Fórmula 1: Esteban Ocon não espera grandes mudanças no pelotão em 2026

Esteban Ocon esta quarta-feira.
Esteban Ocon esta quarta-feira.REUTERS/Hamad I Mohammed

"Independentemente da regulamentação, as equipas com mais recursos vão estar sempre à frente", afirmou o francês Esteban Ocon (Haas) esta quarta-feira, a partir do Barém, onde decorrem os testes de Fórmula 1, lamentando junto da AFP que a hierarquia não seja alterada apesar das grandes mudanças técnicas previstas para 2026.

- O que pensa da nova regulamentação?

- É um desafio e todos sentimos alguma excitação. Estou ansioso por ver como vai ser em corrida, porque certamente vai ser muito intenso. Agora, enquanto adepto do automobilismo que aprecia a boa mecânica e motores potentes, se pudesse escolher entre um V10 ou um V12, deixaria de lado o motor atual. É complicado para os engenheiros e para nós ainda mais. E ainda não adquirimos os automatismos.

- Concorda, como Max Verstappen, que estes novos carros se parecem demasiado com a Fórmula E (elétrica) e que se perde um pouco a essência da F1?

- Não vou dizer isso já, porque é preciso dar uma oportunidade à regulamentação e respeitar o trabalho de todos. Temos de ver como corre. Se não funcionar, então diremos que é mau. Mas, por agora, é cedo. É evidente que o som não é bonito, é muito difícil de dominar, mas se conseguirmos ultrapassar-nos três vezes por volta e houver ultrapassagens como no karting, então diremos que está bem.

- Como se sente no seu novo monolugar?

- Os nossos testes foram realmente produtivos, porque não tivemos qualquer problema de fiabilidade e conseguimos fazer 150 voltas por dia desde os testes em Barcelona, o que é imenso. Toco na madeira para que continue assim. É bom em termos de fiabilidade, mas isso não significa que não tenhamos problemas. A nível eletrónico, tivemos situações complicadas, mas conseguimos perceber e melhorar bastante. Agora temos de atacar os detalhes mais pequenos e ver como ajustar o carro para obter o melhor desempenho possível.

- Acha que a hierarquia pode ser alterada por esta nova regulamentação?

- Não, isso não vai acontecer e não é segredo. É triste, porque pensei que a hierarquia poderia ser um pouco alterada e talvez tivéssemos uma oportunidade de estar na frente... Mas não, continuam sempre os mesmos quatro à frente (McLaren, Mercedes, Red Bull e Ferrari, nota do editor), por isso é um pouco dececionante, porque as oportunidades não são iguais para todos os pilotos, mas é a Fórmula 1, é assim... Isto prova que, independentemente da regulamentação, as equipas com mais recursos vão estar sempre à frente. Tal como nos últimos anos, vamos lutar para ser os melhores entre os restantes.

- Depois de uma primeira época na Haas algo complicada, sente mais pressão este ano?

- Não, não sinto mais pressão do que no ano passado, mas é claro que este é um ano importante para mim e para a equipa. Temos de apresentar bons resultados, aproveitar o que aprendemos no ano passado e não repetir os mesmos erros. Muitas coisas não correram como queríamos na época passada, especialmente problemas de estabilidade na travagem, por isso temos de ser melhores em muitos aspetos, mas estou tranquilo e focado no que é preciso fazer.

- Qual é o seu objetivo e o da equipa?

- Se o desempenho for bom, o objetivo é marcar pontos em todas as corridas e ser os melhores entre os restantes, na quinta ou sexta posição, porque vai ser difícil reduzir a diferença para o Top 4. E espero conseguir um momento de destaque para a equipa, que nunca teve um pódio desde que começou. Seria fantástico.