Em Suzuka, Charles Leclerc viveu uma qualificação marcada pela frustração. O seu SF-26, apesar de apresentar um excelente equilíbrio nas curvas, traiu-o nas longas retas japonesas, fazendo desaparecer a vantagem conquistada nas zonas mais sinuosas e deixando-o a mais de seis décimos do poleman Andrea Kimi Antonelli.
O monegasco não escondeu o desconforto: “Infelizmente, a minha volta louca de qualificação já não serve, com estes carros compensa ficar dentro do limite, conduzir sempre da mesma forma…”.
O sinal das dificuldades já tinha surgido na quinta-feira, durante os primeiros treinos. “Com estes carros acontecem coisas mesmo estranhas… é frustrante”, disse Leclerc, antecipando as complicações que se iriam ver na Q3. E, de facto, apesar de um primeiro setor de altíssimo nível, em que o seu andamento parecia confirmar a lenda da sua habilidade em qualificação, o efeito combinado da nova gestão da Power Unit e das retas a subir anulou qualquer tentativa de ganho.
“Um dos meus pontos fortes, no passado, era que na Q3 sabia arriscar imenso para ganhar alguma coisa. Se o faço agora, baralho o motor e perco tudo”, explicou o piloto da Ferrari.
Por detrás desta dificuldade não está uma quebra de talento, mas sim uma questão técnica: o software da Power Unit, que gere a entrega de potência e energia elétrica, já não reage ao risco extremo como fazia com o piloto monegasco. Cada aceleração antecipada ou travagem mais agressiva afeta o consumo e obriga o sistema a compensar, comprometendo inevitavelmente o resto da volta. A regularidade compensa mais do que o risco, e Leclerc pagou caro por isso.
O cronómetro não engana: quarto tempo atrás de Antonelli, Russell e um recuperado Piastri, a diferença significativa mostra como a margem de manobra nesta nova era da Fórmula 1 é reduzida. Na voz do monegasco, a exasperação é evidente: “Já não aguento mais esta qualificação! Sou mais rápido nas curvas, acelero mais cedo e depois perco tudo na reta… isto é uma anedota!”.
Apesar da desilusão, o otimismo da Ferrari mantém-se. “Na corrida será diferente, a partir de Miami começa outro campeonato”, prometeu Frederic Vasseur.
