Fórmula 1: Responsáveis técnicos reúnem-se para discutir os novos regulamentos

Vista geral com George Russell, da Mercedes, e Oscar Piastri, da McLaren, a liderarem no arranque do Grande Prémio do Japão
Vista geral com George Russell, da Mercedes, e Oscar Piastri, da McLaren, a liderarem no arranque do Grande Prémio do JapãoIssei Kato / Reuters

Os principais engenheiros técnicos da Fórmula 1 vão juntar-se na quinta-feira para a primeira de uma série de reuniões destinadas a debater as novas regras dos motores e que ajustes devem ser feitos após três corridas.

Fontes internas antecipam que a gestão de energia, a necessidade de "levantar o pé e rolar" e o "super clipping" dominem a agenda inicial em Londres. É pouco provável que surjam novidades imediatas destas discussões, que se vão prolongar ao longo das próximas semanas antes de serem tomadas decisões, incluindo eventuais alterações de software na gestão energética.

As novas unidades motrizes, divididas aproximadamente em 50% entre energia elétrica e combustão, trouxeram desafios inéditos. Os pilotos têm de aliviar o acelerador mais cedo e deixar o carro rolar nas curvas rápidas, que normalmente seriam um grande teste à coragem, para que o motor de combustão possa recarregar a bateria.

O super clipping refere-se ao momento em que a energia é automaticamente desviada do motor para a bateria, o que faz com que o carro abrande em plena reta, mesmo que o piloto queira acelerar ao máximo.

O desporto tem tempo para refletir sobre a maior alteração regulamentar de pelo menos uma geração, já que as corridas de abril no Bahrain e na Arábia Saudita foram canceladas devido à guerra no Irão e ao conflito na região. A próxima corrida é o Grande Prémio de Miami, a 3 de maio.

"Tem sido uma posição consensual de todas as partes interessadas que seria feita uma análise estruturada após a fase inicial da época, para permitir a recolha e análise de dados suficientes. Estão por isso agendadas várias reuniões em abril para avaliar o funcionamento dos novos regulamentos e determinar se são necessários ajustes", afirmou a Federação Internacional do Automóvel (FIA) após o Grande Prémio do Japão do mês passado.

"Qualquer eventual alteração, sobretudo as relacionadas com a gestão de energia, exige simulação cuidada e análise detalhada," acrescentou.

A reunião de quinta-feira dos especialistas técnicos, sem a presença dos diretores de equipa, servirá para debater ideias e opções, estando previsto novo encontro uma semana depois.

Os diretores de equipa, a FIA e os responsáveis da Fórmula 1 vão reunir-se a 20 de abril, altura em que se espera que surjam propostas a serem submetidas a uma votação eletrónica.

Fontes internas alertaram que mudanças significativas podem continuar a ser difíceis de alcançar, devido aos vários interesses em jogo e à necessidade de consenso.

Os pilotos foram consultados para dar o seu contributo, com alguns a manifestarem-se favoráveis à nova forma de correr, enquanto outros, como o tetracampeão mundial da Red Bull Max Verstappen, têm sido bastante críticos.

Apesar de haver mais ultrapassagens, com os pilotos a trocarem de posição à medida que os carros alternam entre usar e recuperar energia elétrica, alguns, como Verstappen, defendem que as corridas se tornaram "uma anedota" e "profundamente falhadas".

Também têm surgido preocupações com a segurança, devido à diferença significativa de velocidades entre carros em pista e ao impacto na qualificação.