Fórmula 1: Bernd Mayländer, um quarto de século ao volante do safety car

Bernd Mayländer posa para a reportagem
Bernd Mayländer posa para a reportagemANTONIN VINCENT / ANTONIN VINCENT / DPPI VIA AFP

O alemão Bernd Mayländer (54 anos), piloto do carro de segurança da Fórmula 1 desde o ano 2000, vai viver este fim de semana em Melbourne o seu 500.º Grande Prémio, um "grande orgulho" para este antigo vendedor.

Nascido em Waiblingen, perto de Estugarda, começou a dedicar-se aos desportos motorizados na adolescência, antes de se tornar piloto amador no início dos anos 1990.

"Quando terminei os meus estudos, trabalhei três anos numa empresa do grupo Coca-Cola; depois, em 1993, passei a dedicar-me a tempo inteiro à condução, tornando-me profissional", contou esta sexta-feira à AFP, a partir do paddock do GP da Austrália.

Rapidamente alcançou bons resultados, com uma vitória na Porsche Carrera Cup Alemanha em 1994, e depois nas 4 Horas de Zeltweg (Áustria) em 1997.

Um clássico do paddock

Em 1999, Mayländer assumiu o volante do carro de segurança da Formula 3000 (antecessora da F2), um pouco por acaso, o que o impulsionaria pouco depois até à Fórmula 1.

"Durante uma corrida da Porsche Super Cup no Grande Prémio de San Marino em 1999, em Imola, recebi uma chamada de Charlie Whiting (diretor de corrida e delegado para a segurança da Federação Internacional do Automóvel), que me convocou ao seu gabinete. Fiquei surpreendido e, ao reunir-me com ele, propôs-me conduzir o safety car da Formula 3000, dizendo-me que em 2000 poderia ser possível ocupar esse cargo também na F1", recorda.

No entanto, o alemão continuaria até 2004 como piloto profissional, conciliando essa função com a sua missão nos GP de Fórmula 1, vencendo as 24 Horas de Nürburgring em 2000.

Desde o início em 2000, o extrovertido e sorridente Bernd tornou-se uma figura indispensável do paddock, sem que os anos ou os diferentes carros de segurança o afastassem do seu papel.

"Fiz quase todas as corridas desde 2000; só falhei quatro por motivos médicos, porque tive de ser operado", explica à AFP.

"Ainda em forma e motivado"

Embora esperasse ocupar esse cargo durante algum tempo, nunca imaginou estar ao volante do carro de segurança um quarto de século depois.

"Sabia que poderia ficar muito tempo, mas nunca pensei estar aqui 26 anos depois. Chegar aos 500 Grandes Prémios é um enorme orgulho", afirma.

Bernd Mayländer senta-se ao volante em cada corrida, pronto a entrar em pista ao menor incidente. Acompanha o GP em direto através de vários ecrãs, mas cabe exclusivamente à direção de corrida decidir quando o safety car entra em ação.

"Adoro poder ajudar os pilotos e a FIA. Este trabalho permite-me continuar a conduzir carros muito rápidos, continuar na pista", sublinha.

A FIA organizou este fim de semana um churrasco em sua homenagem no país da Oceânia e ofereceu-lhe um capacete comemorativo pelos seus 500 Grandes Prémios.

"Não é realista dizer que vou fazer mais 500, mas sinto-me ainda capaz de continuar mais algumas semanas, ainda estou em forma e motivado", declara.