O tribunal de San Isidro, a norte de Buenos Aires, analisa desde abril se as condições do internamento domiciliário de Maradona eram adequadas. O antigo futebolista encontrava-se a recuperar de uma operação à cabeça quando morreu, em 2020, aos 60 anos, devido a uma paragem cardiorrespiratória e a um edema pulmonar.
"Acusam-me de omissões relativamente às quais nunca recebi qualquer pedido. Como posso omitir algo que não me pediram?", questionou a coordenadora médica do internamento, Nancy Forlini, uma das sete pessoas da área médica constituídas arguidas.
Acusada de não fornecer os materiais e o pessoal necessários, Forlini responsabilizou a psiquiatra Agustina Cosachov e o neurocirurgião Leopoldo Luque, também acusados no processo: "Ela disse-me que todas as decisões passavam por eles (...), tinham todo o poder".
Os profissionais são acusados de homicídio com dolo eventual, uma figura jurídica que implica que estavam conscientes de que as suas ações ou omissões podiam conduzir à morte do capitão da seleção argentina campeã no México-1986.
Luque, apresentado como médico assistente, negou ter controlado o internamento e responsabilizou Forlini.
Ela "diz permanentemente 'os médicos assistentes', mas comunica com Cosachov, não comunica comigo", defendeu-se Luque. "Eu fazia o acompanhamento de neurocirurgia (...) não era o médico assistente", sublinhou.
Luque afirmou que a sua participação se limitou ao acompanhamento da neurocirurgia devido a um hematoma subdural a que Maradona tinha sido submetido em 3 de novembro de 2020, 22 dias antes de morrer, e atribuiu o controlo clínico a Pedro Di Spagna, também arguido.
Di Spagna negou, por sua vez, ter sido o médico clínico responsável e garantiu que nem sequer conseguiu ter acesso ao paciente nas duas últimas vezes em que tentou avaliá-lo.
"Fiquei frustrado por não conseguir fazer o meu trabalho, mas disseram-me para ir embora", recordou Di Spagna sobre uma visita, a 18 de novembro, à casa em Tigre, nos arredores de Buenos Aires, onde o antigo futebolista recuperava.
A psiquiatra Cosachov admitiu que houve problemas desde a alta da Clínica Olivos, onde Maradona tinha sido operado.
"Pedi sempre um médico clínico. No dia 12 ou 13 (de novembro) começou já a existir algum mal-entendido" com o seguro de saúde, declarou, responsabilizando Forlini.
Todos os arguidos clamam inocência, perante uma acusação que prevê penas de até 25 anos de prisão.
As alegações finais começarão a 8 de outubro e prolongar-se-ão por seis sessões, até dia 22.
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