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Imprensa chinesa critica Real Madrid por “equiparar” Tibete e Nepal após cheias

Mbappé em duelo com Ángel Recio
Mbappé em duelo com Ángel RecioReuters

A imprensa estatal chinesa criticou esta quarta-feira o clube de futebol Real Madrid por uma publicação em memória das vítimas das cheias no Nepal e no Tibete, considerando “incorreta” a referência conjunta aos dois territórios.

O clube espanhol publicou na terça-feira, na conta oficial na rede social Instagram, uma mensagem relativa ao minuto de silêncio realizado no estádio Santiago Bernabéu “em memória das vítimas das terríveis cheias que atingiram o Nepal e o Tibete”, antes do jogo do último fim de semana contra o Málaga.

Após a publicação, órgãos de comunicação chineses criticaram a formulação, considerando que equiparava o Tibete a um país independente, como o Nepal.

O tema chegou a figurar entre os mais comentados na rede social chinesa Weibo, semelhante ao X, que está bloqueado na China.

O Global Times, jornal em língua inglesa ligado ao Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), afirmou que a formulação utilizada pelo Real Madrid “alimenta, na essência, discursos separatistas dissimulados” e classificou a mensagem do clube como “errada”.

O jornal considerou que o Real Madrid “equiparou” o Tibete e o Nepal ao incluir ambos na mesma referência e defendeu a utilização das designações adotadas pelas autoridades chinesas, como “Xizang”, transliteração do nome chinês da região, ou “Tibete da China”.

Uma etiqueta (hashtag) criada no Weibo pelo jornal oficial Beijing Daily, intitulada “Real Madrid coloca Tibete e Nepal na mesma lista e recusa-se a corrigir”, e na qual participaram mais de 20 órgãos de comunicação social, chegou nas últimas horas ao 11.º lugar entre os temas mais populares na plataforma.

O Tibete é uma região autónoma do sudoeste da China sob controlo de Pequim desde a década de 1950, cuja situação política, cultural e religiosa tem sido alvo de críticas por parte de alguns países, incluindo os Estados Unidos, assim como da União Europeia, das Nações Unidas e de organizações de defesa dos direitos humanos.

As cheias de 26 de agosto, provocadas pelo colapso de um glaciar no Nepal, desencadearam uma massa de gelo, rochas e lama que atingiu o condado de Gyirong e destruiu uma passagem fronteiriça entre o Nepal e a região chinesa do Tibete.

Segundo os mais recentes balanços divulgados separadamente pelas autoridades do Nepal e da China, a catástrofe provocou mais de mil mortos e deixou mais de 4.000 pessoas desaparecidas.


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