelona de Guayaquil, o Olimpia e o Peñarol demonstraram que uma estrutura sólida, uma boa captação de talento e uma identidade reconhecível podem reduzir as diferenças financeiras.

Na Colômbia, acontece o oposto: cada participação parece começar do zero. As equipas mudam de treinador, modelo de jogo e espinha dorsal com demasiada facilidade. Quando chega a Libertadores, abundam as improvisações e escasseiam os plantéis preparados para aguentar o ritmo, a pressão e a exigência de uma competição cada vez mais dominada pelas potências brasileiras.
O título do Nacional em 2016 foi uma obra extraordinária, mas também acabou por esconder durante algum tempo o declínio geral. 10 anos depois, essa conquista já não serve de referência para o presente, mas sim como prova de tudo o que se perdeu. O futebol colombiano passou de levantar a taça a celebrar como feito a qualificação para uns oitavos de final. E enquanto não construir projetos estáveis, conservar as suas figuras e levar a sério a competição continental, a Libertadores continuará a ser um palco para recordar glórias passadas e confirmar fracassos atuais.
