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Jorge Braz alerta para a necessidade de repensar práticas desportivas

Jorge Braz é o selecionador nacional
Jorge Braz é o selecionador nacionalFPF

O selecionador português de futsal, Jorge Braz, alertou na terça-feira para a necessidade de fomentar a prática desportiva ao invés da competição, destacando a importância transversal de incutir princípios e valores nos atletas de todas as modalidades.

Após um périplo pelas escolas do concelho de Chaves, no distrito de Vila Real, onde partilhou o seu percurso com alunos do sétimo ao nono ano de escolaridade, Jorge Braz terminou o dia no quarteirão cultural da cidade transmontana para falar de excelência, liderança e superação na alta competição, no âmbito da Semana Europeia do Desporto.

O selecionador da seleção de futsal colocou a tónica no processo, no compromisso diário e na essência da prática desportiva, alertando para uma “cegueira” coletiva pelo topo, que contrasta com a grande responsabilidade de repensar as oportunidades a dar às crianças e jovens, numa altura em que se regista um decréscimo de atletas federados.

“No fundo, é não esquecermos a génese, é não esquecermos o ‘core’ disto tudo, a prática: como proporcionamos essa prática, feliz, motivadora, mas que crie paixão. Acho que andamos aqui um bocadinho distraídos, os miúdos hoje têm tanta oferta, tanta coisa, olham para esta prática desportiva com olhos diferentes, segundo várias perspetivas. Temos de nos saber situar, como proporcionamos essas oportunidades qualificadas, mas não muito balizadas, para que no fundo possamos ter muita gente a praticar e depois seguirem para caminhos, de alto rendimento ou não”, reiterou Jorge Braz à agência Lusa, à margem do colóquio “Da alta competição à longevidade”, promovido pelo município de Chaves.

O selecionador alertou ainda para a importância de ter em mente, mesmo no alto rendimento, que o foco deve ser a qualidade da prática desportiva, relembrando que os treinadores existem “para os atletas, para quem pratica desporto”.

Em determinadas idades, acrescentou, “é decisivo” para que, depois, a prática se torne em paixão e os técnicos possam encaminhar os jovens atletas “para outras vertentes”.

“Os grandes campeões são todos muito exemplares como pessoas. A ver se não nos esquecemos disso, especialmente no início, quando proporcionamos prática desportiva aos meninos e meninas”, alertou.

Neste contexto, o treinador do Chaves, Vítor Martins, lançou o repto de permitir às crianças uma descoberta do desporto com “brincadeiras”.

“A nossa grande missão é incentivar a atividade desportiva, que haja uma paixão, independentemente da modalidade, mas sobretudo que haja tempo para brincar e, depois, deixar as crianças fazerem o seu caminho”, reiterou.

Para o técnico, nunca se deve “deixar que a base se inverta, que haja mais atletas profissionais do que praticantes apaixonados, que não vão chegar à alta competição, mas que vão continuar a inspirar” os seus pares.

Para que isto aconteça, Vítor Martins frisou a importância de fomentar princípios e valores desde tenra idade, destacando que esta responsabilidade começa em quem tem mais visibilidade no mundo do desporto.

“Acho que nos compete a todos vestir esta camisola de incentivar à prática desportiva, de incentivar a representar muito bem esta atividade tão saudável que é praticar o desporto brincando, primeiramente brincando, depois cá estarão os ‘mauzões’ para exigir resultados, os treinadores e os adeptos”, afirmou à Lusa.

Por outro lado, a coordenadora nacional de ‘walking football’, Rute Silva, destacou a importância da prática desportiva em idades mais avançadas que, tal como na infância, funciona como uma responsabilidade social, a par de um compromisso com a saúde física e mental dos praticantes.

“O ‘walking football’ tem trazido à população o voltar a ter amigos, a ter novas rotinas, novos hábitos, terem com quem falar. Tem sido um suporte na melhoria da saúde mental para estas pessoas e tem sensibilizado populações, daí que o crescimento tenha sido tão acentuado, principalmente nos municípios, que têm sido ótimos parceiros”, frisou a responsável.

Numa modalidade que já conta com cerca de 4.000 praticantes, não se olha, apenas, “para a vertente recreativa, para pessoas que nunca jogaram futebol, mas também para a parte competitiva, de envolver novamente ex-praticantes”, incluindo antigos futebolistas e pessoas com deficiência.

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