México lamenta a ausência de Cristiano Ronaldo na reabertura do Estádio Azteca

Cristiano Ronaldo não vai jogar frente ao México na reabertura do Estádio Azteca
Cristiano Ronaldo não vai jogar frente ao México na reabertura do Estádio AztecaSTEFAN KOOPS / NurPhoto / NurPhoto via AFP

Os adeptos mexicanos ficaram radiantes ao saber que Portugal tinha sido escolhido como adversário para a reinauguração do Estádio Azteca, marcada para o próximo dia 28 de março, sobretudo pela possibilidade de ver Cristiano Ronaldo no relvado do Colosso de Santa Úrsula. A confirmação da ausência do astro luso abalou profundamente o ânimo do país.

O México assumiu-se totalmente madridista nos anos 80, graças a Hugo Sánchez. O jogador formado nos Pumas reforçou, como ninguém, o vínculo eterno do país com Espanha, devido aos traços identitários e culturais enraizados desde a época do vice-reinado.

As acrobacias e o instinto goleador de Sánchez, o primeiro grande futebolista mexicano que não se intimidou perante os desafios do primeiro mundo, elevaram-no a uma idolatria merengue que, por sua vez, inundou a idiossincrasia nacional de um madridismo fervoroso que só se consolidou com o passar dos anos... e o principal responsável foi Cristiano Ronaldo.

A esperança de o fazer sentir-se em casa

Os dirigentes mexicanos, rápidos a procurar negócio, viram-se pressionados pelo clamor popular de nunca dar prioridade ao aspeto desportivo da Tri, após o fracasso vivido no Mundial do Catar-2022. Para remediar isso, sem esquecer o objetivo financeiro (claro está), moveram todas as peças para convencer Portugal a ser o adversário na reabertura do Estádio Azteca.

Ao conseguirem convencer os homólogos portugueses, a notícia inundou as redes sociais e tornou-se, sem dúvida, a melhor novidade para o futebolista mexicano em muito tempo. O sonho de ver Cristiano transformou-se numa missão nacional. Todo o espírito nacional concentrou-se num só objetivo: mostrar ao astro que este país era a sua casa.

No entanto, o entusiasmo dos adeptos desmoronou-se completamente esta sexta-feira, depois da lista de convocados anunciada por Roberto Martínez que confirmou a ausência de Cristiano Ronaldo devido a uma lesão muscular na perna direita, sofrida há quase um mês num jogo da Liga da Arábia Saudita.

Tudo conforme o previsto

E embora a ausência de Cristiano Ronaldo seja um duro golpe para toda a organização do encontro, o facto de o jogo se realizar é uma conquista para os dirigentes, após semanas de incerteza devido à situação de segurança no país, na sequência da captura do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes pelo Exército mexicano.

A violência desencadeada após a morte de El Mencho em várias regiões do país, com especial destaque para Jalisco e a sua capital Guadalajara, deixou a organização do Mundial e vários envolvidos, incluindo a Federação Portuguesa de Futebol, em alerta máximo. Após os episódios violentos e as cenas caóticas que correram mundo, a seleção lusa avisou que, caso não encontrasse garantias, não viajaria ao México para o amigável no Estádio Azteca.

Desde então, as autoridades mexicanas lançaram vários apelos à calma, apoiados pelo próprio presidente da FIFA, Gianni Infantino. Um efeito que surtiu resultado e permitiu confirmar o duelo frente a Portugal, que será o pontapé de saída para os 5 jogos que o Estádio Azteca vai receber, dos 13 que se disputarão no país.