José Poeira deixa de ser selecionador de ciclismo de estrada após 25 anos no cargo

José Poeira
José PoeiraFederação Portuguesa de Ciclismo

José Poeira vai deixar de ser selecionador nacional de estrada após quase 25 anos no cargo, anunciou esta sexta-feira o antigo ciclista, em comunicado enviado à agência Lusa, no qual enaltece o orgulho no seu percurso.

“Após 30 anos ao serviço da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), comuniquei a minha vontade de deixar o cargo de selecionador nacional”, lê-se na nota enviada à Lusa.

Aos 66 anos, José Poeira vai reformar-se e mostra-se “muito orgulhoso” do percurso que trilhou na FPC, onde começou como massagista e se tornou selecionador nacional de elite em 2001, já depois de ter ocupado o mesmo cargo nos juniores desde 1997.

“Tive o privilégio de acompanhar diversas gerações de ciclistas, desde as camadas jovens até ao profissionalismo. Ajudei meninos a serem homens e homens a tornarem-se campeões. Sempre interpretei a minha missão como a representação do país e sempre coloquei os interesses nacionais acima de tudo”, destaca.

Na sua mensagem de despedida, Poeira agradece à FPC e ao Comité Olímpico de Portugal – esteve em seis Jogos Olímpicos como selecionador e nos de Atlanta1996 como massagista - pela confiança que em si depositaram.

“Devo uma palavra de reconhecimento a todos os profissionais que fizeram parte das minhas equipas técnicas, porque sempre deram tudo pela nossa missão, colocando os interesses do ciclismo e do país acima dos interesses pessoais”, salientou.

Obreiro dos maiores feitos das seleções nacionais na estrada, o odemirense, que deixou de ser ciclista em 1991, agradeceu ainda a todos os corredores com quem teve a oportunidade de trabalhar.

“Juntos, fizemos história no ciclismo e no desporto português”, completou.

Como selecionador, Poeira viu Rui Costa sagrar-se campeão mundial de fundo em 2013, um título único no ciclismo nacional, que celebrou também a medalha de prata de Sérgio Paulinho nos Jogos Olímpicos Atenas-2004.

Entre outros feitos destaque também para a conquista da Taça das Nações de sub-23, em 2008, e os títulos de vice-campeão mundial de António Morgado em júnior (2022) e sub-23 (2023) e do duas vezes diplomado olímpico Nelson Oliveira no contrarrelógio de sub-23 em 2009.

“Chegou agora o tempo de usufruir do ciclismo enquanto adepto e de viver tempo de qualidade com a família, que foi sempre o núcleo que mais sofreu devido ao meu compromisso com o ciclismo”, concluiu o comunicado enviado à Lusa.