Pelo menos seis alegadas vítimas apresentaram queixa contra o suspeito, que os agentes espanhóis detiveram em Madrid "como presumível autor dos crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação de documentos e burla", segundo indicou a Polícia Nacional em comunicado.
De acordo com a investigação, o detido oferecia aos jovens a possibilidade de viajar para Espanha, obter a documentação necessária e conseguir jogar em alguns dos clubes de futebol mais prestigiados graças aos seus supostos contactos.
Para tratar dos procedimentos, pedia às vítimas, na sua maioria com poucos recursos económicos, quantias que podiam chegar aos 3.000 euros.
Já em Espanha, no entanto, os jovens mal conseguiam acesso a testes em equipas de escalões inferiores e, por não conseguirem obter as licenças federativas necessárias, muitos ficavam sem recursos e em situação de total desamparo.
Alguns deles, segundo relatou a polícia, chegaram a passar noites na rua ou a pedir empréstimos para tentar devolver as quantias exigidas.
Dois testemunhos foram alerta
A investigação começou após o alerta de dois testemunhos. O suspeito contactava os jovens no seu país de origem ao saber, através do seu círculo desportivo, da sua ambição de se tornarem futebolistas profissionais.
Depois garantia-lhes que tinha contactos nestes destacados clubes espanhóis, através dos quais podia facilitar o seu acesso e a obtenção de documentação.
Para o demonstrar, apresentava-lhes uma série de "compromissos de convite" que supostamente teriam sido emitidos pelos clubes, assegurando a sua integração na equipa principal durante três meses. No entanto, estes documentos revelaram-se falsos, conforme confirmou a polícia após consultar estas entidades.
Da mesma forma, o detido instruía os jovens sobre o que deviam dizer nos controlos fronteiriços.
Durante a investigação, os agentes tiveram conhecimento da captação de futebolistas através do mesmo método para os levar a outros países europeus como Itália, segundo indicaram no comunicado.
