"Fui-me mentalizando que esta poderia ser a minha última época. Acabou por se concretizar porque não quis renovar desportivamente o contrato e não me via a jogar noutra equipa em Portugal, e também não tinha disponibilidade mental para emigrar. Na verdade, parece que ainda estou a usufruir das férias que todos os meus ex-colegas também estão a usufruir. Ou seja, ainda não me caiu a ficha", lançou o fixo em entrevista à Lusa.
Hoje com 39 anos, João Matos estreou-se como sénior no Sporting em 2005/06, e permaneceu nos leões durante duas décadas, sendo recordista com mais de 800 jogos disputados e 40 títulos conquistados, com destaque para as três Champions erguidas, a mais recente na última temporada.
Também representou a seleção portuguesa, durante mais de 15 anos, e, com 213 jogos disputados, tornou-se o mais internacional de sempre da equipa das quinas, com a qual conquistou quatro títulos, dois Europeus, um Mundial e uma Finalíssima.
"Nem nos meus melhores sonhos pensaria que fosse possível alcançar aquilo que eu alcancei. A verdade é esta. Nunca sonhei em representar a seleção portuguesa, nunca sonhei em pisar um palco numa Champions, e o que é certo é que ao fim de muitos anos conquisto tudo o que há para conquistar, algumas delas mais do que uma vez, e ser campeão do mundo, ser campeão da Europa por clubes, ser bicampeão por uma seleção é fantástico", destacou.
Questionado sobre quais os momentos mais especiais da longa e rica carreira, João Matos apontou para o Mundial ganho por Portugal em 2021, e para a primeira Liga dos Campeões vencida pelo Sporting, em 2018/19.
"Ganhar o Mundial é a maior conquista de todas, no sentido em que ninguém neste planeta é superior a nós, superior a Portugal, e isso sem dúvida é um marco muito importante. E o desbloquear da primeira Champions pelo Sporting, que foi um virar de página muito importante na minha carreira", vincou.
Sobre o futuro próximo, João Matos avançou que já tem "algumas coisas cozinhadas", desvendando que pretende começar a trabalhar "diretamente com federações" de futsal de outros países.
"Quero trazer federações a Portugal, é um dos meus objetivos, seja para momentos competitivos, seja para torneios, seja para estagiar. E oferecer aos jovens a oportunidade de conviver com seleções internacionais", sublinhou.
Além disso, o ex-jogador quer "fazer uma tour pelo país" para transmitir tudo o que a alta competição lhe ensinou, apostando na sua experiência e dotes comunicacionais para distribuir conhecimento.
"Acredito que ainda tenho muito a dar a esta modalidade que foi a minha vida. Todos os anos de capitão, de liderança, de espírito de grupo, de superação, acho que todas estas valências têm de ser passadas aos mais jovens, indo de clube em clube, de terra em terra, estando perto dos jovens, dinamizando a minha modalidade e podendo acrescentar valor", afirmou o histórico jogador.
Com o pendurar das botas, João Matos vai também dedicar-se à área da preparação física e do treino de futsal, adiantando que vai finalizar os cursos de treinador e de personal trainer, para estar preparado para assumir diferentes funções.
"Um retorno, não sei em que prazo, mas um retorno à modalidade, seja numa ótica diretiva, ou como técnico, é extremamente possível. Neste momento, não faz parte dos meus planos porque não apareceu essa porta, essa oportunidade de ingressar numa estrutura. Vou fazer por ganhar conhecimento para que um dia, se isso acontecer, estar o mais preparado possível", rematou.
