Feminino: Elin Sørum aborda a campanha europeia de sonho do Hammarby e lembra estreia com o Sporting

"É quase surreal", chegada em janeiro ao Hammarby, Elin Sørum vive uma campanha europeia relâmpago
"É quase surreal", chegada em janeiro ao Hammarby, Elin Sørum vive uma campanha europeia relâmpagoCredit: TT News Agency, TT News Agency / Alamy / Profimedia

Depois de vencerem por 3-2 fora frente ao Sparta Praga, as jogadoras do Hammarby partem para a segunda mão da meia-final da Taça Europa com uma ligeira vantagem, mas sem margem de erro. Chegada ao clube sueco em janeiro, Elin Sørum já está a descobrir os palcos europeus e desfruta de uma aventura que descreve como "quase surreal", estando talvez a 90 minutos de uma final.

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- Têm a vantagem de jogar em casa na segunda mão e um golo de vantagem, mas o Sparta é conhecido pela sua força nos jogos fora, como se viu frente aos Young Boys. Como se prepararam para isso?

- Sabemos que são muito fortes fora de casa, por isso será inevitavelmente um jogo complicado. Da nossa parte, ficámos um pouco desiludidas com a nossa exibição na primeira mão. Claro que vencemos, e é sempre difícil ganhar fora na Europa, mas a nossa motivação é apresentar uma exibição melhor desta vez. Queremos vencer por nós, mas também pelos adeptos que vêm apoiar-nos.

Falando da Fanny Peterson, ela tem estado impressionante no campeonato e voltou a marcar frente ao Sparta, apesar da sua juventude. É a vossa principal arma para este jogo?

- Temos muitas boas jogadoras. A Fanny é obviamente uma delas, e é tão jovem que às vezes até nos esquecemos disso ao vê-la jogar assim. Tem um pé fantástico, marca golos incríveis e foi ela que apontou o golo decisivo na semana passada. É claramente uma arma para nós, mas temos outros talentos; não é só ela. Mas sim, é uma jogadora a ter em conta, porque prova jogo após jogo que é excelente.

- O que significaria para ti e para o Hammarby chegar à final?

- Significaria imenso. Queremos ser competitivas em todas as frentes, e a Europa é um objetivo principal para nós. Queremos brilhar no campeonato para podermos voltar a jogar na Europa no próximo ano e, depois de termos chegado à final da Taça da Suécia, queremos mesmo repetir o feito a nível europeu.

- Chegaste ao clube em janeiro. Como tens vivido esta experiência na Taça Europa até agora?

- É quase surreal. O meu primeiro jogo oficial foi logo nos quartos de final contra o Sporting. Talvez ainda não tenha percebido totalmente que estamos a disputar estes jogos europeus tão importantes tão cedo na época. Mas foi precisamente por isso que vim para aqui: quero lutar por títulos. É uma oportunidade enorme para nós e estamos muito motivadas.

- Sendo o Sparta perigoso fora de casa, vão tentar fechar o jogo ou pretendem "defender ao atacar", procurando marcar?

- Como disse, queremos fazer melhor do que na primeira mão. Para nós, só há uma forma de jogar: queremos atacar e vencer este jogo também. Ninguém aqui pensa em defender durante 90 minutos à espera que isso chegue para ir à final. Queremos mostrar o nosso melhor futebol, um futebol espetacular para os nossos adeptos. O nosso único objetivo é atacar e conquistar a vitória.

- Há alguma jogadora que trabalhe mais na sombra, um pouco subvalorizada, que devamos observar?

- Não diria que passa despercebida, mas penso na Emilie Joramo. Faz imensas coisas que não são propriamente "espetaculares" ou que não aparecem no marcador, como marcar golos incríveis. Mas o trabalho que faz, as suas corridas, o contributo defensivo e a capacidade de iniciar ataques com os seus passes são fundamentais. É muito importante para nós; as pessoas na Suécia sabem-no, mas ela merece que todos percebam o quão grande jogadora é.

- Só disputaram um jogo do campeonato desde o início da época e já estão tão perto de uma final europeia. É um ritmo estranho de gerir?

- Recomeçámos o campeonato no domingo passado e foi estranho, porque parece que já estamos em competição há dois meses. Não foi propriamente uma sensação de "início de época". No entanto, é importante jogar regularmente para manter o ritmo dos jogos. Pessoalmente, adoro ter muitos jogos para disputar, é isso que procuro.

- Marcaste e assististe na primeira mão. Achas que esta competição é uma montra para te mostrares ao resto da Europa?

- Sem dúvida. O palco europeu é o local ideal para mostrar o nosso nível, porque aqui jogam-se sempre partidas de grande importância. Os grandes clubes estão atentos a esta competição para recrutar. Só estou aqui há três meses, por isso estou totalmente focada no Hammarby, mas é gratificante mostrar do que sou capaz, não só na Suécia, mas também na Europa.

- Diz-se muitas vezes que os adeptos do Hammarby são os melhores da Europa no futebol feminino. Isso dá-vos uma vantagem extra para a segunda mão?

- Sem dúvida. Quando cheguei, fiquei surpreendida com a sua paixão. No meu primeiro jogo frente ao Sporting, foi a primeira vez em muito tempo que me senti nervosa antes de um jogo, tal era a quantidade de pessoas que queria ver-nos ter sucesso. Mas temos de usar isso a nosso favor para ir buscar energia e lutar pela vitória na quinta-feira. Ajudam-nos imenso, sobretudo nos momentos de maior cansaço.

- Várias jogadoras importantes saíram para Inglaterra neste inverno. Como é que o clube geriu essas perdas?

- É assim que o futebol funciona: se jogas bem, os maiores clubes interessam-se por ti e aproveitas a oportunidade. Éramos um grupo muito novo em janeiro, mas tivemos tempo para construir bases sólidas. Claro que perder tantas boas jogadoras é difícil, mas as novas contratações já mostraram o seu potencial. Construímos algo positivo nestes últimos três meses e temos de continuar neste caminho.