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Julgamento pela morte de Maradona marcado por acusações entre arguidos

Francisco Oneto, advogado de Leopoldo Luque, um dos principais arguidos
Francisco Oneto, advogado de Leopoldo Luque, um dos principais arguidosLuciano González / ANADOLU / Anadolu via AFP

O julgamento que procura determinar responsabilidades pela morte de Diego Maradona entrou, esta terça-feira, numa nova disputa entre os arguidos, que rejeitaram as culpas e se acusaram mutuamente pela assistência médica que o ídolo do futebol recebeu.

O tribunal de San Isidro, a norte de Buenos Aires, analisa desde abril se as condições do internamento domiciliário de Maradona eram adequadas. O antigo futebolista encontrava-se a recuperar de uma operação à cabeça quando morreu, em 2020, aos 60 anos, devido a uma paragem cardiorrespiratória e a um edema pulmonar.

"Acusam-me de omissões relativamente às quais nunca recebi qualquer pedido. Como posso omitir algo que não me pediram?", questionou a coordenadora médica do internamento, Nancy Forlini, uma das sete pessoas da área médica constituídas arguidas.

Acusada de não fornecer os materiais e o pessoal necessários, Forlini responsabilizou a psiquiatra Agustina Cosachov e o neurocirurgião Leopoldo Luque, também acusados no processo: "Ela disse-me que todas as decisões passavam por eles (...), tinham todo o poder".

Os profissionais são acusados de homicídio com dolo eventual, uma figura jurídica que implica que estavam conscientes de que as suas ações ou omissões podiam conduzir à morte do capitão da seleção argentina campeã no México-1986.

Luque, apresentado como médico assistente, negou ter controlado o internamento e responsabilizou Forlini.

Ela "diz permanentemente 'os médicos assistentes', mas comunica com Cosachov, não comunica comigo", defendeu-se Luque. "Eu fazia o acompanhamento de neurocirurgia (...) não era o médico assistente", sublinhou.

Luque afirmou que a sua participação se limitou ao acompanhamento da neurocirurgia devido a um hematoma subdural a que Maradona tinha sido submetido em 3 de novembro de 2020, 22 dias antes de morrer, e atribuiu o controlo clínico a Pedro Di Spagna, também arguido.

Di Spagna negou, por sua vez, ter sido o médico clínico responsável e garantiu que nem sequer conseguiu ter acesso ao paciente nas duas últimas vezes em que tentou avaliá-lo.

"Fiquei frustrado por não conseguir fazer o meu trabalho, mas disseram-me para ir embora", recordou Di Spagna sobre uma visita, a 18 de novembro, à casa em Tigre, nos arredores de Buenos Aires, onde o antigo futebolista recuperava.

A psiquiatra Cosachov admitiu que houve problemas desde a alta da Clínica Olivos, onde Maradona tinha sido operado.

"Pedi sempre um médico clínico. No dia 12 ou 13 (de novembro) começou já a existir algum mal-entendido" com o seguro de saúde, declarou, responsabilizando Forlini.

Todos os arguidos clamam inocência, perante uma acusação que prevê penas de até 25 anos de prisão.

As alegações finais começarão a 8 de outubro e prolongar-se-ão por seis sessões, até dia 22.

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