Ir para o conteúdo principal

Lionel Messi já chegou à Argentina para se despedir do pai

Lionel Messi a chegar a solo argentino este domingo
Lionel Messi a chegar a solo argentino este domingoREUTERS/Agustin Marcarian

Lionel Messi chegou à Argentina para se despedir este domingo do seu pai Jorge Messi, que foi tanto o seu agente como o apoio incondicional da estrela mundial desde os tempos difíceis da sua adolescência em Barcelona.

O pai do octocampeão da Bola de Ouro faleceu na noite de sexta-feira para sábado, aos 68 anos, numa clínica da sua cidade, Rosário. A causa da morte não foi divulgada.

Numa aeronave privada vinda dos Estados Unidos, a estrela argentina chegou acompanhado da sua companheira Antonella Rocuzzo e dos seus filhos, quase todos vestidos de preto, constatou a AFP no local.

Depois de aterrar às 20:40 locais, segundo as autoridades aeroportuárias, Messi entrou numa carrinha escoltada por viaturas da polícia.

O funeral de Jorge Messi deverá realizar-se este domingo, em ambiente familiar, em Pérez, uma localidade próxima da sua terra natal, Rosário, no norte de Buenos Aires, com a presença de Lionel Messi e da sua família, soube a AFP junto de fontes oficiais locais.

A Federação Argentina de Futebol e o Barça, que acolheu Messi aos 13 anos, foram dos primeiros a apresentar as suas condolências. “O FC Barcelona agradece a Jorge Messi pelo seu compromisso com o nosso clube, por ter confiado os primeiros passos e os anos de maior brilho da carreira futebolística do seu filho Leo”, escreveu o clube blaugrana em comunicado.

No Inter Miami, onde Messi joga desde 2023, os seus colegas defrontaram o Monterrey no sábado com uma braçadeira preta.

Sem a sua estrela internacional, as Garzas perderam por 2-1. Durante esse encontro, o argentino Rodrigo de Paul, que marcou o golo do Miami, celebrou esse feito ao tirar a camisola número 7 e mostrar uma camisola com o número 10, em sinal de apoio a Messi.

Números de Messi
Números de MessiFlashscore

Figura tutelar ao longo de toda a carreira do seu filho, Jorge Messi foi o seu primeiro treinador, o pai que deixou tudo para o acompanhar até Espanha, e depois o agente que negociou em seu nome contratos milionários.

“O meu pai ajudou-me imenso. É muito crítico comigo. Isso fez com que eu quisesse sempre superar-me”, declarou o campeão do mundo de 2022 numa entrevista.

Operário metalúrgico em Rosário, a 340 km a norte de Buenos Aires, Jorge orientava equipas de jovens no pequeno clube Grandoli, em Rosário. Foi ele quem fez estrear o futuro capitão da Argentina, aos quatro anos, nos “potreros” do seu bairro, esses campos irregulares onde jogavam os miúdos argentinos.

Companheiro nos anos difíceis

A sua vida mudou em 2000, quando o FC Barcelona convidou o jovem prodígio, então com 13 anos, a instalar-se na Catalunha para continuar o tratamento para um défice de crescimento, ao mesmo tempo que jogava nas equipas de formação do clube.

Jorge deixou então para trás o seu emprego estável na Argentina, a sua esposa e os seus três outros filhos, e mudou-se para Espanha com Lionel.

“Quando chegámos a Barcelona, eu fechava-me para chorar sozinho no quarto, e o meu pai fazia o mesmo, sem que eu visse ou pensando que eu não via. Fingíamos que estávamos bem os dois, mas estávamos mal”, contou Messi numa entrevista dada aos 20 anos.

Polémicas

Mais tarde, Jorge assinou com o FC Barcelona o primeiro contrato do seu filho, tornando-se seu agente e único representante, em Barcelona, depois no PSG e em Miami.

“No dia em que o Leo deixar de jogar, acredito que uma parte do meu sonho vai desmoronar-se e que deixarei de ver futebol”, afirmou à revista Kicker em 2013. Morreu antes de Messi anunciar o fim da sua carreira.

No entanto, a sua vida não esteve isenta de polémicas. Em 2013, pai e filho foram acusados pela justiça espanhola de terem utilizado, entre 2007 e 2009, um esquema para receber os direitos de imagem do futebolista evitando o pagamento de impostos em Espanha. O caso foi encerrado em 2017 após multas de vários milhões, mas ambos escaparam à prisão.

Na sequência de uma denúncia, voltaram a ser investigados em 2019 por alegados crimes contra o Fisco, burla e branqueamento de capitais, mas o processo foi arquivado em 2021, tendo a justiça reconhecido que não lhes podia ser imputado qualquer crime.