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A expectativa de ver a remodelação final do Estádio Azteca foi crescendo gradualmente, entre críticas por alegados avanços lentos e disputas entre proprietários de camarotes que não queriam aceitar as decisões da FIFA para o Mundial.
No entanto, todos esses problemas foram completamente esquecidos quando a Federação Mexicana de Futebol anunciou, com grande entusiasmo, o adversário para reabrir as portas do emblemático recinto de Santa Úrsula: Portugal.
Em território claramente dominado por adeptos do Real Madrid, a possibilidade de ver Cristiano Ronaldo no relvado do Estádio Azteca captou todas as atenções e provocou uma euforia contagiante, impulsionando a, até então, tranquila febre mundialista. Contudo, o sonho de um povo em ver o seu ídolo esteve sempre em risco desde o início.
Problemas na venda de bilhetes
Os problemas começaram no final do ano passado, quando a empresa colombiana Fani, responsável pela venda dos bilhetes para o encontro, enfrentou sérias dificuldades para o fazer. Após um dia de alegados ataques informáticos que derrubaram o seu site, a companhia conseguiu realizar a venda 24 horas depois, mas não escapou ao descontentamento dos adeptos.
Com muito pouco tempo disponível para garantir um bilhete ou sem conseguir aceder ao site, a empresa anunciou que os bilhetes estavam esgotados. As queixas surgiram de imediato e algumas pessoas chegaram a acusar a empresa de fraude junto das autoridades mexicanas.
“No tema da bilheteira, creio que se fez uma tempestade num copo de água, por um dia em que houve um problema devido a ataques informáticos, que foi resolvido no dia seguinte. Na verdade, não houve problemas, a venda dos bilhetes para o México contra Portugal decorreu com total normalidade”, minimizou o ocorrido Ivar Sisniega, presidente executivo da Federação Mexicana de Futebol.
Portugal e o receio face à insegurança
No entanto, o maior problema para este encontro começou a surgir no passado domingo, quando o México foi notícia em todo o mundo devido à captura de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, o narcotraficante mais procurado e mais sanguinário da história do país.
A sua morte, às mãos do Exército mexicano, provocou uma série de graves distúrbios em várias regiões do país. E, embora no dia seguinte a presidente, Claudia Sheinbaum, tenha garantido que a situação estava controlada, o impacto do sucedido já tinha causado danos. "Os acontecimentos recentes exigem uma avaliação contínua das condições associadas às viagens da delegação da FPF. Neste contexto, as indicações do Governo português são fundamentais e cruciais para o acompanhamento da situação", explicou a Federação Portuguesa de Futebol em comunicado.
A posição portuguesa gerou um descontentamento generalizado entre a população, ao ponto de a Federação Mexicana de Futebol ter de emitir o seu próprio comunicado para tentar acalmar a indignação coletiva, sem sucesso: “Até ao momento, a data e o local do encontro mantêm-se inalterados. A Federação Mexicana de Futebol e a Federação Portuguesa de Futebol esclarecem que é desejo mútuo que o jogo de preparação para o Mundial 2026 se realize no México a 28 de março”.
A incerteza sobre se o jogo se vai realizar ou não é o último golpe na esperança dos adeptos de ver Cristiano Ronaldo, num contexto em que se deseja que a vida no país retome algum grau de normalidade. Um cenário desfavorável que leva muitos ativistas a pedir o cancelamento da sede mexicana para o Mundial. Uma decisão que seria devastadora do ponto de vista emocional para uma nação com uma ferida aberta há décadas e que ninguém conseguiu fechar.
